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Questão de Português — Conjunção — FCC 2025

PortuguêsConjunção
Código
fc149709
Banca
FCC
Órgão
Pref SP
Ano
2025
Cargo
Ana ( )

Atenção: Para responder a questão a seguir, leia o poema Tecendo a manhã de João Cabral de Melo Neto.


Um galo sozinho não tece uma manhã:
ele precisará sempre de outros galos.
De um que apanhe esse grito que ele
e o lance a outro; de um outro galo
que apanhe o grito que um galo antes
e o lance a outro; e de outros galos
que com muitos outros galos se cruzem
os fios de sol de seus gritos de galo,
para que a manhã, desde uma teia tênue,
se vá tecendo, entre todos os galos.

 

E se encorpando em tela, entre todos,
se erguendo tenda, onde entrem todos,
se entretendendo para todos, no toldo
(a manhã) que plana livre de armação.
A manhã, toldo de um tecido tão aéreo
que, tecido, se eleva por si: luz balão.


(MELO NETO, João Cabral de. A Educação
pela Pedra)

para que a manhã, desde uma teia tênue, I se vá tecendo, entre todos os galos.

 

O elemento sublinhado expressa, no contexto do poema, ideia de

  1. Acondição.
  2. Bfinalidade.
  3. Ccomparação.
  4. Dcausa.
  5. Eoposição.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — finalidade.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Conjunção final: o valor de "para que" no poema de João Cabral

Gabarito: letra B. O elemento sublinhado "para que" expressa, no contexto do poema, ideia de finalidade — é uma locução conjuntiva subordinativa adverbial final, equivalente a "a fim de que". A passagem que ancora essa leitura é o próprio verso: "para que a manhã, desde uma teia tênue, se vá tecendo, entre todos os galos", em que a oração introduzida por "para que" indica o objetivo da ação de os galos cruzarem os fios de sol de seus gritos.

O comando: o que a banca pede

A questão é de gramática aplicada ao texto: não se pergunta o que o poema diz, mas o valor semântico do conectivo "para que" naquele contexto específico. Isso muda a resolução: você não precisa interpretar o poema inteiro, apenas identificar a relação lógica que a locução estabelece entre a oração anterior (os galos se cruzam) e a oração que ela introduz (a manhã se tece).

O texto: onde mora a resposta

O poema "Tecendo a manhã" constrói a metáfora de que a manhã é tecida pelos gritos dos galos, que se cruzam como fios. O trecho decisivo é:

"e o lance a outro; e de outros galos / que com muitos outros galos se cruzem / os fios de sol de seus gritos de galo, / para que a manhã, desde uma teia tênue, / se vá tecendo, entre todos os galos."

A oração "para que a manhã se vá tecendo" responde à pergunta: para quê os galos cruzam os fios de sol? A resposta é: para que a manhã se teça. Essa é a relação de finalidade — o cruzamento dos gritos tem como objetivo a tecelagem da manhã.

A técnica: como reconhecer a finalidade

A locução "para que" é, por excelência, uma conjunção subordinativa adverbial final. Ela introduz uma oração que expressa a intenção, o propósito da ação da oração principal. O teste clássico: substitua "para que" por "a fim de que" — se o sentido for mantido, é finalidade. Veja:

  • "para que a manhã se vá tecendo" → "a fim de que a manhã se vá tecendo" ✓

Outra forma de confirmar: pergunte "com que finalidade?" à oração principal. "Os galos cruzam os fios de sol com que finalidade?" → "Para que a manhã se teça." A resposta é direta e inequívoca.

As alternativas: por que cada uma falha

Alternativa A — ❌ Incorreta

Condição seria expressa por conjunções como "se", "caso", "desde que", "contanto que". A oração "para que a manhã se vá tecendo" não estabelece uma hipótese ou condição para algo acontecer; ela estabelece um objetivo. Não há relação condicional: não se diz "se a manhã se tecer, então...". A banca oferece essa opção para confundir quem não percebe a diferença entre finalidade e condição — na condição, a oração subordinada é um requisito; na finalidade, é uma meta.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Como demonstrado, "para que" é locução conjuntiva final, equivalente a "a fim de que". No poema, a oração "para que a manhã se vá tecendo" expressa o propósito do cruzamento dos gritos dos galos. A substituição por "a fim de que" mantém integralmente o sentido, confirmando a classificação.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Comparação seria expressa por conectivos como "como", "tal qual", "assim como", "tanto quanto". Não há, no trecho, qualquer relação de analogia ou comparação entre dois elementos. O verso "para que a manhã... se vá tecendo" não compara nada; ele indica uma finalidade. A banca insere essa opção para testar se o candidato confunde a ideia de "tecer" (que remete a uma imagem) com uma relação comparativa — mas a relação sintática é de finalidade, não de comparação.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Causa seria expressa por "porque", "visto que", "já que", "uma vez que". A oração "para que a manhã se vá tecendo" não expressa o motivo do cruzamento dos gritos; expressa o objetivo. A diferença é sutil, mas crucial: na causa, a oração subordinada responde "por quê?"; na finalidade, responde "para quê?". Pergunte: "Por que os galos cruzam os fios?" → "Porque querem que a manhã se teça" (causa). Mas o texto diz: "Os galos cruzam os fios para que a manhã se teça" (finalidade). A banca adora essa pegadinha — a confusão entre causa e finalidade é clássica.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Oposição seria expressa por "mas", "porém", "contudo", "embora", "ainda que". Não há, no trecho, qualquer relação de contrariedade ou adversidade. A oração "para que a manhã se vá tecendo" não se opõe à oração anterior; ela a complementa indicando a finalidade. A banca oferece essa opção para testar se o candidato reconhece que "para que" não é um conectivo adversativo.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre finalidade e causa (letra D). A diferença: na finalidade, a oração subordinada responde "para quê?"; na causa, responde "por quê?". No poema, "para que" responde claramente "para quê?" — o objetivo de os galos cruzarem os fios.

PEGA ESSA DICA!

Ao identificar o valor de um conectivo, faça o teste de substituição: troque "para que" por "a fim de que" (finalidade), "porque" (causa), "se" (condição), "como" (comparação), "mas" (oposição). A substituição que mantiver o sentido revela a classificação.

Gabarito: letra B.

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