Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — FCC 2025
Português›Interpretação de Textos (Compreensão)
Código
fc149779
Banca
FCC
Órgão
TRF 4
Ano
2025
Cargo
TJ TRF4
Considere o poema de José Miguel Wisnik para responder à questão abaixo.
O anel que tu me deste
Não guardei nem esqueci
Ele nunca se quebrou
Fui eu que me perdi
O anel que tu me lembras
Meu escuro escondeu
Ele nunca se partiu
Quem partiu de si fui eu
Eu ainda não sabia
Que existia o puro dom
Que era feito de verdade
Desapego e solidão
Tudo então que nos unia
Numa voz e uma canção
Nele brilha solitário
Diamante escuridão
Sob a luz estroboscópica
Do agito de um salão
Que ainda dança a nossa volta
Com as décadas que se vão
Retiraste de teu dedo
Sem nenhuma hesitação
e o puseste com cuidado
Na palma da minha mão
Era a luz alucinada
De um estranho festival
Nada ali anunciava
O teu gesto e o cristal
O amor que tu me tinhas
Não tem nome nem lugar
Luz que vem da mesma liga
Do anel a nos ligar
(O anel. José Miguel Wisnik)
Um dos temas do poema é
Ao contraste entre a permanência do anel e a fragmentação interior do eu lírico.
Ba devoção a um anel mágico, anulador do tempo e da distância entre os amantes.
Ca celebração do amor que perdura, simbolizado por um sólido anel de diamante.
Da crítica à impermanência dos bens materiais diante da feagilidade do afeto.
Ea exaltaçao da juventude, representada pelo cenário de um festival.
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GabaritoA — o contraste entre a permanência do anel e a fragmentação interior do eu lírico.
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O tema do poema: a permanência do anel e a fragmentação do eu lírico
Gabarito: letra A. O poema de José Miguel Wisnik desenvolve, do início ao fim, o contraste entre a permanência do anel — objeto que "nunca se quebrou" e "nunca se partiu" — e a fragmentação interior do eu lírico, que se perdeu e partiu de si mesmo. Essa oposição está explícita já na primeira estrofe: "O anel que tu me deste / Não guardei nem esqueci / Ele nunca se quebrou / Fui eu que me perdi". A alternativa A é a única que capta esse eixo temático central.
O comando: identificar o tema
A questão pede "um dos temas do poema". Isso é uma tarefa de compreensão global: você precisa sintetizar a ideia central que perpassa o texto, não localizar um detalhe isolado. Em um poema lírico, o tema costuma emergir da repetição de imagens e da relação entre elas. Aqui, a imagem do anel (que permanece íntegro) se contrapõe à voz do eu lírico (que se reconhece perdido, partido). Essa oposição é o coração do poema.
O texto: o anel que permanece, o eu que se fragmenta
O poema é construído sobre um paralelo constante:
"Ele nunca se quebrou / Fui eu que me perdi"
"Ele nunca se partiu / Quem partiu de si fui eu"
O anel é descrito como algo que resiste ao tempo — "não guardei nem esqueci", "nunca se quebrou", "nunca se partiu". Já o eu lírico se apresenta em estado de perda e desagregação: "me perdi", "partiu de si fui eu". Essa contraposição entre a solidez do objeto e a fragilidade do sujeito é o que dá unidade temática ao poema. As estrofes seguintes reforçam: o anel "brilha solitário / Diamante escuridão", enquanto o eu lírico confessa "Eu ainda não sabia / Que existia o puro dom". O gesto final — "Retiraste de teu dedo / Sem nenhuma hesitação / e o puseste com cuidado / Na palma da minha mão" — mostra a entrega do anel, mas o eu lírico permanece em estado de perda, como indica a última estrofe: "O amor que tu me tinhas / Não tem nome nem lugar".
A técnica: como identificar o tema em um poema
Para identificar o tema, pergunte: sobre o que o texto fala do começo ao fim? Não se prenda a uma imagem isolada (o anel, o diamante, o festival); busque a relação que o autor estabelece entre elas. No poema, o anel é o símbolo da permanência, e o eu lírico, o da transitoriedade e da perda. A alternativa correta precisa refletir essa oposição, não apenas um dos polos.
Tema do poema
1Contraste central
Anel (permanência)
"nunca se quebrou"
"nunca se partiu"
Eu lírico (fragmentação)
"Fui eu que me perdi"
"Quem partiu de si fui eu"
2Desfecho
Entrega do anel
Amor "sem nome nem lugar"
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa A afirma que um dos temas é "o contraste entre a permanência do anel e a fragmentação interior do eu lírico". Isso está literalmente no texto: o anel "nunca se quebrou" e "nunca se partiu", enquanto o eu lírico diz "Fui eu que me perdi" e "Quem partiu de si fui eu". A palavra "fragmentação" é uma paráfrase de "me perdi" e "partiu de si". Não há extrapolação: a oposição é o eixo central do poema.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A alternativa B fala em "devoção a um anel mágico, anulador do tempo e da distância entre os amantes". O texto não menciona magia nem anulação do tempo ou da distância. O anel é descrito como algo que permanece, mas não como um objeto mágico que aproxima os amantes. Pelo contrário, o eu lírico se perdeu, e o amor "não tem nome nem lugar". A alternativa extrapola ao acrescentar a ideia de anulação do tempo e da distância, que não está no poema.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A alternativa C fala em "celebração do amor que perdura, simbolizado por um sólido anel de diamante". O poema não celebra o amor que perdura; ele mostra o eu lírico perdido e o amor sem nome nem lugar. O anel é "diamante escuridão", não um símbolo de amor duradouro. A alternativa contradiz o texto ao inverter o sentido: o amor não perdura, o eu lírico se perdeu.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A alternativa D fala em "crítica à impermanência dos bens materiais diante da fragilidade do afeto". O texto não faz crítica a bens materiais; o anel é símbolo de permanência, não de impermanência. Além disso, o afeto não é descrito como frágil — o eu lírico é que se perdeu. A alternativa extrapola ao introduzir uma crítica social que não está no poema.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A alternativa E fala em "exaltação da juventude, representada pelo cenário de um festival". O festival aparece apenas como cenário: "Sob a luz estroboscópica / Do agito de um salão". Não há exaltação da juventude; o festival é pano de fundo para o gesto de entrega do anel. A alternativa tangencia o texto ao focar em um elemento periférico e atribuir-lhe um valor que o poema não confere.
Conclusão
A questão pede o tema central, e a única alternativa que o reflete integralmente é a A. As demais ou extrapolam (B, D), contradizem (C) ou tangenciam (E) o texto. Lembre-se: em questões de tema, a resposta é a que sintetiza a relação entre as imagens, não a que repete uma imagem isolada.
PEGA ESSA DICA!
Ao identificar o tema de um poema, sublinhe as palavras que se repetem e observe a relação entre elas. Aqui, "anel" e "eu" se opõem: o anel permanece, o eu se perde. Essa oposição é o tema.