Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — FCC 2024
Português›Interpretação de Textos (Compreensão)
Código
fc146821
Banca
FCC
Órgão
TRT 7
Ano
2024
Cargo
TJ TRT7
Para responder a questão, baseie-se no texto abaixo.
O cantar de um hino
Já na origem grega da palavra hino (húmnos) está à sentido de canto, de cantar. Também se diz que “canta sua lerra” quem decide homenageá-la. Um hino é a homenagem que se presta à energia da natureza de um lugar, aos seus habitantes mais empenhados, à sua origem histórica, à sua vocação política. Nenhum desses compromissos falta ao Hino de Fortaleza, cujas palavras compós o escritor cearense Gustavo Barroso (1885-1959).
A natureza comparece no “emplumado e virente coqueiro”, nas “areias de prata”, na “manhã cristalina”; jangadas e jangadeiros são icones locais que nos ocorrem imediatamente; um nome como lracema, da tabajara “com alma de virgem”, acusa a presença forte dos povos originais; e a menção aos “escravos partindo os grilhões” é uma celebração da resistência do cativo.
A um hino não costuma faltar um refrão — lugar onde a poesia se condensa e se repete ritualmente, que costuma ter grande efeito numa interpretação coral. O refrão escolhido pelo poeta desse hino invoca o nome querido e reiterado, a natureza luminosa e o compromisso afetivo dos filhos do lugar, ainda quando distantes: “Fortaleza! Fortaleza! / Irmã do Sol e do mar“ Fortaleza! Fortaleza!” Sempre havemos de te amar”. Todos esses atributos, insiste o poeta, trarão de volta quem do lugar amado se afaste, pois tais encantos “Não se apagam no seu coração” — como diz o verso que arremata a homenagem prestada a Fortaleza com o hino de um filho seu.
(Justiniano Almeida Cunha, inédito)
Analisando-se a relação existente entre parágrafos do texto, observa-se que
Ao 3º parágrafo exalta detalhadamente a brava resistência referida no 2º parágrafo.
Bo 3º parágrafo relativiza a concepção de hino desenvolvida nos dois primeiros parágrafos.
Co 2º parágrafo exemplifica de modo particular os atributos de um hino nomeado no 1º parágrafo.
Do 1º e o 2º parágrafos articulam-se para melhor ressaltar a característica técnica do refrão.
Eo 2º e o 3º parágrafos divergem quanto à importância histórica dos povos oprimidos.
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GabaritoC — o 2º parágrafo exemplifica de modo particular os atributos de um hino nomeado no 1º parágrafo.
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Relação entre parágrafos: o 2º parágrafo como exemplificação do 1º
Gabarito: letra C. O 2º parágrafo do texto exemplifica de modo particular os atributos de um hino nomeados no 1º parágrafo. O 1º parágrafo define o que é um hino — "homenagem que se presta à energia da natureza de um lugar, aos seus habitantes mais empenhados, à sua origem histórica, à sua vocação política" — e o 2º parágrafo concretiza cada um desses atributos com elementos específicos do Hino de Fortaleza, como se lê em "A natureza comparece no 'emplumado e virente coqueiro'...". A relação é de generalização (1º) → exemplificação (2º), não de oposição, relativização ou detalhamento de um único ponto.
O comando: o que a questão pede
O enunciado "Analisando-se a relação existente entre parágrafos do texto" pede uma análise da articulação entre as partes do texto — ou seja, como os parágrafos se conectam logicamente. Isso é diferente de uma questão de compreensão pontual ("o que o texto afirma") ou de inferência ("o que se deduz"). Aqui, a tarefa é identificar a função de cada parágrafo na estrutura argumentativa e a relação que estabelecem entre si. A resposta correta é a que descreve com precisão essa função, sem acrescentar nada que o texto não autorize.
O texto: a estrutura dos três parágrafos
O texto tem uma estrutura clara de apresentação → exemplificação → desenvolvimento do refrão:
1º parágrafo: define o conceito de hino e enumera seus atributos genéricos — "homenagem que se presta à energia da natureza de um lugar, aos seus habitantes mais empenhados, à sua origem histórica, à sua vocação política". Termina anunciando que o Hino de Fortaleza cumpre todos esses compromissos.
2º parágrafo: exemplifica cada atributo com elementos concretos do Hino de Fortaleza: a natureza ("emplumado e virente coqueiro", "areias de prata", "manhã cristalina"), os habitantes ("jangadas e jangadeiros"), a origem histórica ("Iracema, da tabajara") e a vocação política ("escravos partindo os grilhões").
3º parágrafo: trata do refrão, um elemento específico do hino, e cita seus versos.
A relação entre o 1º e o 2º parágrafo é de tese → exemplificação: o 1º apresenta a teoria geral do que é um hino; o 2º mostra como o Hino de Fortaleza concretiza essa teoria. É exatamente o que afirma a alternativa C.
A técnica: como testar cada alternativa
A pergunta-chave para cada alternativa é: o texto autoriza esta relação entre parágrafos, ou ela exige acrescentar algo que não está escrito? Teste cada uma:
A afirma que o 3º parágrafo "exalta detalhadamente a brava resistência" — mas o 3º parágrafo trata do refrão, não da resistência. A resistência é mencionada no 2º parágrafo ("escravos partindo os grilhões"), e o 3º não a retoma. Extrapolação.
B afirma que o 3º parágrafo "relativiza a concepção de hino" — mas o 3º parágrafo desenvolve a concepção, falando do refrão como parte natural de um hino ("A um hino não costuma faltar um refrão"). Não há relativização, e sim continuação. Contradiz o texto.
C afirma que o 2º parágrafo "exemplifica de modo particular os atributos de um hino nomeado no 1º parágrafo" — correta, como demonstrado acima.
D afirma que o 1º e o 2º parágrafos "articulam-se para ressaltar a característica técnica do refrão" — mas o refrão só aparece no 3º parágrafo. Os dois primeiros parágrafos não tratam do refrão. Tangencia o tema.
E afirma que o 2º e o 3º parágrafos "divergem quanto à importância histórica dos povos oprimidos" — mas o 3º parágrafo não menciona povos oprimidos; trata do refrão e do amor à cidade. Não há divergência porque não há comparação. Extrapolação.
11º: define hino (atributos)
22º: exemplifica com o Hino
33º: desenvolve o refrão
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Alternativa A — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que o 3º parágrafo "exalta detalhadamente a brava resistência referida no 2º parágrafo". O 2º parágrafo menciona a resistência em "a menção aos 'escravos partindo os grilhões' é uma celebração da resistência do cativo". No entanto, o 3º parágrafo não retoma esse tema: ele trata do refrão, citando os versos "Fortaleza! Fortaleza! / Irmã do Sol e do mar". A alternativa extrapola ao inventar uma relação de detalhamento que não existe no texto.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que o 3º parágrafo "relativiza a concepção de hino desenvolvida nos dois primeiros parágrafos". O 3º parágrafo, ao contrário, reforça a concepção: "A um hino não costuma faltar um refrão — lugar onde a poesia se condensa e se repete ritualmente". Isso não relativiza a definição do 1º parágrafo; apenas acrescenta um elemento (o refrão) que complementa a ideia de hino. A alternativa contradiz o texto ao inverter a relação de continuidade em oposição.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa afirma que o 2º parágrafo "exemplifica de modo particular os atributos de um hino nomeado no 1º parágrafo". O 1º parágrafo enumera os atributos genéricos:
"Um hino é a homenagem que se presta à energia da natureza de um lugar, aos seus habitantes mais empenhados, à sua origem histórica, à sua vocação política."
O 2º parágrafo concretiza cada um desses atributos com elementos do Hino de Fortaleza:
"A natureza comparece no 'emplumado e virente coqueiro', nas 'areias de prata', na 'manhã cristalina'; jangadas e jangadeiros são ícones locais...; um nome como Iracema, da tabajara...; e a menção aos 'escravos partindo os grilhões' é uma celebração da resistência do cativo."
A relação é de generalização → exemplificação: o 1º parágrafo apresenta a teoria; o 2º mostra como o Hino de Fortaleza a realiza. É exatamente o que a alternativa C descreve.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que o 1º e o 2º parágrafos "articulam-se para melhor ressaltar a característica técnica do refrão". O refrão é mencionado apenas no 3º parágrafo ("A um hino não costuma faltar um refrão"). Os dois primeiros parágrafos tratam da definição de hino e de sua exemplificação, sem qualquer menção ao refrão. A alternativa tangencia o tema ao introduzir um elemento que não faz parte da relação entre esses dois parágrafos.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que o 2º e o 3º parágrafos "divergem quanto à importância histórica dos povos oprimidos". O 2º parágrafo menciona a resistência dos escravos, mas o 3º parágrafo não aborda povos oprimidos — trata do refrão e do amor dos filhos de Fortaleza pela cidade. Não há divergência porque não há comparação entre os dois parágrafos sobre esse tema. A alternativa extrapola ao inventar um conflito que o texto não estabelece.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a extrapolação — oferece alternativas que parecem plausíveis (como a A, que mistura temas do 2º e 3º parágrafos) mas que exigem acrescentar informações que o texto não traz. A correta é a única que descreve com precisão a relação real entre os parágrafos.
PEGA ESSA DICA!
Ao analisar a relação entre parágrafos, identifique primeiro a função de cada um (definição, exemplificação, desenvolvimento, conclusão) e depois teste se a alternativa descreve essa função sem inventar conexões. Pergunte: "o texto mostra isso, ou eu estou imaginando?"
Gabarito: letra C — a única que descreve fielmente a relação de exemplificação entre o 1º e o 2º parágrafo, sem extrapolar, contradizer ou tangenciar o que o texto realmente diz.