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Questão de Português — Correlação Verbal — FCC 2024

PortuguêsCorrelação Verbal
Código
fc146914
Banca
FCC
Órgão
PIAUÍPREV
Ano
2024
Cargo
Ana Prev ( )

"Que menino especula!"

 

Eu era um menino muito perguntador, como quase todas as crianças, e volta e meia tinha que ouvir de um adulto: - Mas você é especula, hein? E eu via logo que ser um menino "especula" não devia ser muito bonito. Nem por isso guardava minhas armas de perguntador: continuava a especular sobre tudo o que não entendia. Eu ainda não conhecia a réplica justa a quem me acusasse de especula: - Mas perguntar não ofende ...

 

Mais tarde tive a minha vingança. Aprendi que especular é investigar, pesquisar, refletir ... Aprendi mais: que os homens muito curiosos, de muito antigamente, olhavam os astros no céu pra ver se entendiam a formação de suas andanças no espaço, seus movimentos regulares. Não contando ainda com a sofisticação de telescópios, valiam-se os antigos de um espelho, um "speculum: que fixavam no chão apontado para o alto. Na superfície plana do espelho refletiam-se os astros iluminados no céu, e nela os astrônomos pioneiros iam marcando a posição e os movimentos dos corpos celestes. Era Isso o que também se entendia por especular: observar algo por meio do reflexo de um espelho. Os primeiros astrônomos foram grandes especulas.

 

Com o tempo, especulação passou a designar um processo mental abstrato, que formula hipóteses e elabora ideias. Pensamento especulativo, para muitos, é o princípio mesmo da inquirição filosófica.

 

Portanto, fui mesmo, e com muita honra, um menino especula, sim senhor. Como quase todas as crianças, estava Interessado em saber quanta coisa havia entre o céu e a terra que ia além da nossa filosofia, ou dos nossos olhos terrestres. Da minha maneira, acionava o espelho da minha curiosidade para saber mais coisas dos astros do céu, do tempo cósmico, do destino das esferas - coisas que mesmo um telescópio espacial está longe de conseguir esclarecer, para poder satisfazer os e temos meninos especulas.

 

(Alceblades Villanova, a editar)

Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto abaixo .

É plenamente adequada a correlação entre tempos e modos verbais na seguinte construção:

  1. AEu entendi que ser especula não devesse ser muito elogioso, sobretudo quando sou assim acusado.
  2. BOs homens mais curiosos analisavam os astros na esperança de que viessem a entender seus périplos no céu.
  3. COs antigos valiam-se de um espelho quando pretendam demarcar a posição e os movimentos dos astros.
  4. DEspecular passou a ser um processo que formulara hipóteses e ideias que instiguem a curiosidade humana.
  5. EEstou interessado em saber o que houvesse entre o céu e a terra, além do que ensinasse a nossa filosofia.
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GabaritoB — Os homens mais curiosos analisavam os astros na esperança de que viessem a entender seus périplos no céu.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Correlação verbal: a harmonia entre tempos e modos

Gabarito: letra B. A única construção em que a correlação entre tempos e modos verbais é plenamente adequada é a da alternativa B: "Os homens mais curiosos analisavam os astros na esperança de que viessem a entender seus périplos no céu." A harmonia se dá porque o pretérito imperfeito do indicativo (analisavam) combina-se com o futuro do pretérito do subjuntivo (viessem), formando a "dobradinha" clássica de hipótese no passado — exatamente o que o texto descreve ao narrar a ação dos antigos astrônomos. As demais alternativas quebram essa harmonia ao misturar tempos e modos incompatíveis, como se verá a seguir.

O comando pede que se avalie a correlação verbal, ou seja, a harmonia semântica entre os verbos de um período composto. Não se trata de interpretar o texto, mas de aplicar a regra gramatical ao conteúdo textual: cada alternativa reescreve uma passagem do texto, e é preciso verificar se os tempos e modos verbais escolhidos se complementam. A banca não cobra o sentido do texto em si, mas a adequação morfossintática das construções propostas.

No texto, o autor narra, no pretérito, a ação dos antigos astrônomos: "os homens muito curiosos, de muito antigamente, olhavam os astros no céu pra ver se entendiam a formação de suas andanças no espaço". A alternativa B parafraseia essa passagem, mantendo o verbo principal no pretérito imperfeito do indicativo (analisavam) e a oração subordinada no futuro do pretérito do subjuntivo (viessem). Essa combinação é uma das "dobradinhas" harmônicas previstas na norma culta: quando a oração principal está no pretérito, a subordinada pode vir no futuro do pretérito do subjuntivo para expressar uma possibilidade futura em relação ao passado. É o mesmo padrão de "Se eu pudesse, faria" — só que com o verbo da subordinada no subjuntivo.

A correlação verbal exige que os verbos de um período compartilhem a mesma noção temporal e o mesmo modo (ou modos compatíveis). O modo indicativo expressa certeza, fato; o subjuntivo expressa hipótese, dúvida, desejo. Misturar um verbo no presente do indicativo com outro no pretérito imperfeito do subjuntivo, por exemplo, cria um conflito: o presente indica atualidade, o pretérito indica passado ou irrealidade. A banca explora exatamente esse tipo de desarmonia, oferecendo combinações que parecem plausíveis, mas que não se sustentam semanticamente.

Para resolver a questão, o candidato deve, em cada alternativa, identificar o tempo e o modo de cada verbo e verificar se há uma relação lógica de anterioridade, simultaneidade ou posterioridade. A alternativa correta é a única em que essa relação é perfeita: o pretérito imperfeito do indicativo (analisavam) situa a ação no passado, e o futuro do pretérito do subjuntivo (viessem) expressa uma possibilidade futura em relação a esse passado — exatamente o que se espera de uma oração subordinada que indica finalidade ou expectativa.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a correlação verbal, oferecendo combinações de tempos e modos que não se harmonizam. A correta é a única que mantém a dobradinha clássica de hipótese no passado.

PEGA ESSA DICA!

Grife o comando: "correlação entre tempos e modos" pede que você verifique a harmonia entre os verbos, não o sentido do texto. Teste cada alternativa perguntando: os tempos e modos se complementam ou se contradizem?

1Harmonia modo-temporal
Mesma noção temporal
Modos compatíveis
2Dobradinha clássica
Pretérito imperfeito (indicativo)
Futuro do pretérito (subjuntivo)
3Exemplo
Analisavam → viessem
Correlação verbal
LEVELsoulevel.com.br
Correlação verbal: Harmonia modo-temporal (Mesma noção temporal, Modos compatíveis); Dobradinha clássica (Pretérito imperfeito (indicativo), Futuro do pretérito (subjuntivo)); Exemplo (Analisavam → viessem)

Alternativa A — ❌ Incorreta

A construção "Eu entendi que ser especula não devesse ser muito elogioso" mistura o pretérito perfeito do indicativo (entendi) com o pretérito imperfeito do subjuntivo (devesse). O verbo "entender" no pretérito perfeito indica um fato concluído, e a oração subordinada deveria vir no pretérito imperfeito do indicativo (devia) ou no pretérito mais-que-perfeito composto do subjuntivo (tivesse devido), mas não no pretérito imperfeito do subjuntivo, que expressa hipótese ou irrealidade. A combinação "entendi que devesse" é semanticamente incoerente: o fato de entender é certo, mas a qualidade de ser especula é tratada como hipótese. Erro: contradiz a harmonia modo-temporal.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A construção "Os homens mais curiosos analisavam os astros na esperança de que viessem a entender seus périplos no céu" apresenta a correlação perfeita: o verbo principal "analisavam" está no pretérito imperfeito do indicativo, e o verbo da oração subordinada "viessem" está no futuro do pretérito do subjuntivo. Essa combinação expressa uma possibilidade futura em relação a um passado, o que é exatamente o sentido pretendido: os antigos astrônomos analisavam os astros com a esperança de que, no futuro, viessem a entender seus movimentos. A harmonia é total, pois ambos os verbos compartilham a noção de passado e a ideia de possibilidade. Correta: a única que mantém a dobradinha clássica de hipótese no passado.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A construção "Os antigos valiam-se de um espelho quando pretendam demarcar a posição e os movimentos dos astros" apresenta um erro de conjugação: o verbo "pretendam" não existe na norma culta. O correto seria "pretendiam" (pretérito imperfeito do indicativo) ou "pretenderam" (pretérito perfeito do indicativo). Além disso, a combinação "valiam-se" (pretérito imperfeito) com "pretendam" (que, se existisse, seria presente do subjuntivo) seria incoerente, pois misturaria passado com presente. Erro: troca de vocábulo — conjugação inexistente e desarmonia temporal.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A construção "Especular passou a ser um processo que formulara hipóteses e ideias que instiguem a curiosidade humana" mistura o pretérito perfeito do indicativo (passou) com o pretérito mais-que-perfeito do indicativo (formulara) e o presente do subjuntivo (instiguem). O pretérito mais-que-perfeito indica um passado anterior a outro passado, mas não há outro passado na frase; o presente do subjuntivo indica uma possibilidade atual, o que conflita com o passado. A harmonia exigiria, por exemplo, "formulava" (pretérito imperfeito) e "instigavam" (pretérito imperfeito) ou "instiguem" (presente do subjuntivo) se a oração principal estivesse no presente. Erro: mistura de tempos incompatíveis — passado e presente.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A construção "Estou interessado em saber o que houvesse entre o céu e a terra, além do que ensinasse a nossa filosofia" mistura o presente do indicativo (estou) com o pretérito imperfeito do subjuntivo (houvesse, ensinasse). O presente indica atualidade, mas o pretérito do subjuntivo expressa hipótese ou irrealidade no passado. A combinação "estou interessado em saber o que houvesse" é incoerente: se estou interessado agora, o que quero saber é o que há (presente do indicativo) ou o que possa haver (presente do subjuntivo), não o que houvesse. Erro: mistura de presente com pretérito do subjuntivo.

Conclusão: a correlação verbal exige que os verbos de um período compartilhem a mesma noção temporal e o mesmo modo (ou modos compatíveis). A alternativa B é a única que mantém a harmonia, combinando o pretérito imperfeito do indicativo com o futuro do pretérito do subjuntivo. As demais alternativas quebram essa harmonia ao misturar tempos e modos incompatíveis. Gabarito: letra B.

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