Questão de Banco de Dados — Modelo Entidade-Relacionamento (MER) — FCC 2024
Banco de Dados›Modelo Entidade-Relacionamento (MER)
Código
fc147226
Banca
FCC
Órgão
SEAD PI
Ano
2024
Cargo
Ana Gov ( )
Um analista está desenvolvendo um modelo conceitual entidade relacionamento (MER) para o sistema de recursos humanos (RH) e observou que os funcionários informam os dados dos seus dependentes no departamento de RH com a finalidade ajuste do imposto de renda e, também, para incluí-los no plano médico oferecido pela Secretaria. Os dependentes recebem, então, um número sequencial de registro (NSR) vinculado à matrícula do funcionário nó órgão. O NSR é repetível para cada funcionário. Em um MER normalizado, a entidade que representa os dependentes em relação à entidade que representa os funcionários
Atem seus dados incluídos na entidade que representa os funcionários.
BÉ um auto-relacionamento.
Cé uma entidade associativa.
Dum relacionamento muitos para muitos.
Eé uma entidade fraca.
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoE — é uma entidade fraca.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Modelo Entidade-Relacionamento: entidade fraca e dependente
Gabarito: letra E. O dependente é uma entidade fraca porque sua existência depende da entidade FUNCIONARIO (entidade forte) e sua identificação é feita pela combinação da chave primária do funcionário (matrícula) com o NSR (número sequencial de registro), que é um discriminador parcial — exatamente o que o enunciado descreve ao afirmar que o NSR é repetível para cada funcionário. Essa é a definição clássica de entidade fraca em modelagem conceitual de dados.
O modelo entidade-relacionamento (MER) é um modelo conceitual de dados que representa, de forma abstrata e independente de tecnologia, as entidades (objetos do mundo real), seus atributos (características) e os relacionamentos entre elas. Dentro desse modelo, as entidades se classificam em fortes (ou independentes) e fracas (ou dependentes). Uma entidade forte possui existência própria e é identificada unicamente por seus próprios atributos — é o caso de FUNCIONARIO, identificado pela matrícula. Já uma entidade fraca não possui existência independente: ela depende de uma entidade forte (sua proprietária) para existir e, crucialmente, não pode ser identificada apenas por seus próprios atributos — precisa da chave primária da entidade forte combinada com um atributo discriminador (também chamado de chave parcial ou discriminador parcial).
No caso concreto, o dependente só existe se existir um funcionário ao qual ele esteja vinculado — sem funcionário, não há dependente. Além disso, o NSR (número sequencial de registro) é repetível para cada funcionário, ou seja, o NSR sozinho não identifica um dependente de forma única no banco; é preciso combinar o NSR com a matrícula do funcionário. Essa é a assinatura exata de uma entidade fraca: chave primária composta = chave primária da entidade forte + discriminador parcial. O relacionamento entre uma entidade fraca e sua entidade forte é chamado de relacionamento fraco (ou relacionamento de identificação), e a participação da entidade fraca nesse relacionamento é sempre total (obrigatória).
A distinção que importa aqui é entre entidade fraca e entidade associativa. A entidade associativa (ou entidade de relacionamento) surge quando um relacionamento N:M (muitos-para-muitos) precisa ser "elevado" à categoria de entidade para poder receber atributos próprios ou se relacionar com outras entidades — por exemplo, a entidade MATRICULA que surge do relacionamento N:M entre ALUNO e CURSO. Já a entidade fraca não decorre de um relacionamento N:M; ela decorre de uma dependência de existência e de identificação em relação a uma entidade forte, tipicamente em um relacionamento 1:N (um-para-muitos), como é o caso de FUNCIONARIO (1) para DEPENDENTE (N).
A pegadinha que a banca explora neste tema é justamente confundir entidade fraca com entidade associativa ou com relacionamento muitos-para-muitos. O candidato que vê "dependente" e "funcionário" pode pensar em um relacionamento N:M (um funcionário tem vários dependentes, e um dependente... bem, um dependente pertence a um único funcionário — não é N:M). Ou pode pensar em entidade associativa, que é um conceito de relacionamento N:M. A chave para acertar é identificar a dependência de existência e a identificação parcial: se a entidade não existe sem a outra e não se identifica sozinha, é entidade fraca. Guarde essa fronteira: entidade fraca = dependência de existência + identificação parcial; entidade associativa = relacionamento N:M transformado em entidade. É exatamente nessa fronteira que as alternativas se dividem.
Critério
Entidade Fraca (gabarito)
Entidade Associativa
Auto-relacionamento
Origem
Dependência de existência e identificação em relação a uma entidade forte
Relacionamento N:M elevado à categoria de entidade
Relacionamento de uma entidade consigo mesma
Cardinalidade típica
1:N (um funcionário para vários dependentes)
N:M (muitos-para-muitos)
1:N ou N:M (ex.: funcionário supervisiona funcionário)
Identificação
Chave primária composta = chave da entidade forte + discriminador parcial (ex.: matrícula + NSR)
Chave própria, independente das entidades originais
Chave própria da própria entidade
Existência
Dependente da entidade forte (não existe sem ela)
Independente (existe por si só)
Independente
Aplicação no caso
DEPENDENTE depende de FUNCIONARIO; NSR é repetível por funcionário
Não se aplica — relacionamento é 1:N, não N:M
Não se aplica — são duas entidades distintas
Alternativa A — ❌ Incorreta
Os dados dos dependentes não devem ser incluídos como atributos da entidade FUNCIONARIO. Isso violaria a atomicidade dos dados e criaria um atributo multivalorado (um funcionário pode ter vários dependentes), o que é inadequado em um modelo normalizado. A modelagem correta é criar uma entidade separada DEPENDENTE, relacionada a FUNCIONARIO. Incluir os dados do dependente dentro da entidade FUNCIONARIO seria uma modelagem incorreta, pois misturaria conceitos distintos e dificultaria a consulta e a manutenção dos dados.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Um auto-relacionamento (ou relacionamento recursivo) ocorre quando uma entidade se relaciona consigo mesma — por exemplo, a entidade FUNCIONARIO com um relacionamento SUPERVISIONA, onde um funcionário supervisiona outros funcionários. No caso do enunciado, temos duas entidades distintas: FUNCIONARIO e DEPENDENTE. Não há auto-relacionamento, pois o relacionamento POSSUI associa ocorrências de entidades diferentes.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A entidade associativa (ou entidade de relacionamento) é criada quando um relacionamento N:M (muitos-para-muitos) precisa ser tratado como uma entidade, para receber atributos próprios ou se relacionar com outras entidades. No caso do enunciado, o relacionamento entre FUNCIONARIO e DEPENDENTE é 1:N (um funcionário pode ter vários dependentes, mas cada dependente pertence a um único funcionário), e não N:M. Portanto, não há necessidade de uma entidade associativa. A entidade DEPENDENTE é uma entidade fraca, não uma entidade associativa.
Alternativa D — ❌ Incorreta
O relacionamento entre FUNCIONARIO e DEPENDENTE é 1:N (um-para-muitos), não muitos-para-muitos (N:M). Um funcionário pode ter vários dependentes, mas cada dependente está vinculado a um único funcionário (o enunciado deixa claro que o NSR é vinculado à matrícula do funcionário). Em um relacionamento N:M, um dependente poderia estar associado a vários funcionários, o que não é o caso. A cardinalidade 1:N é típica de relacionamentos entre entidade forte e entidade fraca.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A entidade DEPENDENTE é uma entidade fraca porque:
Dependência de existência: um dependente só existe se existir um funcionário ao qual ele esteja vinculado. Sem o funcionário, o dependente não faz sentido no contexto do sistema.
Identificação parcial: o NSR (número sequencial de registro) é repetível para cada funcionário, ou seja, o NSR sozinho não identifica um dependente de forma única. A identificação completa do dependente exige a combinação da matrícula do funcionário (chave primária da entidade forte) com o NSR (discriminador parcial).
Essas duas características — dependência de existência e identificação parcial — são exatamente o que define uma entidade fraca em um modelo entidade-relacionamento. O relacionamento entre FUNCIONARIO e DEPENDENTE é um relacionamento fraco (ou de identificação), e a participação de DEPENDENTE nesse relacionamento é total (obrigatória).
Gabarito: letra E — a entidade que representa os dependentes em relação à entidade que representa os funcionários é uma entidade fraca.