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Questão de Biologia — Geral — FCC 2025

BiologiaGeral
Código
fc147798
Banca
FCC
Órgão
CBM AP
Ano
2025
Cargo
Of ( )

Entrar subitamente em água abaixo de 15 °C provoca o “choque ao frio”: rápida hiperventilação e vasoconstrição periférica durante os primeiros minutos. Em seguida, instala-se o reflexo de mergulho, com apneia, bradicardia e desvio do fluxo sanguíneo para coração e cérebro, poupando O2. Quando a temperatura do corpo cai para 32 °C (hipotermia moderada), ocorrem profundas alterações na fisiologia cerebral. Esses mecanismos explicam por que vítimas resgatadas em água a 8 °C podem manter a consciência apesar da frequência cardíaca muito baixa.

(Disponível em: <https://revistaft.com.br/as-rospostas-iniciais-a-imorsao-em-agua-fria-om-homens>. Acesso em 03/08/25)

 

Em um resgate, bombeiros retiram um alpinista de uma cachoeira. Ele estava com grande parte do corpo imerso em água a 8 °C por cerca de 15 minutos. Os oficiais constataram que sua temperatura central era de 32 °C, com bradicardia marcada, e que estava consciente. O fator fisiológico que melhor explica a manutenção da função neurológica nessa situação é:

 

  1. Aa redução do metabolismo cerebral pelo reflexo de mergulho, que economiza O2.
  2. Ba vasodilatação da pele, favorecendo a perda de calor acumulado.
  3. Co aumento imediato da filtração renal, removendo toxinas do sangue.
  4. Da interrupção da liberação de glicose no sangue, o que mantém o cérebro ativo mesmo com o frio.
  5. Ea liberação de adrenalina, acelerando o coração e aumentando o fluxo cerebral.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — a redução do metabolismo cerebral pelo reflexo de mergulho, que economiza O2.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Fisiologia do mergulho e hipotermia: o reflexo que protege o cérebro

Gabarito: letra A. A manutenção da consciência em água a 8 °C, com temperatura central de 32 °C e bradicardia marcada, é explicada pelo reflexo de mergulho, que desvia o fluxo sanguíneo para coração e cérebro e reduz o metabolismo cerebral, economizando O₂ — exatamente o que a alternativa A descreve. As demais alternativas ou descrevem respostas fisiológicas opostas (vasodilatação, aceleração cardíaca) ou processos sem relação com a preservação neurológica no frio (filtração renal, liberação de glicose).

O reflexo de mergulho é uma resposta adaptativa presente em mamíferos, incluindo o ser humano, que se ativa quando a face entra em contato com água fria. Ele desencadeia uma tríade de respostas: apneia (suspensão da respiração), bradicardia (redução da frequência cardíaca) e vasoconstrição periférica (estreitamento dos vasos sanguíneos da pele e dos membros). O objetivo é redirecionar o sangue oxigenado para os órgãos mais nobres — coração e cérebro —, poupando o oxigênio disponível para as funções vitais. Esse mecanismo é o que permite que pessoas resgatadas de águas geladas sobrevivam por períodos surpreendentemente longos, mesmo com batimentos cardíacos muito lentos.

No caso do alpinista, a temperatura central de 32 °C caracteriza hipotermia moderada. Nessa faixa, o metabolismo cerebral é reduzido, o que diminui a demanda de oxigênio e de glicose pelo tecido nervoso. Essa redução do metabolismo é um mecanismo protetor: o cérebro "desacelera" para sobreviver com menos recursos. A bradicardia marcada, que em condições normais seria alarmante, aqui é parte da estratégia de conservação — o coração bombeia menos, mas o sangue que circula é direcionado prioritariamente ao cérebro. A consciência é mantida porque o cérebro, embora com atividade reduzida, ainda recebe oxigênio e glicose suficientes para suas funções essenciais.

A alternativa A captura precisamente esse mecanismo: a redução do metabolismo cerebral pelo reflexo de mergulho, que economiza O₂. É a combinação de dois fatores — o desvio do fluxo sanguíneo para o cérebro e a menor demanda metabólica — que explica a preservação da função neurológica. As demais alternativas falham por descrever respostas fisiológicas que não ocorrem nessa situação ou que seriam prejudiciais. A vasodilatação da pele (B) é o oposto da vasoconstrição periférica que ocorre no frio; o aumento da filtração renal (C) não tem relação com a proteção cerebral; a interrupção da liberação de glicose (D) seria catastrófica, pois o cérebro depende de glicose; e a liberação de adrenalina (E) aceleraria o coração, contrariando a bradicardia do reflexo de mergulho.

A pegadinha central desta questão é a inversão das respostas fisiológicas: o candidato pode associar o frio à liberação de adrenalina e à aceleração cardíaca (resposta de luta ou fuga), mas no mergulho em água fria o que predomina é o reflexo vagal, que desacelera o coração. Guarde a distinção: choque ao frio (hiperventilação, vasoconstrição, taquicardia inicial) é diferente de reflexo de mergulho (apneia, bradicardia, desvio de fluxo). É nessa fronteira que as alternativas se dividem.

  1. 1Choque ao friohiperventilação, vasoconstrição, taquicardia
  2. 2Reflexo de mergulhoapneia, bradicardia, desvio de fluxo
  3. 3Hipotermia moderada (32°C)metabolismo cerebral reduzido
  4. 4Preservação da consciênciamenor consumo, maior oferta de O2
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa descreve com precisão o mecanismo fisiológico que preserva a função neurológica: o reflexo de mergulho reduz o metabolismo cerebral, diminuindo a demanda de O₂, enquanto o desvio do fluxo sanguíneo para o cérebro garante o suprimento necessário. A combinação de menor consumo e maior oferta é o que mantém a consciência mesmo com bradicardia marcada e temperatura central de 32 °C.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A vasodilatação da pele é o oposto do que ocorre na imersão em água fria. O reflexo de mergulho e a resposta ao frio produzem vasoconstrição periférica, que reduz a perda de calor e direciona o sangue para os órgãos centrais. A vasodilatação aumentaria a perda de calor, agravando a hipotermia, e não contribuiria para a manutenção da função cerebral.

Alternativa C — ❌ Incorreta

O aumento da filtração renal não é um mecanismo de proteção cerebral no frio. A filtração renal está relacionada à excreção de resíduos e ao equilíbrio hidroeletrolítico, não à preservação do tecido nervoso. Não há evidência de que a imersão em água fria aumente a filtração renal como resposta adaptativa para manter a consciência.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A interrupção da liberação de glicose no sangue seria letal para o cérebro, que depende quase exclusivamente de glicose como fonte de energia. Na hipotermia, o metabolismo cerebral é reduzido, mas a glicose continua sendo essencial. A alternativa inverte o mecanismo: o que protege o cérebro é a redução da demanda metabólica, não a interrupção do suprimento de glicose.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A liberação de adrenalina acelera o coração (taquicardia), o que contraria a bradicardia característica do reflexo de mergulho. Embora a adrenalina possa aumentar o fluxo cerebral em algumas situações, no mergulho em água fria o que predomina é a ativação vagal, que desacelera o coração e redireciona o fluxo sanguíneo. A alternativa descreve a resposta de luta ou fuga, não o reflexo de mergulho.

A regra de ouro para questões de fisiologia do frio: identifique se a resposta descrita é a do choque ao frio (taquicardia, hiperventilação) ou a do reflexo de mergulho (bradicardia, apneia, vasoconstrição periférica). A preservação cerebral em água gelada depende do segundo, que reduz o metabolismo e prioriza o fluxo para coração e cérebro.

Gabarito: letra A

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