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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — FCC 2024

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
fc146727
Banca
FCC
Órgão
TJ AL
Ano
2024
Cargo
TJ ( )

A idolatria do PIB. - O PIB é invenção recente. A ideia de medir a variação do valor monetário dos bens e serviços produzidos a cada ano surgiu no período entreguerras, mas foi só em meados do século passado que os órgãos oficiais passaram a calcular e publicar dados de PIB para os diferentes países. Nenhum dos grandes economistas clássicos - Smith, Ricardo, Malthus, Marx ou Mill - jamais foi instado a prever o PIB do ano ou trimestre seguintes. O culto do PIB como métrica de sucesso das nações tornou-se uma espécie de religião do nosso tempo. O crescimento é a meta suprema em nome da qual governos são eleitos ou rejeitados nas urnas, e um antropólogo marciano poderia supor que o acrônimo PIB nomeia a nossa divindade-mor na vida pública, enquanto o afã de consumo preenche o vazio da existência na esfera privada. - Mas o que exatamente está sendo medido? Imagine uma comunidade na qual a água potável é um bem livre e desfrutado por todos com a mesma facilidade com que obtemos o ar que respiramos; suponha, no entanto, que as fontes de água foram poluídas e agora se tornou necessário purificá-la, engarrafá-la e distribuí-la, de modo que todos precisam trabalhar um pouco mais a fim de comprá-la no mercado - o que acontece com o PIB dessa comunidade? O erro não é de magnitude, mas de sinal: as pessoas empobreceram, ao passo que o PIB total e o PIB per capita subiram. Daí que: se eu moro perto do meu local de trabalho e posso caminhar até ele, o PIB nada registra; mas, se preciso tomar uma condução e pagar o bilhete (sem falar no tempo encarcerado no trânsito), ele sobe. Se eu gosto do que faço, embora ganhando menos do que poderia, e passo a trabalhar sem a menor alegria para um mundo caduco, mas recebendo um aumento por isso, o PIB sobe. O PIB, em suma, mede o valor monetário dos bens e serviços que transitam pelo sistema de preços - e nada mais. E, quando se tornar inevitável portar garrafinhas de oxigênio na cintura a fim de seguir respirando, o PIB subirá de novo.

(GIANNETTI, Eduardo. Trópicos utópicos: uma perspectiva brasileira da crise civilizatória. São Paulo: Companhia das Letras. 2016. pp. 51-52)

Leia o texto abaixo para responder à questão.   Ao afirmar-se que O PIB, em suma, mede o valor monetário dos bens e serviços que transitam pelo sistema de preços - e nada mais, o autor reforça
  1. Ao contexto histórico em que a ideia de medir a variação do valor monetário dos bens e serviços surgiu.
  2. Ba importância do crescimento econômico como valor fundamental na avaliação dos governos democráticos de forma geral.
  3. Cas limitações de uma doutrina econômica que vê na medição do PIB um valor absoluto que orienta as ações políticas dos governos democráticos.
  4. Do paradoxo explicitado no fato de as pessoas terem empobrecido ao passo que o PIB total e o PIB per capita subiram.
  5. Ea necessidade de que todos trabalhem um pouco mais para aquecer o mercado e promover o crescimento econômico.
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GabaritoC — as limitações de uma doutrina econômica que vê na medição do PIB um valor absoluto que orienta as ações políticas dos governos democráticos.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

A crítica à idolatria do PIB: o que o autor reforça ao delimitar o que o indicador mede

Gabarito: letra C. Ao afirmar que o PIB "mede o valor monetário dos bens e serviços que transitam pelo sistema de preços - e nada mais", o autor reforça as limitações de uma doutrina econômica que vê na medição do PIB um valor absoluto que orienta as ações políticas dos governos democráticos. A passagem que ancora essa leitura é a que define o PIB como métrica que registra apenas o que passa pelo sistema de preços, ignorando tudo o que não é monetizado — e é exatamente essa limitação que desmonta a "idolatria" descrita no início do texto, quando o autor ironiza o "culto do PIB como métrica de sucesso das nações" e o fato de o crescimento ser "a meta suprema em nome da qual governos são eleitos ou rejeitados nas urnas".

O comando pede que se identifique o que o autor reforça com a frase final. Isso é uma questão de compreensão (o que o texto afirma), mas exige perceber a função argumentativa da passagem: ela não está isolada, ela conclui a crítica construída ao longo do texto. O autor não está apenas definindo PIB tecnicamente; está usando essa definição para desmontar a ideia de que o crescimento do PIB é sinônimo de bem-estar. A frase "e nada mais" é a chave: ela restringe o alcance do indicador, e essa restrição é a base da crítica à "idolatria" — ou seja, à doutrina que trata o PIB como valor absoluto.

O texto desenvolve essa crítica com exemplos concretos que mostram como o PIB pode subir enquanto as pessoas empobrecem. O caso da água poluída é o mais claro: "as pessoas empobreceram, ao passo que o PIB total e o PIB per capita subiram". Isso prova que o PIB não mede bem-estar, apenas o que transita pelo sistema de preços. O autor reforça essa tese com os exemplos do transporte e do trabalho: "se eu moro perto do meu local de trabalho e posso caminhar até ele, o PIB nada registra; mas, se preciso tomar uma condução e pagar o bilhete, ele sobe". Todos esses exemplos convergem para a mesma conclusão: o PIB é uma métrica limitada, e tratá-lo como valor absoluto é um erro.

A técnica para resolver esta questão é testar cada alternativa perguntando: o texto autoriza isto, ou exige acrescentar algo de fora? A alternativa correta é a única que se sustenta inteiramente no texto, sem extrapolar. As demais ou tangenciam o tema, ou restringem indevidamente, ou contradizem o que o autor afirma. A banca adora montar distratores que parecem plausíveis, mas que introduzem uma ideia que o texto não traz — como a alternativa E, que inverte completamente a posição do autor.

Alternativa A — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que o autor reforça "o contexto histórico em que a ideia de medir a variação do valor monetário dos bens e serviços surgiu". O texto menciona esse contexto no início: "A ideia de medir a variação do valor monetário dos bens e serviços produzidos a cada ano surgiu no período entreguerras". Porém, a frase final do autor não reforça esse contexto histórico; ela reforça a limitação do PIB. A alternativa tangencia o tema: fala de algo que está no texto, mas não é o que a frase final reforça. O erro é de fuga ao tema — a alternativa trata de um assunto correlato, mas não responde ao que o comando pede.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que o autor reforça "a importância do crescimento econômico como valor fundamental na avaliação dos governos democráticos de forma geral". O texto menciona que "o crescimento é a meta suprema em nome da qual governos são eleitos ou rejeitados nas urnas", mas isso é descrito como parte da idolatria que o autor critica, não como algo que ele reforça. A alternativa contradiz o texto: o autor não defende a importância do crescimento; ele a critica. Além disso, a expressão "de forma geral" generaliza indevidamente, pois o texto fala de governos democráticos de forma específica, não geral. O erro é de contradição e generalização.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa afirma que o autor reforça "as limitações de uma doutrina econômica que vê na medição do PIB um valor absoluto que orienta as ações políticas dos governos democráticos". Isso é exatamente o que o texto faz. A frase final "O PIB, em suma, mede o valor monetário dos bens e serviços que transitam pelo sistema de preços - e nada mais" restringe o alcance do PIB, mostrando sua limitação. E essa limitação é usada para criticar a "idolatria" descrita no início: "O culto do PIB como métrica de sucesso das nações tornou-se uma espécie de religião do nosso tempo". A alternativa parafraseia fielmente a tese do autor, sem acrescentar nada de fora. É a única que se sustenta inteiramente no texto.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que o autor reforça "o paradoxo explicitado no fato de as pessoas terem empobrecido ao passo que o PIB total e o PIB per capita subiram". Esse paradoxo está no texto: "as pessoas empobreceram, ao passo que o PIB total e o PIB per capita subiram". Porém, a frase final do autor não reforça especificamente esse paradoxo; ela reforça a limitação geral do PIB. O paradoxo é um dos exemplos que sustentam a tese, mas não é a tese em si. A alternativa restringe o alcance da frase final, focando em um exemplo específico em vez da conclusão geral. O erro é de restrição.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que o autor reforça "a necessidade de que todos trabalhem um pouco mais para aquecer o mercado e promover o crescimento econômico". Isso é o oposto do que o texto diz. O autor usa o exemplo do trabalho para mostrar como o PIB pode subir sem que as pessoas melhorem de vida: "Se eu gosto do que faço, embora ganhando menos do que poderia, e passo a trabalhar sem a menor alegria para um mundo caduco, mas recebendo um aumento por isso, o PIB sobe". O autor não defende que todos trabalhem mais; ele critica a ideia de que o crescimento do PIB é sempre bom. A alternativa contradiz o texto e ainda extrapola ao sugerir uma necessidade que o autor não menciona. O erro é de contradição e extrapolação.

NÃO CAIA NESSA!

A banca monta distratores que parecem plausíveis porque usam palavras do texto, mas introduzem uma ideia que o autor não defende. A alternativa E é a mais traiçoeira: inverte completamente a posição do autor, fazendo parecer que ele defende o crescimento econômico quando na verdade o critica.

PEGA ESSA DICA!

Ao responder questões de "o autor reforça", pergunte-se: qual é a tese do texto? A frase final geralmente conclui a tese, não um exemplo isolado. Identifique a tese primeiro e depois teste cada alternativa contra ela.

Gabarito: letra C — a única alternativa que se sustenta inteiramente no texto, sem extrapolar, restringir ou contradizer a tese do autor.

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