Atenção: Para responder a questão a seguir, leia o poema Tecendo a manhã de João Cabral de Melo Neto.
Um galo sozinho não tece uma manhã: ele precisará sempre de outros galos. De um que apanhe esse grito que ele e o lance a outro; de um outro galo que apanhe o grito que um galo antes e o lance a outro; e de outros galos que com muitos outros galos se cruzem os fios de sol de seus gritos de galo, para que a manhã, desde uma teia tênue, se vá tecendo, entre todos os galos.
E se encorpando em tela, entre todos, se erguendo tenda, onde entrem todos, se entretendendo para todos, no toldo (a manhã) que plana livre de armação. A manhã, toldo de um tecido tão aéreo que, tecido, se eleva por si: luz balão.
(MELO NETO, João Cabral de. A Educação pela Pedra)
para que a manhã, desde uma teia tênue, I se vá tecendo, entre todos os galos.
O elemento sublinhado expressa, no contexto do poema, ideia de
Acondição.
Bfinalidade.
Ccomparação.
Dcausa.
Eoposição.
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GabaritoB — finalidade.
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Conjunção final: o valor de "para que" no poema de João Cabral
Gabarito: letra B. O elemento sublinhado "para que" expressa, no contexto do poema, ideia de finalidade — é uma locução conjuntiva subordinativa adverbial final, equivalente a "a fim de que". A passagem que ancora essa leitura é o próprio verso: "para que a manhã, desde uma teia tênue, se vá tecendo, entre todos os galos", em que a oração introduzida por "para que" indica o objetivo da ação de os galos cruzarem os fios de sol de seus gritos.
O comando: o que a banca pede
A questão é de gramática aplicada ao texto: não se pergunta o que o poema diz, mas o valor semântico do conectivo "para que" naquele contexto específico. Isso muda a resolução: você não precisa interpretar o poema inteiro, apenas identificar a relação lógica que a locução estabelece entre a oração anterior (os galos se cruzam) e a oração que ela introduz (a manhã se tece).
O texto: onde mora a resposta
O poema "Tecendo a manhã" constrói a metáfora de que a manhã é tecida pelos gritos dos galos, que se cruzam como fios. O trecho decisivo é:
"e o lance a outro; e de outros galos / que com muitos outros galos se cruzem / os fios de sol de seus gritos de galo, / para que a manhã, desde uma teia tênue, / se vá tecendo, entre todos os galos."
A oração "para que a manhã se vá tecendo" responde à pergunta: para quê os galos cruzam os fios de sol? A resposta é: para que a manhã se teça. Essa é a relação de finalidade — o cruzamento dos gritos tem como objetivo a tecelagem da manhã.
A técnica: como reconhecer a finalidade
A locução "para que" é, por excelência, uma conjunção subordinativa adverbial final. Ela introduz uma oração que expressa a intenção, o propósito da ação da oração principal. O teste clássico: substitua "para que" por "a fim de que" — se o sentido for mantido, é finalidade. Veja:
"para que a manhã se vá tecendo" → "a fim de que a manhã se vá tecendo" ✓
Outra forma de confirmar: pergunte "com que finalidade?" à oração principal. "Os galos cruzam os fios de sol com que finalidade?" → "Para que a manhã se teça." A resposta é direta e inequívoca.
As alternativas: por que cada uma falha
Alternativa A — ❌ Incorreta
Condição seria expressa por conjunções como "se", "caso", "desde que", "contanto que". A oração "para que a manhã se vá tecendo" não estabelece uma hipótese ou condição para algo acontecer; ela estabelece um objetivo. Não há relação condicional: não se diz "se a manhã se tecer, então...". A banca oferece essa opção para confundir quem não percebe a diferença entre finalidade e condição — na condição, a oração subordinada é um requisito; na finalidade, é uma meta.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Como demonstrado, "para que" é locução conjuntiva final, equivalente a "a fim de que". No poema, a oração "para que a manhã se vá tecendo" expressa o propósito do cruzamento dos gritos dos galos. A substituição por "a fim de que" mantém integralmente o sentido, confirmando a classificação.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Comparação seria expressa por conectivos como "como", "tal qual", "assim como", "tanto quanto". Não há, no trecho, qualquer relação de analogia ou comparação entre dois elementos. O verso "para que a manhã... se vá tecendo" não compara nada; ele indica uma finalidade. A banca insere essa opção para testar se o candidato confunde a ideia de "tecer" (que remete a uma imagem) com uma relação comparativa — mas a relação sintática é de finalidade, não de comparação.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Causa seria expressa por "porque", "visto que", "já que", "uma vez que". A oração "para que a manhã se vá tecendo" não expressa o motivo do cruzamento dos gritos; expressa o objetivo. A diferença é sutil, mas crucial: na causa, a oração subordinada responde "por quê?"; na finalidade, responde "para quê?". Pergunte: "Por que os galos cruzam os fios?" → "Porque querem que a manhã se teça" (causa). Mas o texto diz: "Os galos cruzam os fios para que a manhã se teça" (finalidade). A banca adora essa pegadinha — a confusão entre causa e finalidade é clássica.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Oposição seria expressa por "mas", "porém", "contudo", "embora", "ainda que". Não há, no trecho, qualquer relação de contrariedade ou adversidade. A oração "para que a manhã se vá tecendo" não se opõe à oração anterior; ela a complementa indicando a finalidade. A banca oferece essa opção para testar se o candidato reconhece que "para que" não é um conectivo adversativo.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre finalidade e causa (letra D). A diferença: na finalidade, a oração subordinada responde "para quê?"; na causa, responde "por quê?". No poema, "para que" responde claramente "para quê?" — o objetivo de os galos cruzarem os fios.
PEGA ESSA DICA!
Ao identificar o valor de um conectivo, faça o teste de substituição: troque "para que" por "a fim de que" (finalidade), "porque" (causa), "se" (condição), "como" (comparação), "mas" (oposição). A substituição que mantiver o sentido revela a classificação.