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Questão de Português — Outras Questões de Português e Questões Mescladas (Interpretação de Textos ou Gramática) — FCC 2024

PortuguêsOutras Questões de Português e Questões Mescladas (Interpretação de Textos ou Gramática)
Código
fc146910
Banca
FCC
Órgão
PIAUÍPREV
Ano
2024
Cargo
Ana Prev ( )

"Fala, amendoeira"

 

Este oficio de rabiscar sobre as coisas do tempo exige que prestemos alguma atenção à natureza. Abrindo a janela, o cronista pousou a vista nas árvores, que estavam todas verdes, menos uma. Essa ostentava algumas folhas amarelas e outras já estriadas de vermelho, numa gradação fantasista que chegava mesmo até o marrom - cor final de decomposição, depois da qual as folhas caem. E como o cronista lhe perguntasse - fala, amendoeira! - por que fugia ao rito de suas irmãs, adotando vestes assim particulares, a árvore pareceu explicar-lhe:

 

- Não vês? Começo a outonear. É 21 de março, data que as folhinhas assinalam o equinócio de outono. Cumpro meu dever de árvore.

 

- E vais outoneando sozinha?

 

- Na medida do possível. Anda tudo muito desorganizado e, como deves notar, trago comigo um resto de verão, uma antecipação da primavera, e mesmo, se reparares bem neste ventinho que me fustiga, uma suspeita de inverno.

 

- Somos todos assim.

 

- Os homens, não. Em ti, por exemplo, o outono é manifesto e exclusivo. Acho-te bem outonal, meu filho, e teu trabalho é exatamente o que os autores chamam de outonada: silo frutos colhidos numa hora da vida que Já não é clara, mas ainda não se diluí em treva. Repara que o outono é mais estação da alma que da natureza.

 

- Não me entristeça.

 

- Não, querido, sou tua árvore da guarda e simbolizo teu outono pessoa/. Quero apenas que outonizes com paciência e doçura. O dardo de luz fere menos, a chuva dá ás frutas seu definitivo sabor. As folhas caem, é certo, e os cabelos também, mas há alguma coisa de gracioso em tudo isso: parábolas, ritmos, tons suaves ... Outoniza-te com dignidade, meu velho.

 

(Adaptado de: ANDRADE, Carlos Orummond. Fala, amendoeira. São Paulo: Companhia das Letras, 2012.. p. 13-14)

Atenção: Para responder à questão, baseie- se no texto abaixo.

 

É adequado o emprego do elemento sublinhado na frase:

  1. AEscrever crônicas é um ofício que seu cumprimento exige atenção à natureza.
  2. BA amendoeira onde seus encantos cativou o autor se tornou protagonista da crônica.
  3. CAs qualidades de que se revestia a amendoeira faziam-na uma árvore toda especial.
  4. DJá no título da crônica atribui-se naquela árvore a força de uma personificação.
  5. EÉ visível a compaixão com cuja a árvore se dirige àquele outro ser outonal.
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GabaritoC — As qualidades de que se revestia a amendoeira faziam-na uma árvore toda especial.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Emprego de pronomes relativos e regência: a adequação que o texto exige

Gabarito: letra C. A frase "As qualidades de que se revestia a amendoeira faziam-na uma árvore toda especial" é a única em que o pronome relativo que está corretamente empregado, pois o verbo revestir-se exige a preposição de (quem se reveste, reveste-se de algo). As demais alternativas apresentam erros de regência ou de emprego do pronome relativo, como se verá a seguir.

O comando pede que se avalie a adequação do emprego do elemento sublinhado — ou seja, o foco está na correção gramatical do pronome relativo e na regência que ele exige. Não se trata de interpretação de sentido, mas de análise sintática e semântica do uso dos pronomes relativos no contexto frasal.

No texto-base, a amendoeira é personificada e dialoga com o cronista, mas a questão não depende do conteúdo temático: ela testa se o candidato sabe qual pronome relativo é adequado e qual preposição é exigida pelo verbo ou nome antecedente. A técnica é verificar, para cada frase, se o pronome relativo retoma corretamente o antecedente e se a preposição (quando houver) é a exigida pela regência do termo regente.

A alternativa C é a correta porque:

"As qualidades de que se revestia a amendoeira faziam-na uma árvore toda especial."

O verbo revestir-se rege a preposição de (revestir-se de algo). O pronome relativo que é precedido da preposição de, formando de que, que é exatamente a regência exigida. Além disso, o pronome que retoma corretamente as qualidades (as qualidades das quais a amendoeira se revestia). A frase é gramaticalmente perfeita.

As demais alternativas apresentam erros:

Pronome relativo: análise
  • 1Retomada do antecedente
  • 2Regência exigida
  • 3Tipo de antecedente (lugar, pessoa, posse)
  • 4Erros comuns
    • Troca de pronome (que por cujo)
    • Onde para não-lugar
    • Regência verbal inadequada
    • Cujo com preposição indevida
  • 5Caso correto
    • Revestir-se de → "de que"
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Alternativa A — ❌ Incorreta

"Escrever crônicas é um ofício que seu cumprimento exige atenção à natureza."

O pronome relativo que está empregado de forma inadequada: ele deveria ser precedido da preposição cujo (ou de que), pois a relação é de posse: o cumprimento do ofício exige atenção. A frase correta seria "Escrever crônicas é um ofício cujo cumprimento exige atenção à natureza". O erro é de troca de pronome relativo (usou-se que em vez de cujo).

Alternativa B — ❌ Incorreta

"A amendoeira onde seus encantos cativou o autor se tornou protagonista da crônica."

O pronome relativo onde só pode ser usado para indicar lugar físico. A amendoeira é um ser (personificado), não um lugar. Além disso, há erro de concordância: "cativou" deveria concordar com "encantos" (cativaram). O erro é de emprego inadequado do pronome relativo (onde para não-lugar) e de concordância verbal.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Conforme explicado, a regência de revestir-se exige a preposição de, e o pronome que a recebe corretamente. A frase é a única gramaticalmente adequada.

Alternativa D — ❌ Incorreta

"Já no título da crônica atribui-se naquela árvore a força de uma personificação."

O verbo atribuir rege a preposição a (atribui-se a algo). A forma correta seria "atribui-se àquela árvore" (com crase, pois há a preposição a + o pronome demonstrativo aquela). O erro é de regência verbal (usou-se naquela em vez de àquela).

Alternativa E — ❌ Incorreta

"É visível a compaixão com cuja a árvore se dirige àquele outro ser outonal."

A locução com cuja é inadequada: o pronome cujo já indica posse e não deve ser precedido de preposição quando o verbo dirigir-se exige a preposição a (dirige-se a alguém). A forma correta seria "a compaixão com que a árvore se dirige" ou "a compaixão com a qual". O erro é de emprego inadequado do pronome relativo (cujo não admite preposição antes dele nesse contexto).

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre pronomes relativos e a regência exigida pelos verbos/nomes. A alternativa C é a única em que a preposição de está corretamente associada ao verbo revestir-se.

PEGA ESSA DICA!

Ao analisar frases com pronomes relativos, verifique sempre: 1) o pronome retoma corretamente o antecedente? 2) a preposição (se houver) é a exigida pela regência do termo regente? 3) o pronome é adequado ao tipo de antecedente (lugar, pessoa, posse)?

Gabarito: letra C.

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