A Sociedade Brasileira de Salvamento Aquático (Sobrasa) criou uma classificação que divide o afogamento em seis graus de gravidade, ajudando os bombeiros a identificar rapidamente qual tratamento a vítima precisa. A presença de espuma nas vias aéreas é um sinal clínico fundamental para determinar a gravidade; no grau 2, por exemplo, observa-se pouca espuma na boca e nariz; no grau 3 há muita espuma com pulso radial presente (sinais de circulação periférica, quando avaliado por profissional treinado); e no grau 4 há muita espuma sem pulso radial. A espuma se forma pela aeração do líquido aspirado, rico em surfactante e proteínas, sendo frequentemente mais volumosa em afogamentos no mar pela estabilização da espuma por sais.
(Disponível em: https://fcbm.org/wp-content/uploads/2020/10/Manual-de-emergencias-aquaticas.pdf. Adaptado de Sobrasa – Manual de Afogamentos. Acesso em 04/08/2025)
Durante um salvamento aquático, um bombeiro encontra uma vítima com muita espuma nas vias aéreas e pulso radial presente (quando avaliado por profissional treinado), com ou sem rebaixamento de consciência. Segundo a classificação da Sobrasa, esta vítima apresenta afogamento grau 3. Considerando a fisiopatologia do afogamento, o processo celular diretamente comprometido nesta situação é:
Aa divisão celular no núcleo por interferência do líquido aspirado.
Ba respiração celular aeróbica devido à redução da oxigenação nos tecidos.
Ca síntese proteica no retículo endoplasmático rugoso por acúmulo de CO₂.
Do transporte ativo na membrana plasmática por desequilíbrio eletrolítico.
Ea digestão intracelular nos lisossomos devido à acidose respiratória.
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GabaritoB — a respiração celular aeróbica devido à redução da oxigenação nos tecidos.
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Fisiopatologia do afogamento: hipóxia e respiração celular
Gabarito: letra B. No afogamento grau 3, a presença de espuma abundante nas vias aéreas indica aspiração significativa de água, que compromete a troca gasosa alveolar e leva à hipoxemia. A redução da oferta de oxigênio aos tecidos compromete diretamente a respiração celular aeróbica, processo dependente de O₂ para a produção de ATP na mitocôndria. É exatamente esse elo — aspiração → hipoxemia → comprometimento da fosforilação oxidativa — que a alternativa correta descreve.
O afogamento é uma forma de asfixia por imersão em meio líquido. Quando a vítima aspira água, o líquido preenche os alvéolos e interfere com o surfactante pulmonar, substância que reduz a tensão superficial e mantém os alvéolos abertos. A água aspirada, rica em surfactante e proteínas, é aerada pelo movimento respiratório e forma a espuma característica — mais volumosa no mar porque os sais estabilizam a espuma. O resultado funcional é uma grave alteração na ventilação-perfusão: áreas do pulmão continuam recebendo sangue, mas não participam da troca gasosa, gerando hipoxemia (redução da oxigenação sanguínea) e hipercapnia (acúmulo de CO₂).
A hipoxemia é o evento central da fisiopatologia. O oxigênio é o aceptor final de elétrons na cadeia respiratória mitocondrial, etapa da respiração celular aeróbica que produz a maior parte do ATP. Sem oxigênio suficiente, a fosforilação oxidativa é interrompida, a produção de ATP cai drasticamente e a célula passa a depender de fermentação, que gera ácido lático e muito menos energia. Os tecidos mais sensíveis à hipóxia — cérebro e coração — são os primeiros a sofrer danos irreversíveis. É por isso que a classificação da Sobrasa prioriza a avaliação do pulso radial e do nível de consciência: eles refletem a perfusão e a oxigenação cerebral.
A classificação da Sobrasa divide o afogamento em seis graus de gravidade, orientando o tratamento desde a cena até o hospital. No grau 2 há pouca espuma na boca e nariz; no grau 3, muita espuma com pulso radial presente; no grau 4, muita espuma sem pulso radial; e nos graus 5 e 6 há parada respiratória e cardiorrespiratória, respectivamente. O grau 3 indica que a vítima ainda tem circulação espontânea, mas a oxigenação está comprometida — daí a necessidade de oxigenoterapia e, se necessário, ventilação assistida. O tratamento visa justamente reverter a hipoxemia antes que ela evolua para parada cardíaca.
A banca explora aqui a confusão entre os vários processos celulares que podem ser afetados em situações de estresse. A questão pergunta qual processo é diretamente comprometido pela fisiopatologia do afogamento — e a resposta é a respiração celular aeróbica, pois é ela que depende do oxigênio cuja oferta está reduzida. As demais alternativas mencionam processos celulares que podem ser secundariamente afetados em situações extremas, mas não são o comprometimento primário e direto da hipóxia causada pela aspiração de água. Guarde a cadeia: aspiração de água → prejuízo da troca gasosa → hipoxemia → comprometimento da respiração celular aeróbica → déficit de ATP → disfunção orgânica.
1Aspiração de água
2Prejuízo da troca gasosa
3Hipoxemia
4Comprometimento da respiração celular aeróbica
5Déficit de ATP
6Disfunção orgânica
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Alternativa A — ❌ Incorreta
A divisão celular no núcleo não é o processo diretamente comprometido. A mitose é um processo que ocorre em células em proliferação e não depende imediatamente da oxigenação tecidual para ser executada. A hipóxia pode, em última instância, levar à morte celular e à parada da divisão, mas isso é uma consequência tardia e inespecífica, não o comprometimento direto e imediato da fisiopatologia do afogamento. A banca insere essa alternativa para testar se o aluno identifica o processo celular que depende diretamente do oxigênio.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A respiração celular aeróbica é o processo diretamente comprometido. A aspiração de água prejudica a troca gasosa alveolar, reduzindo a oxigenação do sangue (hipoxemia). O oxigênio é o aceptor final de elétrons na cadeia respiratória mitocondrial; sem ele, a fosforilação oxidativa é interrompida e a produção de ATP cai. A alternativa descreve exatamente essa sequência: "respiração celular aeróbica devido à redução da oxigenação nos tecidos". É a consequência fisiopatológica central do afogamento.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A síntese proteica no retículo endoplasmático rugoso não é o processo diretamente comprometido. O acúmulo de CO₂ (hipercapnia) pode ocorrer no afogamento, mas não compromete primariamente a tradução de proteínas. A síntese proteica depende de ribossomos, mRNA e tRNA, e não é diretamente afetada pela hipóxia ou hipercapnia na escala de tempo do afogamento. A alternativa confunde o efeito (acidose respiratória por retenção de CO₂) com um processo celular que não é o alvo primário da hipóxia.
Alternativa D — ❌ Incorreta
O transporte ativo na membrana plasmática pode ser secundariamente afetado pela depleção de ATP, já que bombas como a Na⁺/K⁺-ATPase dependem de energia. No entanto, não é o processo diretamente comprometido pela fisiopatologia do afogamento. O desequilíbrio eletrolítico pode ocorrer, especialmente em afogamento em água doce (hemodiluição) ou salgada (hemoconcentração), mas isso é uma consequência secundária, não o elo fisiopatológico central que a questão pede.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A digestão intracelular nos lisossomos não é o processo diretamente comprometido. A acidose respiratória pode ocorrer pela retenção de CO₂, mas não afeta primariamente a função lisossomal. Os lisossomos realizam digestão intracelular de material endocitado e organelas envelhecidas, processo que não depende diretamente da oxigenação. A alternativa mistura dois conceitos — acidose respiratória e digestão lisossomal — sem relação causal direta na fisiopatologia do afogamento.
NÃO CAIA NESSA!
A banca troca o processo celular que depende diretamente do oxigênio (respiração celular aeróbica) por processos que podem ser afetados secundariamente em situações extremas, como transporte ativo (depende de ATP) e síntese proteica. O candidato que não identifica a cadeia aspiração → hipoxemia → comprometimento da fosforilação oxidativa pode se perder. A pergunta é clara: qual processo é diretamente comprometido? A resposta é aquele que usa O₂ como substrato — a respiração celular aeróbica. Com treino, você enxerga essa pegadinha de longe 💪