Questão de Português — Reescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto. — FCC 2024
Português›Reescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto.
Código
fc146913
Banca
FCC
Órgão
PIAUÍPREV
Ano
2024
Cargo
Ana Prev ( )
"Que menino especula!"
Eu era um menino muito perguntador, como quase todas as crianças, e volta e meia tinha que ouvir de um adulto: - Mas você é especula, hein? E eu via logo que ser um menino "especula" não devia ser muito bonito. Nem por isso guardava minhas armas de perguntador: continuava a especular sobre tudo o que não entendia. Eu ainda não conhecia a réplica justa a quem me acusasse de especula: - Mas perguntar não ofende ...
Mais tarde tive a minha vingança. Aprendi que especular é investigar, pesquisar, refletir ... Aprendi mais: que os homens muito curiosos, de muito antigamente, olhavam os astros no céu pra ver se entendiam a formação de suas andanças no espaço, seus movimentos regulares. Não contando ainda com a sofisticação de telescópios, valiam-se os antigos de um espelho, um "speculum: que fixavam no chão apontado para o alto. Na superfície plana do espelho refletiam-se os astros iluminados no céu, e nela os astrônomos pioneiros iam marcando a posição e os movimentos dos corpos celestes. Era Isso o que também se entendia por especular: observar algo por meio do reflexo de um espelho. Os primeiros astrônomos foram grandes especulas.
Com o tempo, especulação passou a designar um processo mental abstrato, que formula hipóteses e elabora ideias. Pensamento especulativo, para muitos, é o princípio mesmo da inquirição filosófica.
Portanto, fui mesmo, e com muita honra, um menino especula, sim senhor. Como quase todas as crianças, estava Interessado em saber quanta coisa havia entre o céu e a terra que ia além da nossa filosofia, ou dos nossos olhos terrestres. Da minha maneira, acionava o espelho da minha curiosidade para saber mais coisas dos astros do céu, do tempo cósmico, do destino das esferas - coisas que mesmo um telescópio espacial está longe de conseguir esclarecer, para poder satisfazer os eternos meninos especulas.
(Alceblades Villanova, a editar)
Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto abaixo .
No último parágrafo, indica-se uma perfeita compreensão de um segmento textual em:
APortanto, fui mesmo, e com muita honra, um menino especula= Apesar do vexame, acabei me conformando com aquele deleito
Bquanta coisa havia entre o céu e a terra que ia além da nossa filosofia = tomava a filosofia como uma constatação do que havia no espaço
Cacionava o espelho da minha curiosidade para saber mais coisas = buscava explorar as camadas da minha própria imagem no espelho
Dcoisas que mesmo um telescópio espacial está longe de conseguir esclarecer= até onde um telescópio potente capte com máxima fidelidade
Epara poder satisfazer os eternos meninos especulas= de modo a corresponder à permanente curiosidade especulativa dos meninos
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoE — para poder satisfazer os eternos meninos especulas= de modo a corresponder à permanente curiosidade especulativa dos meninos
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Reescritura de segmento: a paráfrase que preserva o sentido
Gabarito: letra E. A alternativa E é a única que reescreve o trecho "para poder satisfazer os eternos meninos especulas" sem alterar o sentido: "de modo a corresponder à permanente curiosidade especulativa dos meninos" mantém a ideia de finalidade (para = de modo a) e de satisfazer a curiosidade (satisfazer = corresponder à curiosidade). As demais distorcem o sentido ao interpretar literalmente expressões metafóricas ou ao acrescentar ideias que o texto não autoriza.
O comando: o que a banca pede
A questão pede que você identifique qual alternativa apresenta uma reescritura fiel de um segmento do último parágrafo. Isso é uma questão de paráfrase: a alternativa deve manter o mesmo sentido do trecho original, apenas com outras palavras. Não se trata de interpretar além do texto, nem de acrescentar opiniões — trata-se de encontrar a equivalência semântica exata.
O texto: a tese do autor
O autor narra sua experiência de ser chamado de "menino especula" e, ao longo do texto, ressignifica a palavra: de algo pejorativo para algo positivo, ligado à curiosidade e à investigação. No último parágrafo, ele afirma com orgulho que foi um menino especula e que sua curiosidade o levava a querer saber "coisas que mesmo um telescópio espacial está longe de conseguir esclarecer". O trecho final "para poder satisfazer os eternos meninos especulas" expressa a finalidade de sua curiosidade: satisfazer a curiosidade permanente dos meninos curiosos.
A técnica: como testar cada alternativa
Para cada alternativa, pergunte: o texto autoriza essa reescritura? A reescritura deve preservar:
o sentido (não pode mudar a ideia central);
a relação lógica (causa, finalidade, oposição etc.);
o registro (não pode introduzir juízo de valor que não está no original).
A alternativa E faz exatamente isso: troca "para" por "de modo a" (mantém a finalidade), "satisfazer" por "corresponder à" (mantém a ideia de atender), e "eternos meninos especulas" por "permanente curiosidade especulativa dos meninos" (mantém a ideia de curiosidade duradoura). As demais falham em pelo menos um desses pontos.
Análise das alternativas
Reescritura fiel (paráfrase): Deve preservar (Sentido, Relação lógica, Registro); Erros comuns (Contradiz o texto (honra → vexame), Restringe o alcance, Literaliza metáfora (espelho), Inverte negação (não consegue → capta)); Técnica de teste (Trocar conectivo ("para" → "de modo a"), Verificar se o sentido permanece)
Alternativa A — ❌ Incorreta
"Portanto, fui mesmo, e com muita honra, um menino especula" = "Apesar do vexame, acabei me conformando com aquele deleito"
A alternativa A contradiz o texto. O autor diz "com muita honra", ou seja, com orgulho, não com vexame. A reescritura inverte o sentimento: troca honra por vexame e conformação. O texto afirma que ele foi "com muita honra", não que se conformou com um defeito. Erro: contradiz o texto (inverte o valor positivo em negativo).
Alternativa B — ❌ Incorreta
"quanta coisa havia entre o céu e a terra que ia além da nossa filosofia" = "tomava a filosofia como uma constatação do que havia no espaço"
A alternativa B restringe e distorce o sentido. O texto diz que havia coisas "além da nossa filosofia", ou seja, que a filosofia não dava conta de tudo. A reescritura diz que a filosofia era uma "constatação do que havia no espaço", o que é diferente: o texto não diz que a filosofia constatava o espaço, mas que havia coisas além dela. Erro: restringe o alcance (muda a relação entre filosofia e espaço).
Alternativa C — ❌ Incorreta
"acionava o espelho da minha curiosidade para saber mais coisas" = "buscava explorar as camadas da minha própria imagem no espelho"
A alternativa C interpreta literalmente a metáfora do espelho. No texto, "espelho da minha curiosidade" é uma metáfora: o autor usa o espelho como símbolo da reflexão/investigação, não como objeto físico. A reescritura entende "espelho" literalmente, como se ele explorasse a própria imagem. Erro: troca o sentido figurado pelo literal (extrapolação).
Alternativa D — ❌ Incorreta
"coisas que mesmo um telescópio espacial está longe de conseguir esclarecer" = "até onde um telescópio potente capte com máxima fidelidade"
A alternativa D inverte a ideia. O texto diz que o telescópio não consegue esclarecer certas coisas; a reescritura diz que um telescópio potente capta com máxima fidelidade — exatamente o oposto. Erro: contradiz o texto (inverte a negação).
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
"para poder satisfazer os eternos meninos especulas" = "de modo a corresponder à permanente curiosidade especulativa dos meninos"
A alternativa E preserva o sentido de finalidade ("para" = "de modo a") e o sentido de satisfazer ("satisfazer" = "corresponder à"). Além disso, "eternos meninos especulas" é reescrito como "permanente curiosidade especulativa dos meninos", mantendo a ideia de curiosidade duradoura. Não há acréscimo de opinião nem inversão de sentido.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre sentido literal e figurado. As alternativas C e D parecem plausíveis, mas C interpreta a metáfora do espelho literalmente, e D inverte a negação do telescópio. A correta é a única que mantém a relação lógica e o sentido figurado adequado.
PEGA ESSA DICA!
Ao reescrever, verifique sempre se a relação lógica (finalidade, causa, oposição) foi mantida. Troque "para" por "de modo a" e veja se o sentido continua o mesmo. Desconfie de alternativas que mudam o sentimento (honra → vexame) ou invertem negações (não consegue → capta).
Conclusão: a única reescritura que preserva integralmente o sentido do trecho é a letra E. As demais ou contradizem o texto, ou restringem o alcance, ou interpretam literalmente uma metáfora. Gabarito: letra E.