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Questão de Português — Outras Questões de Semântica — FCC 2025

PortuguêsOutras Questões de Semântica
Código
fc149778
Banca
FCC
Órgão
TRF 4
Ano
2025
Cargo
AJ TRF4

Nosso cérebro e os sistemas digitais

 

O cérebro humano não opera como um computador digital, mas isso não impede que esses nossos computadores orgânicos sejam programados por sinais externos. Muito pelo contrário! É preciso considerar os graves riscos que a humanidade enfrentará nos próximos anos, em decorrência da nossa interação e da nossa dependência cada vez maior em relação aos sistemas digitais, estabelecendo uma verdadeira simbiose que pode afetar profundamente o cérebro, por meio do fenômeno da plasticidade neural.

 

Basicamente, a convivência contínua com computadores pode afetar a forma como o cérebro funciona e, no limite, nos transformar em meros zumbis orgânicos. De acordo com a minha estimativa, essa transformação pode ocorrer muito mais depressa do que imaginamos. Esse cenário se manifestará quão mais rapidamente o nosso cérebro for ludibriado, convencendo-se de que recompensas maiores seriam auferidas se ele cessasse de expressar os atributos mais celebrados e únicos da condição humana.

 

Que atributos seriam esses? Eles incluem a imensa criatividade e a intuição, a inteligência bem como a compaixão, a empatia pelo próximo e a busca de um fim benéfico comum. Em troca, o cérebro optaria pela produção de comportamentos mais eficientes e produtivos, seguindo as rígidas normas impostas pela modernidade, que nos condenariam a uma existência primordialmente virtual onde - de acordo com a falsa utopia dominante dos nossos tempos - poderíamos nos defender melhor das frustrações e das dores cotidianas advindas do mundo real.

 

Na verdade, esse seria o caminho mais rápido para nos transformarmos em simples autômatos controlados por um sistema ditatorial e por um tipo de economia divorciada da promoção do bem-estar geral.

 

(Adaptado de: NICOLELIS, Miguel. O verdadeiro criador de tudo. São Paulo: Planeta, 2020, p. 21)

Estão indicadas uma causa e sua consequência, nesta ordem, na relação entre os seguintes segmentos:

  1. A busca de um fim benéfico comum // rígidas normas impostas (3º parágrafo).
  2. B Eles incluem a imensa criatividade // falsa utopia dominante (3º parágrafo).
  3. Cnossos computadores orgânicos // programados por sinais externos (1º parágrafo).
  4. D fenômeno da plasticidade neural // uma verdadeira simbiose (1º parágrafo).
  5. Erecompensas maiores // convivência contínua com computadores (2º parágrafo).
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — fenômeno da plasticidade neural // uma verdadeira simbiose (1º parágrafo).

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Relação de causa e consequência no texto de Nicolelis

Gabarito: letra D. A única alternativa em que os segmentos estão ligados por relação de causa e consequência, nesta ordem, é a que apresenta "fenômeno da plasticidade neural" como causa e "uma verdadeira simbiose" como consequência, conforme se lê no 1º parágrafo: "estabelecendo uma verdadeira simbiose que pode afetar profundamente o cérebro, por meio do fenômeno da plasticidade neural". A simbiose é o efeito; a plasticidade neural é o mecanismo que a torna possível.

O comando pede que se identifique, entre pares de segmentos, aquele em que há relação de causa e consequência, nesta ordem. Isso significa que o primeiro elemento deve ser o motivo, e o segundo, o resultado. Não basta que os termos apareçam próximos no texto; é preciso que a relação lógica entre eles seja de causa-efeito. Essa é uma questão de compreensão de relações semânticas, não de gramática isolada — o que importa é o sentido que o autor constrói.

No 1º parágrafo, o autor afirma que a interação e a dependência dos sistemas digitais estabelecem uma simbiose, e que essa simbiose pode afetar o cérebro por meio do fenômeno da plasticidade neural. A expressão "por meio de" indica o instrumento, o mecanismo pelo qual algo acontece. A simbiose é o estado resultante; a plasticidade neural é o processo que a viabiliza. Portanto, a plasticidade é a causa (ou condição) e a simbiose é a consequência. As demais alternativas ou invertem a ordem, ou apresentam relação de outra natureza (finalidade, enumeração, caracterização).

"estabelecendo uma verdadeira simbiose que pode afetar profundamente o cérebro, por meio do fenômeno da plasticidade neural"

Aqui, o trecho mostra que a simbiose é o efeito do processo de plasticidade neural. A banca explora a confusão entre relação de causa e consequência e outras relações semânticas, como finalidade, enumeração ou simples associação temática. A técnica para resolver: pergunte-se "o que gera o quê?" — se o primeiro termo explica a existência do segundo, é causa; se o segundo é o resultado natural do primeiro, é consequência.

Alternativa A — ❌ Incorreta

"busca de um fim benéfico comum // rígidas normas impostas" (3º parágrafo). No texto, esses elementos aparecem em oposição, não em relação de causa e consequência. O autor contrapõe os atributos humanos (criatividade, compaixão, busca de fim benéfico) às "rígidas normas impostas pela modernidade". A relação é de contraste, não de causa-efeito. A alternativa tangencia o tema ao citar termos do texto, mas inverte a natureza da relação.

Alternativa B — ❌ Incorreta

"Eles incluem a imensa criatividade // falsa utopia dominante" (3º parágrafo). O pronome "Eles" retoma "atributos" (criatividade, intuição, compaixão etc.), que são enumerados, não causados pela "falsa utopia dominante". A relação é de enumeração (o autor lista os atributos) e, depois, de oposição (a utopia é o que o cérebro aceitaria em troca). Não há causa e consequência entre os dois segmentos. A alternativa troca o conceito: confunde lista com relação causal.

Alternativa C — ❌ Incorreta

"nossos computadores orgânicos // programados por sinais externos" (1º parágrafo). Aqui, "programados por sinais externos" é uma característica atribuída aos "computadores orgânicos" (o cérebro). A relação é de predicação (o que se diz do cérebro), não de causa e consequência. O texto afirma que o cérebro "não opera como um computador digital, mas isso não impede que esses nossos computadores orgânicos sejam programados por sinais externos". A alternativa restringe o sentido ao tratar uma caracterização como relação causal.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"fenômeno da plasticidade neural // uma verdadeira simbiose" (1º parágrafo). Como demonstrado, a simbiose é o efeito que se estabelece por meio da plasticidade neural. A plasticidade é o mecanismo causal; a simbiose é o resultado. A ordem pedida (causa → consequência) é exatamente a apresentada. A alternativa é a única que sustenta a relação semântica exigida pelo enunciado.

Alternativa E — ❌ Incorreta

"recompensas maiores // convivência contínua com computadores" (2º parágrafo). No texto, a ordem é inversa: primeiro o autor fala da "convivência contínua com computadores" e, depois, menciona que o cérebro seria ludibriado a acreditar que "recompensas maiores seriam auferidas". A convivência é a causa; as recompensas maiores são a consequência (o que o cérebro espera obter). A alternativa inverte a ordem — apresenta consequência antes da causa, contrariando o comando.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a inversão da ordem e a confusão entre relação de causa e consequência e outras relações (enumeração, caracterização, oposição). A letra E é a mais traiçoeira, pois os termos existem no texto, mas em ordem invertida.

PEGA ESSA DICA!

Ao identificar causa e consequência, pergunte: "o que gera o quê?" Se o primeiro termo explica o segundo, é causa; se o segundo é o resultado natural do primeiro, é consequência. Desconfie de alternativas que citam termos do texto, mas invertem a ordem ou trocam a natureza da relação.

Gabarito: letra D.

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