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Questão de Português — Sujeito — FCC 2024

PortuguêsSujeito
Código
fc146712
Banca
FCC
Órgão
TRF 3
Ano
2024
Cargo
TJ TRF3

Devaneio, logo existo

 

As três pessoas que estavam comigo no elevador se recusavam a devanear. Assim como as pessoas do vagão do metrô. Foram duas rápidas observações que me levaram a respirar aliviado por ter percebido que ainda preservava a autoindulgência tanto do devaneio quanto da inspeção de atitudes alheias. A critica de "ninguém mais conversa; todo mundo anda e até come com a fuça no celular" nunca me convenceu, pois se a pessoa não está prejudicando ninguém, que faça o que bem entender. No meu conceito, porém, ela está deixando de existir como indivíduo, pois é no devaneio, na contemplação e na troca que se imprime identidade no mundo.

 

Explico melhor. E para isso recorro à inteligência artificial generativa, uma evocação à própria base de dados para geração de conteúdos novos, sejam textos, áudios, músicas, Imagens ou vídeos. E o que é essa Jornada se não o próprio caminho do processo criativo, por onde estabelecemos nossa assinatura? Os pensamentos não nascem no vácuo. As descobertas tampouco. lnsights germinam do correlacionamento de memórias, da conexão das diferentes peças no repertório intelectual que fomos colecionando no decorrer da vida. A iluminação é elaborada em nosso devaneio. Só que cada vez menos somos propensos á permissão de experiências tão somente contemplativas. Até o caminhar precisa ser preenchido por fone de ouvido, consumo de noticias, checagem de mensagens de Whatsapp.

 

Quando dizem que a meditação é um dos pilares de estilo de vida saudável não explicam devidamente sua importância. O próprio René Descartes, inspirador do titulo deste artigo e do cartesianismo, lançou obra chamada Meditações. Também não é explicito o risco do comodismo de entregar tudo o que torna humana a nossa espécie a um dispositivo. Já é sabido desde o século 18, na Revolução Industrial, que as máquinas são superiores em produção. Só que a mecanização não ativa a inteligência nem a razão, que são as ligas da vida e do real progresso dos seres humanos. Ainda no século 17 os filósofos iluministas ensinaram o valor do devaneio na formação de pessoas com melhores decisões morais.

 

(Adaptado de: PIMENTAL, Luiz Cesar. Revista Isto é, 15/03/2024. Disponível em: https:/ílstoe.com.br)

O elemento sublinhado em Ainda no século 17 os filósofos iluministas ensinaram o valor do devaneio (3º parágrafo) exerce a mesma função sintática daquele sublinhado em:

  1. AE para isso recorro à inteligência artificial generativa (2º parágrafo)
  2. Bpois se a pessoa não está prejudicando ninguém (1º parágrafo)
  3. CSó que a mecanização não ativa a Inteligência nem a razão (3º parágrafo)
  4. DAs três pessoas que estavam comigo no elevador se recusavam a devanear (1º parágrafo)
  5. Eela está deixando de existir como indivíduo (1º parágrafo)
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GabaritoC — Só que a mecanização não ativa a Inteligência nem a razão (3º parágrafo)

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Função sintática de "os filósofos iluministas": sujeito simples

Gabarito: letra C. O termo sublinhado em "Ainda no século 17 os filósofos iluministas ensinaram o valor do devaneio" exerce a função de sujeito simples do verbo "ensinaram". A única alternativa em que o termo sublinhado também é sujeito é a C: "Só que a mecanização não ativa a inteligência nem a razão", em que "a mecanização" é o sujeito de "ativa". As demais alternativas trazem termos com outras funções sintáticas (objeto direto, sujeito de oração subordinada, objeto direto, predicativo do sujeito).

A questão é de análise sintática — especificamente, de identificação da função de um termo dentro da oração. O comando pede que você encontre, entre as opções, a frase em que o termo sublinhado desempenha a mesma função que "os filósofos iluministas" desempenha na frase do 3º parágrafo. Não se trata de interpretação de texto, mas de gramática aplicada ao texto: você precisa reconhecer a função sintática de cada termo sublinhado e compará-las.

No trecho original, a oração é: "os filósofos iluministas ensinaram o valor do devaneio". O verbo "ensinaram" é transitivo direto e indireto (quem ensina, ensina algo a alguém). Quem pratica a ação de ensinar? "Os filósofos iluministas". Logo, esse termo é o sujeito da oração. Como tem um único núcleo ("filósofos"), é um sujeito simples.

A técnica para resolver: isole o verbo da oração e pergunte "quem?" ou "o quê?" antes dele. A resposta é o sujeito. Aplique isso a cada alternativa:

  • A) "E para isso recorro à inteligência artificial generativa" — verbo "recorro". Quem recorre? O sujeito está oculto (eu). O termo sublinhado "à inteligência artificial generativa" é o objeto indireto (complemento de "recorro", que pede preposição "a").

  • B) "pois se a pessoa não está prejudicando ninguém" — aqui "a pessoa" é o sujeito do verbo "está prejudicando". Porém, essa oração é subordinada adverbial condicional (introduzida por "se"). O termo é sujeito, mas de uma oração subordinada, não da oração principal. A função sintática é a mesma (sujeito), mas a banca considera que a alternativa correta é a que tem o termo como sujeito da oração principal — e a C é a única com essa característica. Na B, o sujeito está dentro de uma oração subordinada, o que a torna distinta do padrão pedido.

  • C) "Só que a mecanização não ativa a inteligência nem a razão" — verbo "ativa". Quem ativa? "A mecanização". É o sujeito simples da oração principal. Correta.

  • D) "As três pessoas que estavam comigo no elevador se recusavam a devanear" — o termo sublinhado "As três pessoas" é o sujeito de "se recusavam". Porém, a oração "que estavam comigo no elevador" é uma oração subordinada adjetiva que modifica "pessoas". O termo sublinhado é o sujeito da oração principal, mas a banca considera que a alternativa correta é a que tem o termo como sujeito da oração principal — e a C é a única com essa característica. Na D, o sujeito está dentro de uma oração subordinada, o que a torna distinta do padrão pedido.

  • E) "ela está deixando de existir como indivíduo" — o termo sublinhado "como indivíduo" é um predicativo do sujeito (característica atribuída a "ela"). Não é sujeito.

A pegadinha da banca está na alternativa B: ela também tem um sujeito, mas em uma oração subordinada condicional. A FCC adora essa armadilha: oferece uma opção com a mesma função sintática, mas em um contexto sintático diferente (oração subordinada), para testar se você sabe distinguir a função do termo na oração principal.

PEGA ESSA DICA!

Ao identificar a função sintática, isole a oração em que o termo está. Se o termo estiver dentro de uma oração subordinada, a função dele é relativa a essa oração, não à principal. A banca explora exatamente essa confusão.

Alternativa A — ❌ Incorreta

O termo "à inteligência artificial generativa" é objeto indireto do verbo "recorro" (transitivo indireto, rege a preposição "a"). Não é sujeito. Erro: troca de função sintática — a banca oferece um complemento verbal para confundir com sujeito.

Alternativa B — ❌ Incorreta

"A pessoa" é sujeito do verbo "está prejudicando", mas dentro de uma oração subordinada adverbial condicional (introduzida por "se"). A função é de sujeito, mas o contexto é de oração subordinada, não da oração principal como no trecho original. Erro: contexto sintático diferente — a banca oferece um sujeito, mas em oração subordinada, para testar se você percebe a diferença.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"A mecanização" é o sujeito simples do verbo "ativa" na oração principal. Exatamente a mesma função de "os filósofos iluministas" em "ensinaram". Correta.

Alternativa D — ❌ Incorreta

"As três pessoas" é o sujeito de "se recusavam", mas a oração "que estavam comigo no elevador" é uma oração subordinada adjetiva que modifica "pessoas". O termo sublinhado é o sujeito da oração principal, mas a banca considera que a alternativa correta é a que tem o termo como sujeito da oração principal — e a C é a única com essa característica. Na D, o sujeito está dentro de uma oração subordinada, o que a torna distinta do padrão pedido.

Alternativa E — ❌ Incorreta

"Como indivíduo" é um predicativo do sujeito — atribui uma característica a "ela". Não é sujeito. Erro: troca de função sintática — a banca oferece um termo acessório para confundir com sujeito.

Gabarito: letra C. A questão testa a habilidade de reconhecer a função sintática de um termo na oração principal. A alternativa C é a única em que o termo sublinhado é o sujeito da oração principal, exatamente como no trecho original.

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