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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — FCC 2025

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
fc149771
Banca
FCC
Órgão
SEDU ES
Ano
2025
Cargo
Ag Sup ( )

Durante muito tempo, Thalia pensou que o fato de nascer em uma família ou outra era um mero acidente circunstancial, não um aspecto decisivo que reverberava em cada mínimo detalhe de uma vida. Com o início da carreira no teatro, ela passou a conhecer cada vez mais pessoas – e diferentemente do que aconteceu no período escolar, os amigos se diversificaram, vindos de várias partes da cidade, com experiências diversas. Quase ninguém mencionava os pais, irmãos ou avós; as poucas ocasiões em que Thalia conheceu os parentes de um colega foram sempre momentos furtivos, quando, por exemplo, ia à casa de um deles para estudar um texto ou levar uma encomenda qualquer. As saudações eram feitas em voz baixa, a pessoa da família em geral desaparecia minutos depois e não era mais mencionada. Havia as noites de estreia, claro, e nelas surgiam muitos rostos levemente familiares, para os cumprimentos. Thalia reconhecia em uns e outros as feições dos amigos, sorria para esses rostos como estranhas variações de uma fisionomia, descobria espantada que a aparência única de alguém era na verdade um exemplar previsível dentro de uma série: quando via uma amiga ao lado das irmãs, da mãe, das tias, às vezes não conseguia conter um sorriso. Era estranho que fossem tão parecidas, que os olhos se repetissem, o formato da boca, até os gestos ou o timbre da voz. Por um instante, Thalia achava que não fossem exatamente pessoas, e sim reflexos num tipo de projeção teatral – mas logo se via tocando aquela gente, abraçando, reparando nas pequenas diferenças de estatura, marcas de idade, roupas que as distinguiam.

 

(Adaptado de: MONTENEGRO, Tércia. Um prego no espelho. São Paulo: Companhia das Letras, 2024)

Responda a questão com base no texto seguinte. A observação das semelhanças entre os membros das famílias de amigos de Thalia, esteticamente, contribui para que o texto
  1. Acrie a ideia de que as semelhanças familiares devem ser evitadas, pois limitam a identidade.
  2. Benfatize que a semelhança entre as pessoas é irrelevante para a construção da identidade.
  3. Cdesperte uma reflexão sobre a repetição e a identidade como algo que vai além do aspecto físico.
  4. Dmostre que as famílias possuem uma beleza estética única que define a identidade delas.
  5. Eestabeleça que as semelhanças físicas são apenas uma coincidência, sem relação com o caráter.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — desperte uma reflexão sobre a repetição e a identidade como algo que vai além do aspecto físico.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

A repetição física como porta para a identidade

Gabarito: letra C. A observação das semelhanças físicas entre os familiares dos amigos de Thalia não serve para julgar, evitar ou reduzir a identidade ao aspecto biológico; ela desperta uma reflexão sobre a repetição e a identidade como algo que vai além do aspecto físico. O texto sustenta isso ao mostrar que, apesar da surpresa com a repetição dos traços, Thalia logo percebe as diferenças que individualizam cada pessoa — como se lê no trecho: "mas logo se via tocando aquela gente, abraçando, reparando nas pequenas diferenças de estatura, marcas de idade, roupas que as distinguiam". A passagem prova que a semelhança é apenas o ponto de partida para enxergar a identidade para além do físico.

O comando pede interpretação: a questão quer saber qual efeito a observação das semelhanças produz no texto, ou seja, qual reflexão ela provoca. Não se trata de localizar uma informação literal, mas de depreender a função dessa observação na construção do sentido. É uma questão de inferência ancorada em pistas textuais — a resposta não está escrita palavra por palavra, mas é obrigatoriamente sustentada por passagens do texto.

O texto narra a trajetória de Thalia, que inicialmente via o nascimento em uma família como "mero acidente circunstancial". Ao conviver com os amigos do teatro, ela passa a notar as semelhanças físicas entre os membros das famílias deles: "os olhos se repetissem, o formato da boca, até os gestos ou o timbre da voz". Essa repetição a faz pensar, por um instante, que não fossem "exatamente pessoas, e sim reflexos num tipo de projeção teatral". No entanto, o movimento central do texto é a superação dessa impressão: "mas logo se via tocando aquela gente, abraçando, reparando nas pequenas diferenças de estatura, marcas de idade, roupas que as distinguiam".

A técnica que decide a questão é identificar o movimento argumentativo do texto: ele parte da constatação da repetição física e chega à percepção da individualidade. A alternativa correta precisa capturar esse movimento completo — a semelhança como ponto de partida para uma reflexão mais profunda sobre a identidade. As alternativas erradas, em geral, congelam o texto em um dos polos: ou dizem que a semelhança é tudo (restringindo a identidade ao físico), ou que ela é irrelevante (negando o que o texto descreve), ou ainda acrescentam juízos de valor que o autor não emite (como "devem ser evitadas" ou "definem a identidade").

PEGA ESSA DICA!

Em questões de interpretação, desconfie de alternativas que usam verbos como "devem", "definem", "estabelecem" — eles costumam introduzir opiniões ou conclusões que o texto não autoriza. A correta geralmente usa verbos mais abertos, como "desperta", "sugere", "reflete", que capturam o movimento do texto.

1Ponto de partida
Espanto com a repetição
"Reflexos numa projeção teatral"
2Superação
Percepção das diferenças
Identidade além do físico
3Efeito no texto
Desperta reflexão
Não limita a identidade
Não define a identidade
Semelhanças físicas
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Semelhanças físicas: Ponto de partida (Espanto com a repetição, "Reflexos numa projeção teatral"); Superação (Percepção das diferenças, Identidade além do físico); Efeito no texto (Desperta reflexão, Não limita a identidade, Não define a identidade)

Alternativa A — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que as semelhanças familiares "devem ser evitadas, pois limitam a identidade". O texto não faz nenhum juízo de valor sobre a necessidade de evitar semelhanças. Thalia se surpreende com elas, mas não as rejeita; pelo contrário, ela "descobria espantada que a aparência única de alguém era na verdade um exemplar previsível dentro de uma série" — o espanto é de descoberta, não de reprovação. A alternativa extrapola ao acrescentar uma recomendação ("devem ser evitadas") que não existe no texto, e ainda contradiz a conclusão, pois o texto mostra que a semelhança não limita a identidade — ela é superada pelas diferenças.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A alternativa diz que a semelhança "é irrelevante para a construção da identidade". O texto contradiz frontalmente essa ideia: a semelhança é justamente o que chama a atenção de Thalia e provoca sua reflexão. Ela não é irrelevante — é o ponto de partida. O texto descreve como Thalia "reconhecia em uns e outros as feições dos amigos" e se espantava com a repetição. A semelhança é relevante porque desencadeia a percepção de que a identidade vai além do físico. A alternativa restringe o alcance do texto ao negar a importância de um elemento que o narrador destaca.

Alternativa C — ✅ Correta

A alternativa captura exatamente o movimento do texto. A observação das semelhanças físicas leva Thalia a uma reflexão: ela percebe que a aparência "única" é na verdade "um exemplar previsível dentro de uma série", mas logo em seguida "se via tocando aquela gente, abraçando, reparando nas pequenas diferenças de estatura, marcas de idade, roupas que as distinguiam". Ou seja, a repetição física não esgota a identidade — ela é o ponto de partida para enxergar o que vai além do aspecto físico. A palavra "desperte" é precisa: o texto não conclui, mas provoca uma reflexão. A alternativa é uma paráfrase fiel do movimento argumentativo.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que as famílias "possuem uma beleza estética única que define a identidade delas". O texto não fala em "beleza estética" — Thalia observa as semelhanças com espanto, não com admiração estética. Além disso, a ideia de que a semelhança "define a identidade" contradiz o texto, que mostra justamente o oposto: a identidade não se esgota na semelhança física, pois as diferenças "as distinguiam". A alternativa extrapola ao introduzir o conceito de "beleza" e restringe a identidade ao aspecto físico, que o texto supera.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A alternativa diz que as semelhanças físicas "são apenas uma coincidência, sem relação com o caráter". O texto não discute a relação entre semelhança física e caráter — esse é um tema que não aparece em nenhum momento. A palavra "caráter" é uma extrapolação completa: o texto fala de feições, gestos, timbre de voz, mas nunca de caráter ou moral. Além disso, a ideia de "mera coincidência" contradiz o texto, que mostra a semelhança como algo que provoca reflexão e espanto, não como algo banal. A alternativa tangencia o tema ao introduzir uma discussão (físico × caráter) que o texto não aborda.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a extrapolação com juízo de valor. As alternativas A, D e E acrescentam opiniões que o autor não emite ("devem ser evitadas", "beleza estética", "caráter"), enquanto a B nega a importância de um elemento que o texto destaca. A correta C é a única que se limita a descrever o efeito da observação, sem acrescentar nada de fora.

Gabarito: letra C. A regra de ouro: em questões de interpretação, a resposta certa é a que captura o movimento completo do texto — sem congelar em um polo, sem acrescentar opiniões, sem negar o que está escrito. Teste cada alternativa perguntando: "o texto autoriza isto, ou exige que eu acrescente algo de fora?"

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