Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — FCC 2024
- Código
- fc146818
- Banca
- FCC
- Órgão
- TRT 7
- Ano
- 2024
- Cargo
- TJ TRT7
Para responder a questão, baseie-se no texto abaixo.
Um diálogo instrutivo
Muitos entusiastas da Inteligência Artificial (IA) continuam a insistir na venda da utopia de que as máquinas digitais não só serão capazes de simular a inteligência humana como, eventualmente, poderão superar a todos nós no nosso próprio jogo, o jogo de pensar, se comportar e viver como seres humanos. Costumo, nas minhas aulas, utilizar um diálogo hipotético entre um neurocientista (N) é um pesquisador da área de inteligência artificial (PIA) para ilustrar o abismo que separa aqueles que, como eu, acreditam ser bem-vindo o uso da tecnologia para promover a melhoria da qualidade de vida das pessoas e aqueles que lrabalham apenas com o objetivo de concretizar uma distopia. Eis aqui um momento desse diálogo:
N — Como você programaria o conceito de beleza em uma máquina da IA?
PIA — Defina um conceito de beleza para mim e eu posso programá-lo.
N - Esse é o problema central. Eu não posso definir beleza — você também não pode, tampouco outro ser humano que jamais viveu e experimentou a sensação de deparar-se com a beleza.
PIA — Se você não pode defini-la de forma precisa, não posso programá-la, ela simplesmente não interessa. Ela não existe. E, como cientista computacional, não me importo com ela.
N — A sua mãe ou sua filha são bonitas?
PIA — Sim, elas são.
No — E você pode definir por quê?
PlA — Não, eu não posso. Não posso programar a minha experiência subjetiva e pessoal no meu computador. Portanto, ela não existe nem significa nada do ponto de vista científico.
No — Isso quer dizer que como você não pode quantificar a sensação de encontrar uma face bela, essa sensação é irrelevante?
PIA — Basicamente, sim! Você entendeu o meu ponto de vista.
Assustador como esse diálogo pode soar, quando milhões de pessoas vivendo nestes tempos modemos já decidiram que qualquer coisa que uma máquina não possa fazer é irrelevante para a humanidade.
(Adaptado de NICOLELIS, Miguel. O verdadeiro criador de tudo. São Paulo: Planeta, 2020, p. 1563-164)
- Ainsustentável para ambos, uma vez que reconhecem não haver como definir beleza natural ou beleza artificial.
- Bintrigante para ambos, embora o pesquisador aceite o mistério do que é belo com maior naturalidade do que o neurocienlista.
- Cirrelevante para ambos, uma vez que a experiência estética é aceita como uma vivência menor no âmbito da ciência humana.
- Dindefinível para ambos, mas divergem frontalmente quanto à importância e à relevância da experiência do que é belo.
- Einequívoco para ambos, mantendo-se o neurologista mais cauteloso em sua definição do que o pesquisador.