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Questão de Português — Crase — FCC 2025

PortuguêsCrase
Código
fc149717
Banca
FCC
Órgão
Pref SP
Ano
2025
Cargo
AMCI (CGM SP)

Atenção: para responder a questão abaixo, considere o texto a seguir.

 

A pobreza existe em toda a parte, mas sua definição é relativa a uma determinada sociedade. Estamos lidando com uma noção historicamente determinada. É por isso que comparações de diferentes séries temporais levam frequentemente à confusão. A combinação de variáveis, assim como sua definição, mudam ao longo do tempo; a definição dos fenômenos resultantes também muda.

 

De que adianta afirmar que um Indivíduo é menos pobre agora, em comparação a situação de dez anos atrás, ou que é menos pobre na cidade em comparação à sua situação no campo, se esse indivíduo não tem mais o mesmo padrão de valores, inclusive no que se refere aos bens materiais? A única medida válida é a atual, dada pela situação relativa do indivíduo na sociedade a que pertence.

 

Segundo Bachelard, é mais importante compreender um fenômeno do que medi-lo. A medida da pobreza é dada antes de mais nada pelos objetivos que a sociedade determinou para si própria. É inútil procurar uma definição numérica para uma realidade cujas dimensões - agora e no futuro - serão definidas pela influência reciproca dos fatores econômicos e sociais peculiares a cada país. Além do que um indivíduo não é mais pobre ou menos pobre porque consome um pouco menos ou um pouco mais.

 

A definição de pobreza deve ir além das pesquisas estatísticas para situar o homem na sociedade global à qual pertence, porquanto a pobreza não é apenas uma categoria econômica, mas também uma categoria política acima de tudo. Estamos lidando com um problema social.

 

Há, na verdade, diferentes tipos de pobreza, tanto a nível internacional quanto dentro de cada país. Por Isso, não tem sentido procurar uma definição matemática ou estática. Conforme acentuou L. Buchanan, "o termo 'pobreza' não só implica um estado de privação material como também um modo de vida - e um conjunto complexo e duradouro de relações e instituições sociais, econômicas, culturais e políticas criadas para encontrar segurança dentro de uma situação insegura".

   

Santos, Milton. Pureza Urbana. São Paulo: Edusp, 3.ed., 2009, pp. 18-19)

Deve-se empregar o sinal indicativo de crase no termo sublinhado em:
  1. AAqueles que desejam orientar-se para uma visão mais global do fenômeno da pobreza, com frequência se sentem impotentes. 
  2. BImpostos a opinião pública, os mitos também não deixam de Influenciar os Investigadores sociais.
  3. CEsse problema tem suscitado uma série de interpretações, as quais, em sua maioria, são incorretas.
  4. DUma grande parte dos capitais focais torna-se ociosa, o que favorece a fuga para os países ricos.
  5. EE como as teorias são incoerentes, é mais simples impor uma forma de planejamento que não conduz a nada.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — Impostos a opinião pública, os mitos também não deixam de Influenciar os Investigadores sociais.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Crase: a fusão da preposição "a" com o artigo feminino "a"

Gabarito: letra B. A única alternativa em que o termo sublinhado exige crase é "Impostos à opinião pública", pois o verbo "impor" rege a preposição "a" (quem impõe, impõe algo a alguém) e "opinião pública" é um substantivo feminino que admite o artigo "a" — logo, preposição + artigo = crase. Nas demais, ou o verbo não pede preposição "a", ou o termo seguinte é masculino, ou a preposição já está presente sem artigo.

A questão cobra a aplicação da regra de crase em contexto frasal, exigindo que se analise a regência verbal e a presença do artigo feminino. O texto-base sobre pobreza é apenas o ponto de partida; a resposta mora na análise sintática de cada alternativa.

A técnica que decide: regência + artigo

A crase é a fusão de duas vogais "a": a preposição "a" (exigida pela regência do verbo ou nome) e o artigo feminino "a" (ou o "a" de pronomes demonstrativos). Para saber se há crase, faça o teste em três passos:

  1. O termo regente pede a preposição "a"? (quem impõe, impõe a algo; quem assiste, assiste a algo; quem refere, refere-se a algo).

  2. O termo seguinte é feminino e admite o artigo "a"? (opinião pública, a opinião pública).

  3. Substitua o termo feminino por um masculino: se aparecer "ao", há crase; se aparecer apenas "o" ou "a" sem preposição, não há.

PEGA ESSA DICA!

O teste do masculino é infalível. Troque "opinião pública" por "público": "Impostos ao público" — apareceu "ao", logo, no feminino, será "à opinião pública".

Análise das alternativas

1Teste do masculino
Aparece "ao" → há crase
Não aparece → sem crase
2Exige
Regência pede preposição "a"
Termo feminino admite artigo
3Não há crase
Preposição diferente ("para")
Verbo sem preposição
Termo masculino
Pronome indefinido ("nada")
Crase (preposição "a" + artigo "a")
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Crase (preposição "a" + artigo "a"): Teste do masculino (Aparece "ao" → há crase, Não aparece → sem crase); Exige (Regência pede preposição "a", Termo feminino admite artigo); Não há crase (Preposição diferente ("para"), Verbo sem preposição, Termo masculino, Pronome indefinido ("nada"))

Alternativa A — ❌ Incorreta

"Aqueles que desejam orientar-se para uma visão mais global do fenômeno da pobreza, com frequência se sentem impotentes."

O termo sublinhado é "para uma visão". A preposição é "para", não "a". Não há fusão de preposição "a" com artigo, logo, crase é impossível. A alternativa tangencia o tema ao falar de pobreza, mas o termo destacado não apresenta a estrutura exigida.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"Impostos à opinião pública, os mitos também não deixam de influenciar os investigadores sociais."

O verbo "impor" é transitivo direto e indireto: quem impõe, impõe algo a alguém. O complemento "opinião pública" é feminino e admite artigo: "a opinião pública". Preposição "a" + artigo "a" = "à". O teste do masculino confirma: "Impostos ao público" — se no masculino surge "ao", no feminino é "à".

Alternativa C — ❌ Incorreta

"Esse problema tem suscitado uma série de interpretações, as quais, em sua maioria, são incorretas."

O termo sublinhado é "as quais". O verbo "suscitar" é transitivo direto (quem suscita, suscita algo), não exige preposição "a". Sem preposição, não há crase. A forma correta seria "as quais" mesmo, sem acento grave.

Alternativa D — ❌ Incorreta

"Uma grande parte dos capitais focais torna-se ociosa, o que favorece a fuga para os países ricos."

O termo sublinhado é "para os países". A preposição é "para", e "países" é masculino. Não há preposição "a" nem artigo feminino — crase é impossível. A alternativa tangencia o tema ao mencionar "capitais", mas o termo destacado não apresenta a estrutura exigida.

Alternativa E — ❌ Incorreta

"E como as teorias são incoerentes, é mais simples impor uma forma de planejamento que não conduz a nada."

O termo sublinhado é "a nada". "Nada" é pronome indefinido, e antes de pronomes indefinidos não se usa artigo. Além disso, "nada" não é feminino. A preposição "a" está presente (quem conduz, conduz a algo), mas sem artigo não há fusão, logo, não há crase.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre a preposição "a" (que pode aparecer sem crase) e a crase (preposição + artigo). Em "conduz a nada", há preposição, mas não há artigo — muitos candidatos marcam crase por verem a preposição. O teste do masculino resolve: "conduz a nada" não vira "conduz ao nada" com sentido de destino, pois "nada" não admite artigo.

Conclusão: a crase só ocorre quando há preposição "a" + artigo feminino "a" (ou "aquele/aquela/aquilo"). A alternativa B é a única em que o verbo "impor" exige a preposição e o termo seguinte é feminino com artigo. Nas demais, ou a preposição é outra ("para"), ou o verbo não pede preposição, ou o termo é masculino/indefinido. Gabarito: letra B.

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