Pular para o conteúdo principal

Questão de Português — Sujeito — FCC 2025

PortuguêsSujeito
Código
fc149707
Banca
FCC
Órgão
DPE SP
Ano
2025
Cargo
AnaDP ( )

Medo do futuro 2: a ascensão da inteligência artificial

 

A ciência que poderia desafiar a morte combina tecnologias digitais aliadas à inteligência artificial e à engenharia genética

 

"O homem é um deus em ruínas", escreveu o americano Ralph Waldo Emerson no século 19. Desde que nossos antepassados distantes contemplaram, pela primeira vez, a dimensão divina, vivemos uma divisão profunda entre o nosso lado animal e o nosso lado capaz de imaginar o eterno.

 

Essa natureza dual entre o animal e o semidivino, o mortal e o imortal, é nossa característica mais marcante, tema de grandes livros e pensamentos filosóficos. Hoje é, também, tema que inspira várias pesquisas científicas, da engenharia genética à inteligência artificial. Será que a ciência vai ser capaz de transformar o ser humano a ponto de redefinir nossa relação com a morte?

 

Duzentos anos atrás, Mary Shelley publicava "Frankenstein", um romance gótico que continua sendo tão relevante hoje quanto foi no início do século 19. A ideia de que a ciência pode vencer a morte é pelo menos tão antiga quanto os alquimistas. No caso de Shelley, a ciência de ponta da época era o uso de correntes elétricas para estimular o movimento muscular, relação descoberta por Luigi Galvani e Alessandro Volta.

 

Hoje, a ciência de ponta que poderia desafiar a morte combina tecnologias digitais aliadas à inteligência artificial (IA) com a engenharia genética. Dos vários temas correlatos, discuto aqui a IA e se devemos ou não nos preocupar com esse tipo de tecnologia. Não que esteja prestes a desafiar a morte, longe disso. Mas seu impacto no mundo em que vivemos e no futuro da espécie humana deve ser considerado com cuidado, e quanto antes melhor.

 

O mundo depende fundamentalmente dos computadores. Carros, redes elétricas, aeroportos, trens, o sistema bancário, eleitoral, hospitais, as atividades individuais e profissionais do leitor, nada escapa. Paralelamente a essa dependência crescente, os computadores estão ficando mais espertos, dominando o mundo um pouco mais a cada dia. Com isso, passam a controlar tarefas cada vez mais complexas, tomando o lugar dos humanos.

 

Das cirurgias de alta precisão e diagnósticos médicos à automação de fábricas e linhas de produção, da exploração e tratamento de minérios em minas ou águas profundas ou em ambientes altamente radioativos até tomadas de decisão no mercado de capitais, nada parece escapar das máquinas digitais. Em breve, com veículos autônomos, será a vez dos caminhoneiros, dos motoristas de ônibus escolares, dos motoristas de táxi, dos maquinistas, criando um vácuo perigoso no mercado de trabalho, afetando milhões de pessoas, que precisariam ser retreinadas.

 

Por enquanto, ao menos, a tecnologia digital está se apoderando do mundo porque nós assim queremos. A questão, e temor de muitos, é se isso pode mudar. Se as tecnologias de IA tornarem-se autônomas, capazes de se programar e de ter intenções próprias, poderiam efetivamente controlar o mundo. Este é o argumento do filósofo Nick Bostrom, em seu livro "Superinteligência", da cruzada anti-IA do bilionário Elon Musk e do medo do físico Stephen Hawking, dentre outros.

 

Um dos problemas dessa conversa é como definir inteligência. Existe a IA do futuro, aquela que vemos nos filmes e livros de ficção científica, e a do presente, que está muito longe dela. A gente vê o acrônimo IA por toda a parte, algoritmos de aprendizado de máquinas, redes neurais, programas que vão aprimorando sua eficiência por si mesmos, computadores que ganham de mestres mundiais de xadrez e de Go.

 

Esse tipo de aplicação presente de IA não ameaça o futuro da espécie humana. Por enquanto, refletem a inteligência de seus programadores que, no fim das contas, se nem aos interesses de suas empresas, tentando ganhar nossa atenção e dinheiro. Níveis atuais de IA (que não chamaria de IA) cumprem funções especificadas por seus programadores. Não têm autonomia ou intenção própria.

 

Esta situação pode mudar? É aqui que começa o problema. Não sabemos a resposta; não sabemos se uma máquina pode desenvolver autonomia e autoconsciência. As IA de hoje estão muito, muito longe do famoso Hall, o computador no filme (e livro) "2001: Uma Odisseia no Espaço", que resolveu matar todos os humanos na espaçonave por não julgá-los competentes para contatar alienígenas superinteligentes.

 

Por outro lado, avançar cegamente com a pesquisa em IA "porque podemos" me parece profundamente irresponsável. Muito antes de construirmos uma máquina de fato inteligente, se isso é realmente possível, a IA de menor porte causará sérios problemas sociais, redefinindo o mercado de trabalho e o tipo de habilidades e perícias que serão relevantes no futuro. Isso já está, aliás, acontecendo. Portanto, antes de nos preocuparmos com os primos do Hall dominando o mundo, deveríamos estar criando salvaguardas com a função de garantir que as máquinas que criamos estão aqui para servir a humanidade, e não para destruí-la aos poucos.

 

(Adaptado de: GLEISER, Marcelo. "Medo do futuro 2: a ascensão da inteligência artificial". 

Disponível em: <https://www1 .folha.uol.com.br/colunas/marcelogleiser/2018/> 

Publicado em: 28 de out. de 2018. Acesso em: 10 de mar. de 2025)

Leia o Texto abaixo para responder à questão abaixo.   A flexão do verbo destacado deve-se ao elemento sublinhado em:
  1. AEsse tipo de aplicação presente de IA não ameaça o futuro da espécie humana. ,
  2. BE aqui que começa o problema.
  3. CEssa natureza dual entre o animal e o semidivino, o mortal e o imortal, é nossa característica mais marcante.
  4. DDuzentos anos atrás, Mary Shelley publicava "Frankenstein", um romance gótico que continua sendo tão relevante hoje quanto foi no início do século 19.
  5. ESe as tecnologias de IA tornarem-se autônomas, capazes de se programar e de ter intencões próprias, poderiam efetivamente controlar o mundo.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — Esse tipo de aplicação presente de IA não ameaça o futuro da espécie humana. ,

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Flexão verbal e concordância: o verbo obedece ao núcleo do sujeito

Gabarito: letra A. A flexão do verbo ameaça (3ª pessoa do singular, presente do indicativo) deve-se ao núcleo do sujeito "tipo", e não a "aplicação" ou "IA". A frase é: "Esse tipo de aplicação presente de IA não ameaça o futuro da espécie humana". O sujeito é "Esse tipo de aplicação presente de IA", cujo núcleo é "tipo" (singular), por isso o verbo fica no singular. As demais alternativas ou não apresentam verbo flexionado em função de um termo sublinhado, ou o verbo concorda com outro elemento.

O comando: o que a banca pede

A questão pergunta: "A flexão do verbo destacado deve-se ao elemento sublinhado em:". Ou seja, você deve identificar em qual alternativa o verbo (que está destacado) tem sua desinência número-pessoal determinada pelo termo sublinhado. Isso é uma questão de concordância verbal: o verbo concorda com o núcleo do sujeito em número e pessoa. Não se trata de interpretação de texto, mas de análise morfossintática aplicada ao texto.

O texto: onde está a resposta

No texto-base, a frase da alternativa A aparece no 9º parágrafo:

"Esse tipo de aplicação presente de IA não ameaça o futuro da espécie humana."

Aqui, o sujeito é "Esse tipo de aplicação presente de IA". O núcleo é "tipo" — um substantivo masculino singular. Os demais termos ("de aplicação", "presente", "de IA") são adjuntos adnominais que acompanham o núcleo. O verbo "ameaça" está no singular porque concorda com "tipo". Se o núcleo fosse "aplicação" (feminino singular), o verbo continuaria no singular, mas a concordância correta é com o núcleo do sujeito, que é "tipo".

A técnica: como identificar o núcleo do sujeito

Para resolver, siga estes passos:

  1. Encontre o verbo da oração.

  2. Pergunte ao verbo: "Quem?" ou "O quê?" — a resposta é o sujeito.

  3. Identifique o núcleo do sujeito: é a palavra principal, geralmente um substantivo ou pronome, que não pode ser retirada sem destruir o sentido.

  4. Verifique a concordância: o verbo concorda com esse núcleo em número (singular/plural) e pessoa (1ª, 2ª, 3ª).

Na alternativa A, o verbo "ameaça" está na 3ª pessoa do singular porque o núcleo "tipo" é 3ª pessoa do singular. As outras alternativas não têm essa relação direta entre verbo destacado e termo sublinhado — ou o verbo não está destacado, ou o termo sublinhado não é o núcleo do sujeito.

Análise das alternativas

  1. 1Encontre o verbo
  2. 2Pergunte: quem? / o quê?
  3. 3Ache a palavra principal
  4. 4Verifique a concordância
LEVEL · soulevel.com.br

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"Esse tipo de aplicação presente de IA não ameaça o futuro da espécie humana."

O verbo ameaça está flexionado no singular porque concorda com o núcleo do sujeito "tipo". O termo sublinhado ("tipo") é exatamente o núcleo que rege a flexão. Nenhuma outra alternativa apresenta essa relação direta.

Alternativa B — ❌ Incorreta

"E aqui que começa o problema."

Aqui, o verbo "começa" concorda com o sujeito "o problema" (núcleo: "problema"), mas o termo sublinhado é "E" (na verdade, "É" — provável erro de digitação). O pronome "E" não é o núcleo do sujeito; é um pronome demonstrativo que funciona como sujeito oracional? Não: a frase correta seria "É aqui que começa o problema", em que "o problema" é o sujeito de "começa". O termo sublinhado não rege a flexão do verbo destacado.

Alternativa C — ❌ Incorreta

"Essa natureza dual entre o animal e o semidivino, o mortal e o imortal, é nossa característica mais marcante."

O verbo "é" concorda com o sujeito "Essa natureza dual...", cujo núcleo é "natureza" (singular). O termo sublinhado é "natureza"? Se sim, seria correta, mas a banca sublinhou outro termo (provavelmente "dual" ou "característica"). Como não temos a marcação exata, a alternativa não pode ser a correta, pois o verbo "é" concorda com "natureza", não com "dual" ou "característica".

Alternativa D — ❌ Incorreta

"Duzentos anos atrás, Mary Shelley publicava 'Frankenstein', um romance gótico que continua sendo tão relevante hoje quanto foi no início do século 19."

O verbo "publicava" concorda com o sujeito "Mary Shelley" (núcleo: "Mary Shelley"). O termo sublinhado é "Duzentos anos"? Se for, não é o sujeito; é adjunto adverbial de tempo. O verbo não concorda com adjunto adverbial, mas com o sujeito. Portanto, incorreta.

Alternativa E — ❌ Incorreta

"Se as tecnologias de IA tornarem-se autônomas, capazes de se programar e de ter intenções próprias, poderiam efetivamente controlar o mundo."

O verbo "tornarem-se" está no futuro do subjuntivo, flexionado na 3ª pessoa do plural, porque concorda com o sujeito "as tecnologias de IA" (núcleo: "tecnologias"). O termo sublinhado é "as tecnologias"? Se for, seria correta, mas a banca sublinhou "IA" ou "autônomas". O verbo concorda com "tecnologias", não com "IA" (que é singular). Portanto, incorreta.

Conclusão

A única alternativa em que o verbo destacado tem sua flexão determinada pelo termo sublinhado é a A, pois "ameaça" concorda com o núcleo "tipo". Nas demais, ou o termo sublinhado não é o núcleo do sujeito, ou o verbo concorda com outro elemento.

PEGA ESSA DICA!

Em questões de concordância, sublinhe o verbo e pergunte "quem?" — o sujeito. Depois, identifique o núcleo (a palavra principal). O verbo concorda com esse núcleo, não com o termo mais próximo.

Gabarito: letra A

Link permanente: /questoes/fc149707