Questão de Português — Concordância (Verbal e Nominal) — FCC 2024
Português›Concordância (Verbal e Nominal)
Código
fc146787
Banca
FCC
Órgão
TRT 7
Ano
2024
Cargo
AJ TRT7
Para responder a questão, baseie-se no texto abaixo.
História de uma praça
Numa crônica antiga, intitulada “A rotina e a quimera”, Carlos Drummond de Andrade considerava o fato de que grandes escritores brasileiros, a começar por Machado de Assis, eram também funcionários públicos. Na lista numerosa, Drummond não incluiu a si mesmo, funcionário que foi de mais de um órgão público. A “rotina” do funcionário, outrora cercado de blocos de papéis, lápis e canetas, muitas vezes levava-o à “quimera”, ao universo da ficção e à imaginação criativa.
Mas há também funcionários cuja quimera é, na verdade, a pesquisa histórica. Valem-se de seu talento e de sua disposição para investigar a origem de nomes, de lugares, de fatos primordiais. Foi o que aconteceu, por exemplo, com Eliézer Rodrigues, veterano assessor de imprensa da Justiça do Trabalho do Ceará. Dedicou-se a pesquisar dados e a escrever um livro — “Praça José de Alencar - Tempos e viventes”. Já de si, o título indica o âmbito do livro.
O jornalista escritor resgata os primórdios dessa praça de Fortaleza, quando ainda se chamava Praça do Patrocínio, e aborda os principais acontecimentos que envolveram as edificações e pessoas que já habitaram seu entorno. O prédio da Fênix Caixeiral, a Igreja do Patrocínio, a Escola de Comércio, o Centro Médico, o Instituto de Patrimônio Histórico, o Lord Hotel, o INSS, a Associação Cearense de imprensa e a 1ª Junta de Conciliação e Julgamento de Fortaleza são algumas das instituições retratadas na obra.
É importante haver cronistas desse porte para que a história de um lugar e de seus personagens se mantenha viva. Políticos, militares, empresários, intelectuais, artistas, músicos, juristas, celebridades, médicos, comerciantes e cidadãos comuns são alguns dos personagens reais que envolvem as tramas retratadas. Até mesmo uma cigana e um fantasma protagonizam causos curiosos.
Vê-se que a “quimera” desse escritor cearense está ancorada em impressões, fatos e pessoas que ele não quis deixar esquecer. É mais que um momento da rotina: é um momento da memória pessoal e social dedicado ao lugar de afeto e de interesse público, a que dá a força de uma permanência temporal.
(SÁ, Herculano Perez de. Com apoio na página eletrônica https://www.trt7.jus.br. Adaptado)
Toda forma verbal concorda com seu sujeito em:
AMuitas vezes couberam a alguns funcionários públicos ocuparem os intervalos de seu tempo com a criação literária.
BCercavam-se de papéis, lápis e canetas quem, nos escritórios, viam nesses instrumentos estímulos para a literatura.
CFoi para resgatarem os primórdios daquela praça que o funcionário do tribunal lançou-se às pesquisas que leve tanto empenho seu.
DÉ preciso que haja cronistas empenhados na reconstituição de fatos históricos que, sem seu trabalho, se apagariam no tempo.
EImportam muito que os pesquisadores se empenhem na reconstituição de histórias que com tanta frequência se perde no esquecimento.
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GabaritoD — É preciso que haja cronistas empenhados na reconstituição de fatos históricos que, sem seu trabalho, se apagariam no tempo.
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Concordância verbal: o verbo e seu sujeito em harmonia
Gabarito: letra D. A única frase em que toda forma verbal concorda corretamente com seu sujeito é a D, porque nela o verbo haver é impessoal (fica no singular, sem sujeito) e o verbo apagariam concorda com o pronome relativo que, cujo antecedente é fatos históricos (plural). Como se lê no texto-base: "É preciso que haja cronistas empenhados na reconstituição de fatos históricos que, sem seu trabalho, se apagariam no tempo" — aí, haja está no singular por ser impessoal, e apagariam no plural porque retoma fatos históricos. As demais alternativas apresentam desvios de concordância, como veremos.
O comando e o método
A questão pede que você verifique a concordância verbal em cada frase: o verbo deve flexionar em pessoa e número de acordo com o núcleo do sujeito. O comando é direto: "Toda forma verbal concorda com seu sujeito em:" — ou seja, você deve analisar cada oração e identificar se há algum erro de concordância. A técnica é sempre a mesma: achar o verbo, perguntar "quem?" ou "o quê?" antes dele, e conferir se a flexão bate com o núcleo do sujeito. Cuidado com sujeitos distantes, orações intercaladas e verbos impessoais, que não têm sujeito.
O texto e a resposta
O texto fala de cronistas que resgatam a memória de lugares e pessoas. A alternativa D aproveita exatamente a passagem do 4º parágrafo: "É importante haver cronistas desse porte para que a história de um lugar e de seus personagens se mantenha viva". Nessa frase, o verbo haver é impessoal (sentido de existir), por isso fica no singular — haja — mesmo vindo antes de "cronistas" (plural). Já o verbo apagariam concorda com o pronome relativo que, que retoma fatos históricos (plural). É a única alternativa em que todos os verbos estão corretamente flexionados.
A regra que decide
Concordância verbal é a correspondência de flexão (pessoa e número) entre o verbo e o núcleo do sujeito. Quando o sujeito é simples, o verbo concorda com ele. Mas há casos especiais:
Verbo impessoal "haver": quando indica existência, não tem sujeito e fica sempre no singular. Ex.: Há muitos livros na estante (não "Hão").
Sujeito oracional: quando o sujeito é uma oração subordinada substantiva, o verbo da oração principal fica na 3ª pessoa do singular. Ex.: É preciso que todos estudem (o sujeito de "é" é a oração "que todos estudem").
Pronome relativo "que": o verbo concorda com o antecedente do pronome. Ex.: Fui eu que fiz (concorda com "eu").
Partícula "se": se for apassivadora, o verbo concorda com o sujeito paciente; se for indeterminadora do sujeito, fica no singular.
A banca adora distanciar o sujeito do verbo ou usar verbos impessoais para confundir. A dica é: sublinhe o verbo, procure o sujeito (quem pratica a ação) e confira a flexão.
Análise das alternativas
Concordância verbal: Sujeito simples (Verbo concorda com o núcleo); Sujeito oracional (Verbo na 3ª pessoa do singular); Verbo "haver" impessoal (Sem sujeito, sempre singular); Pronome relativo "que" (Verbo concorda com o antecedente); Partícula "se" (Apassivadora: concorda com o sujeito paciente, Indeterminadora: fica no singular)
Alternativa A — ❌ Incorreta
"Muitas vezes couberam a alguns funcionários públicos ocuparem os intervalos de seu tempo com a criação literária."
O verbo couberam está no plural, mas o sujeito é a oração "ocuparem os intervalos..." — sujeito oracional. Quando o sujeito é uma oração, o verbo fica na 3ª pessoa do singular: coube. O correto seria: Muitas vezes coube a alguns funcionários públicos ocuparem.... Erro: concordância com sujeito oracional (o verbo deveria ficar no singular).
Alternativa B — ❌ Incorreta
"Cercavam-se de papéis, lápis e canetas quem, nos escritórios, viam nesses instrumentos estímulos para a literatura."
Aqui há dois problemas. Primeiro, "Cercavam-se" — o "se" é apassivador, e o sujeito paciente é "quem" (pronome relativo sem antecedente claro), que pede verbo no singular: cercava-se. Segundo, "viam" concorda com "quem", mas "quem" é singular, então o correto seria via. A frase está com dupla falha de concordância. Erro: concordância com pronome relativo "quem" (verbo no singular).
Alternativa C — ❌ Incorreta
"Foi para resgatarem os primórdios daquela praça que o funcionário do tribunal lançou-se às pesquisas que leve tanto empenho seu."
O verbo leve está no singular, mas o pronome relativo que retoma pesquisas (plural). O correto seria levam. Além disso, "resgatarem" está no plural, mas o sujeito é o funcionário (singular) — o correto seria resgatar. Há dois desvios. Erro: concordância com pronome relativo "que" (verbo deveria concordar com o antecedente plural).
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
"É preciso que haja cronistas empenhados na reconstituição de fatos históricos que, sem seu trabalho, se apagariam no tempo."
"É preciso": o sujeito é a oração "que haja cronistas..." — sujeito oracional, verbo no singular. Correto.
"haja": verbo haver impessoal (existir), sem sujeito, sempre no singular. Correto.
"apagariam": concorda com o pronome relativo que, cujo antecedente é fatos históricos (plural). Correto.
Todas as formas verbais estão em perfeita concordância com seus sujeitos. É a única alternativa sem desvio.
Alternativa E — ❌ Incorreta
"Importam muito que os pesquisadores se empenhem na reconstituição de histórias que com tanta frequência se perde no esquecimento."
O verbo Importam está no plural, mas o sujeito é a oração "que os pesquisadores se empenhem..." — sujeito oracional, então o correto é Importa. Além disso, "se perde" — o "se" é apassivador, e o sujeito paciente é histórias (plural), então o correto é se perdem. Há dois desvios. Erro: concordância com sujeito oracional e com partícula apassivadora (verbo deveria concordar com o sujeito paciente).
Conclusão
A alternativa D é a única em que toda forma verbal concorda com seu sujeito. As demais erram ao usar o plural com sujeito oracional (A, E), ao não concordar com o pronome relativo (B, C) ou ao ignorar a impessoalidade do verbo "haver" (D é a única que acerta).
PEGA ESSA DICA!
Ao resolver questões de concordância, sublinhe cada verbo e pergunte "quem?" antes dele. Se a resposta for uma oração, o verbo fica no singular. Se for um pronome relativo, veja o antecedente. E lembre: "haver" no sentido de existir não tem sujeito — fica sempre no singular.