Pular para o conteúdo principal

Questão de Português — Questões Variadas de Verbo — FCC 2025

PortuguêsQuestões Variadas de Verbo
Código
fc149713
Banca
FCC
Órgão
Pref SP
Ano
2025
Cargo
AMCI (CGM SP)

Atenção: Para responder a questão abaixo, considere o texto a seguir.

 

Como arquiteto e paisagista, pertenço ao grupo de estudiosos que adota o ponto de vista do ordenador, que difere do planejador, embora ambos façam parte de um mesmo processo. O enfoque do ordenador resume-se na tentativa de avaliação da cidade como uma estrutura global do meio ambiente e não somente como uma série de elementos que fortuitamente se interligaram. É possível, por exemplo, avaliar a cidade em termos de experiência pela qual passam todas as pessoas que nela vivem. Primeiro, constroem as ruas, implantam a infraestrutura, depois os prédios e, se sobrar espaço, colocam uma ou duas árvores ou um chafariz. Em torno disso, pessoas e automóveis.

 

Outra forma de avaliação da cidade seria através da relação entre quatro elementos: edifícios, espaço para veículos, espaço para pedestres e elementos naturais. Estamos tão acostumados a viver rodeados por edifícios e automóveis que não nos ocorre a possibilidade de questionar se eles estão fora de proporção. O espaço para pedestres é o que sobrou do espaço destinado aos automóveis. Caminhamos contornando as calçadas, ao longo das ruas ou através de estacionamentos, se o automóvel nos der passagem. Nas cidades, especialmente no centro, a vegetação constitui apenas um elemento decorativo. Se as plantas fossem de plástico, não faria diferença nenhuma, já que não tem nenhuma função especifica.

 

Na arquitetura, uma extensa série de argumentos históricos demonstram que as árvores não são necessárias à ordenação urbana. Um dos sempre repetidos é que a praça São Marcos, em Veneza, não tem árvores. Mas esse é um tipo de argumento evasivo, pois não explica como foi construída a praça São Marcos. 

 

É preciso não esquecer que uma árvore tem funções comparáveis as de um prédio. Ela molda o espaço, dá abrigo, modera o clima e estabelece relacionamento entre nós e os espaços mais amplos que nos rodeiam. Como um dos principais elementos do meio ambiente, não é apenas uma peça decorativa, colocada defronte a um edifício: ordena o espaço da mesma maneira que a arquitetura molda o espaço.

 

Além das árvores e outros elementos que compõem o conjunto urbano, é igualmente Importante considerar o tipo de relação que existe entre edifícios, veículos, pedestres e elementos naturais. Tomemos o caso de São Paulo. Sobrevoando a cidade de helicóptero, o panorama é espantoso. Por que um povo inteligente construiria edifícios de vinte andares, com fachadas cheias de janelas, afastadas a cada quatro ou cinco metros, através das quais os moradores só podem se ver uns aos outros?

 

(Adaptado de: ECKBO. Garret. O Paisagismo nas Grandes Metrópoles. São Paulo: Ateliê, 2008, pp. 39-42)

Acerca do uso das formas verbais no texto, considere as seguintes afirmativas:

 

I. Em Se as plantas fossem de plástico, não faria diferença nenhuma, já que não têm nenhuma função especifica (2º parágrafo), o verbo têm está no presente do Indicativo, em vez de seguir o futuro do pretérito do verbo faria, pois corrobora a asserção da frase imediatamente anterior.

 

II. A pergunta que termina o texto emprega o verbo construir no futuro do pretérito, de maneira a reforçar a ironia de uma pergunta retórica.

 

III. Em questionar se eles estão fora de proporção (2º parágrafo), o verbo também pode ser empregado no presente do subjuntivo, estejam, uma vez que é antecedido de conjunção condicional. 

 

Está correto o que consta de

  1. AIII, apenas.
  2. BI, apenas.
  3. CII e III, apenas.
  4. DI e II, apenas.
  5. EI, II e III.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — I e II, apenas.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Emprego dos tempos verbais no texto de Eckbo

Gabarito: letra D (I e II, apenas). A afirmativa I está correta porque o verbo têm está no presente do indicativo, e não no futuro do pretérito, para corroborar a asserção anterior (a falta de função específica das plantas); a afirmativa II está correta porque construiriam está no futuro do pretérito, reforçando a ironia da pergunta retórica; a afirmativa III está incorreta porque o se em "questionar se eles estão fora de proporção" é conjunção integrante (introduz oração subordinada substantiva objetiva direta), e não conjunção condicional, de modo que o verbo estão não pode ser substituído por estejam sem alterar o sentido.

O comando: análise de formas verbais no texto

A questão pede que você julgue três afirmativas sobre o uso de formas verbais em trechos específicos do texto. Não se trata de interpretação de sentido global, mas de gramática aplicada ao texto: você deve verificar se a justificativa dada para cada forma verbal está correta, considerando o contexto em que ela aparece. O verbo do comando é "considere" — ou seja, você precisa testar cada afirmativa contra o texto e contra as regras de emprego dos tempos e modos verbais.

O texto: onde mora a resposta

O texto de Garret Eckbo critica a cidade moderna, em que árvores e espaços para pedestres são tratados como sobras. No 2º parágrafo, o autor afirma que a vegetação é apenas decorativa e que, se fosse de plástico, não faria diferença. No último parágrafo, ele faz uma pergunta retórica sobre os edifícios de São Paulo. Esses dois trechos são o palco das afirmativas I e II. A afirmativa III se ancora no mesmo 2º parágrafo, na passagem "questionar se eles estão fora de proporção".

A técnica: correlação verbal e o valor do "se"

Correlação verbal é a harmonia entre os tempos e modos verbais de uma frase. Na afirmativa I, temos uma estrutura condicional hipotética: "Se as plantas fossem de plástico, não faria diferença nenhuma". O futuro do pretérito (faria) é a consequência de uma condição irreal (fossem). A oração seguinte, "já que não têm nenhuma função específica", é uma explicação — o autor justifica por que não faria diferença. O verbo têm está no presente do indicativo porque expressa um fato atemporal, uma característica das plantas na cidade: elas não têm função. Não há necessidade de usar o futuro do pretérito (teriam) porque a explicação não é consequência da condição, mas uma constatação. A afirmativa I está correta ao dizer que o presente "corrobora a asserção da frase imediatamente anterior".

Na afirmativa II, a pergunta final "Por que um povo inteligente construiria edifícios de vinte andares...?" usa o futuro do pretérito (construiria). Esse tempo, em perguntas, expressa dúvida, hipótese ou ironia. O autor não está perguntando sobre um fato real, mas criticando a construção absurda — a ironia está exatamente no uso do futuro do pretérito, que sugere uma ação hipotética ou surpreendente. A afirmativa II está correta.

Na afirmativa III, o erro está na classificação do se. Em "questionar se eles estão fora de proporção", o se é conjunção integrante, que introduz uma oração subordinada substantiva objetiva direta (equivale a "isso": questionar isso). Não é conjunção condicional (que seria "caso", "contanto que"). Por isso, o verbo da oração subordinada deve estar no indicativo (estão), pois expressa um fato sobre o qual se questiona. Se trocássemos por estejam (presente do subjuntivo), a frase ficaria "questionar se eles estejam fora de proporção" — o que é agramatical e mudaria o sentido, pois o subjuntivo indicaria dúvida sobre a própria existência do fato, o que não é o caso. A afirmativa III está incorreta.

"Se" em orações
  • 1Conjunção integrante
    • Substituível por "isso"
    • Exige indicativo
    • Ex.: "questionar se estão"
  • 2Conjunção condicional
    • Substituível por "caso"
    • Exige subjuntivo
    • Ex.: "se fossem, faria"
LEVEL · soulevel.com.br

Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que apenas III está correta. Como III é falsa, a alternativa está errada. O erro é contradizer o texto: a afirmativa III não se sustenta, pois o "se" não é condicional.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Afirma que apenas I está correta. Esquece a afirmativa II, que também é correta. O erro é incompleta: deixa de incluir um item verdadeiro.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Afirma que II e III estão corretas. Como III é falsa, a alternativa está errada. O erro é contradizer o texto: inclui um item falso.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Afirma que I e II estão corretas. Como vimos, I e II são verdadeiras e III é falsa, esta é a resposta correta.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Afirma que I, II e III estão corretas. Inclui a afirmativa III, que é falsa. O erro é contradizer o texto: inclui um item falso.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre o uso do presente do indicativo em contexto hipotético e a exigência de correlação com o futuro do pretérito, além de testar o conhecimento da regência de "se" (conjunção condicional) e a possibilidade de usar o subjuntivo.

PEGA ESSA DICA!

Ao analisar o valor do "se", pergunte: ele pode ser substituído por "isso"? Se sim, é conjunção integrante (exige indicativo). Se puder ser substituído por "caso", é condicional (exige subjuntivo).

Gabarito: letra D — apenas as afirmativas I e II estão corretas.

Link permanente: /questoes/fc149713