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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — FCC 2024

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
fc146728
Banca
FCC
Órgão
TJ AL
Ano
2024
Cargo
TJ ( )

A idolatria do PIB. - O PIB é invenção recente. A ideia de medir a variação do valor monetário dos bens e serviços produzidos a cada ano surgiu no período entreguerras, mas foi só em meados do século passado que os órgãos oficiais passaram a calcular e publicar dados de PIB para os diferentes países. Nenhum dos grandes economistas clássicos - Smith, Ricardo, Malthus, Marx ou Mill - jamais foi instado a prever o PIB do ano ou trimestre seguintes. O culto do PIB como métrica de sucesso das nações tornou-se uma espécie de religião do nosso tempo. O crescimento é a meta suprema em nome da qual governos são eleitos ou rejeitados nas urnas, e um antropólogo marciano poderia supor que o acrônimo PIB nomeia a nossa divindade-mor na vida pública, enquanto o afã de consumo preenche o vazio da existência na esfera privada. - Mas o que exatamente está sendo medido? Imagine uma comunidade na qual a água potável é um bem livre e desfrutado por todos com a mesma facilidade com que obtemos o ar que respiramos; suponha, no entanto, que as fontes de água foram poluídas e agora se tornou necessário purificá-la, engarrafá-la e distribuí-la, de modo que todos precisam trabalhar um pouco mais a fim de comprá-la no mercado - o que acontece com o PIB dessa comunidade? O erro não é de magnitude, mas de sinal: as pessoas empobreceram, ao passo que o PIB total e o PIB per capita subiram. Daí que: se eu moro perto do meu local de trabalho e posso caminhar até ele, o PIB nada registra; mas, se preciso tomar uma condução e pagar o bilhete (sem falar no tempo encarcerado no trânsito), ele sobe. Se eu gosto do que faço, embora ganhando menos do que poderia, e passo a trabalhar sem a menor alegria para um mundo caduco, mas recebendo um aumento por isso, o PIB sobe. O PIB, em suma, mede o valor monetário dos bens e serviços que transitam pelo sistema de preços - e nada mais. E, quando se tornar inevitável portar garrafinhas de oxigênio na cintura a fim de seguir respirando, o PIB subirá de novo.

(GIANNETTI, Eduardo. Trópicos utópicos: uma perspectiva brasileira da crise civilizatória. São Paulo: Companhia das Letras. 2016. pp. 51-52)

Leia o texto abaixo para responder à questão.

 

Leia, atentamente, o trecho da canção Pois é, pra quê? (Sidney Miller):

O Imposto, a conta, o bazar barato / O relógio aponta o momento exato / Da morte Incerta, a gravata enforca / O sapato aperta, o país exporta / E na minha porta ninguém quer ver/ Uma sombra morta, pois é, pra quê?

O trecho de "A idolatria do PIB" que confirma a crítica expressa na canção "Pois é, pra quê?" é:

  1. ANenhum dos grandes economistas clássicos - Smith, Ricardo, Malthus, Marx ou Mill - jamais foi instado a prever o PIB do ano ou trimestre seguintes. O culto do PIB como métrica de sucesso das nações tomou .. se uma espécie de religião do nosso tempo.
  2. BSe eu gosto do que faço, embora ganhando menos do que poderia, e passo a trabalhar sem a menor alegria para um mundo caduco, mas recebendo um aumento por isso, o PIB sobe. O PIB, em suma, mede o valor monetário dos bens e serviços que transitam pelo sistema de preços e nada mais.
  3. CE, quando se tornar inevitável portar garrafinhas de oxigênio na cintura a fim de seguir respirando, o PIB subirá de novo.
  4. DO crescimento é a meta suprema em nome da qual governos são eleitos ou rejeitados nas umas, e um antropólogo marciano poderia supor que o acrônimo PIB nomeia a nossa divindade-mor na vida pública.
  5. EO erro não é de magnitude, mas de sinal: as pessoas empobreceram, ao passo que o PIB total e o PIB per capita subiram.
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GabaritoB — Se eu gosto do que faço, embora ganhando menos do que poderia, e passo a trabalhar sem a menor alegria para um mundo caduco, mas recebendo um aumento por isso, o PIB sobe. O PIB, em suma, mede o valor monetário dos bens e serviços que transitam pelo sistema de preços e nada mais.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

A crítica à idolatria do PIB: o que a canção e o texto têm em comum

Gabarito: letra B. A alternativa B é a única que confirma a crítica expressa na canção "Pois é, pra quê?", pois ambas denunciam a inversão de valores em que o sofrimento humano e a perda de qualidade de vida são contabilizados como crescimento econômico. A canção critica a mecanização da vida ("a gravata enforca", "o sapato aperta") e a indiferença social ("na minha porta ninguém quer ver"), enquanto o texto de Giannetti mostra exatamente o mesmo paradoxo: "Se eu gosto do que faço, embora ganhando menos do que poderia, e passo a trabalhar sem a menor alegria para um mundo caduco, mas recebendo um aumento por isso, o PIB sobe".

O comando da questão pede que se identifique o trecho do texto que confirma a crítica da canção. Isso não é uma questão de compreensão literal, mas de interpretação e síntese: é preciso captar a tese central de ambos os textos e encontrar o ponto de convergência. A canção de Sidney Miller é uma crítica ácida à vida moderna — impostos, contas, trabalho alienante, morte incerta, indiferença —, e o texto de Giannetti critica justamente a idolatria do PIB, mostrando que ele mede apenas o que "transita pelo sistema de preços", ignorando o bem-estar real das pessoas.

A técnica para resolver é: identificar a tese de cada texto e buscar a interseção. A canção critica a vida mecanizada e a falta de sentido; o texto critica a métrica que celebra o sofrimento como progresso. A alternativa correta é aquela que une esses dois fios: o trabalho sem alegria, a perda de qualidade de vida, e ainda assim o PIB subindo. As demais alternativas ou tratam de aspectos periféricos do texto, ou não estabelecem a mesma crítica.

Vamos analisar cada alternativa à luz do texto e da canção.

Alternativa A — ❌ Incorreta

A alternativa A menciona que os economistas clássicos nunca previram o PIB e que o culto ao PIB virou religião. Isso é verdade no texto, mas não confirma a crítica da canção. A canção fala do sofrimento cotidiano (imposto, conta, gravata enforcando, sapato apertando) e da indiferença social. A alternativa A fala da origem histórica do PIB e da sua sacralização, mas não aborda a perda de qualidade de vida que a canção denuncia. É uma crítica ao PIB, mas não a mesma crítica. Erro: tangenciar o tema — fala de algo relacionado, mas não do que a canção critica.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa B é a única que confirma a crítica da canção. O trecho do texto diz:

"Se eu gosto do que faço, embora ganhando menos do que poderia, e passo a trabalhar sem a menor alegria para um mundo caduco, mas recebendo um aumento por isso, o PIB sobe."

Aqui, o autor mostra que o PIB aumenta mesmo quando a pessoa perde a alegria no trabalho — exatamente o que a canção critica: a vida mecanizada, o trabalho sem sentido ("a gravata enforca", "o sapato aperta"). A canção fala de uma vida sufocante, e o texto mostra que o PIB celebra esse sofrimento. É a mesma crítica: o PIB mede o dinheiro, não o bem-estar. A alternativa B é a única que une o sofrimento humano ao aumento do PIB.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa C fala das garrafinhas de oxigênio: "quando se tornar inevitável portar garrafinhas de oxigênio na cintura a fim de seguir respirando, o PIB subirá de novo". Isso também é uma crítica ao PIB (mostra que ele sobe com a poluição), mas não é a mesma crítica da canção. A canção fala do cotidiano urbano, do trabalho, da morte, da indiferença — não da poluição do ar. A alternativa C é uma extrapolação: acrescenta um tema (poluição) que não está na canção. Erro: extrapolar — vai além do que a canção aborda.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A alternativa D fala do "crescimento como meta suprema" e do "antropólogo marciano" que veria o PIB como divindade. Isso é uma crítica à idolatria do PIB, mas não à mecanização da vida que a canção critica. A canção fala do sofrimento individual (imposto, conta, gravata, sapato), não da política ou da religião do crescimento. A alternativa D é uma generalização: trata do culto ao PIB em nível macro, mas não do impacto na vida das pessoas. Erro: generalizar — não capta a crítica específica da canção.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A alternativa E fala do erro de sinal: "as pessoas empobreceram, ao passo que o PIB total e o PIB per capita subiram". Isso é uma crítica ao PIB, mas não à perda de alegria ou ao sofrimento cotidiano que a canção denuncia. A canção fala de opressão (imposto, gravata, sapato), não de pobreza material. A alternativa E é uma tangência: aborda a crítica ao PIB, mas não a mesma crítica da canção. Erro: tangenciar — não é a mesma crítica.

NÃO CAIA NESSA!

A banca oferece várias críticas ao PIB, mas só uma é a mesma da canção. A canção critica a perda de sentido da vida (trabalho sem alegria, opressão cotidiana), e o texto de Giannetti mostra exatamente isso no trecho da alternativa B. As outras alternativas criticam o PIB por outros ângulos (histórico, político, ecológico, econômico), mas não o ângulo existencial.

PEGA ESSA DICA!

Para questões de "confirma a crítica", identifique primeiro a tese da canção (o que ela critica) e depois procure no texto o trecho que repete essa tese com outras palavras. Não basta que o trecho critique o PIB; ele precisa criticar o mesmo aspecto que a canção.

Conclusão: a alternativa B é a única que confirma a crítica da canção, pois mostra o PIB subindo enquanto a pessoa perde a alegria de viver — exatamente o que a canção denuncia. As demais alternativas criticam o PIB, mas por outros ângulos, não o existencial.

Gabarito: letra B

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