Existe um setor do nosso sistema de justiça que trabalha em nome de reconciliação. Ele atua mediando conflitos de todo tipo. Ele busca uma sociedade reconciliada, livre e madura. Eu não sabia de sua existência até ser convidada para palestrar num encontro de mulheres sobre o tema da Justiça Restaurativa, realizado em Brasília. Quando me dediquei a estudar o assunto, fiquei absolutamente perplexa e emocionada.
Qualquer pessoa que já se propôs a enfrentar um processo de reconciliação na vida, em qualquer escala, sabe que a empreitada não é fácil. Muitas vezes, ao encarar "o outro lado", a gente se dá conta de estar olhando no espelho e essa revelação é perturbadora.
Não se trata aqui de diminuir a gravidade de crimes cometidos e a responsabilidade do criminoso. Muito pelo contrário. Trata-se de uma tentativa honesta de reconciliar um país e de compreender que estruturas de poder segregacionistas produzem segregação e autorizam comportamentos. Como disse Nelson Mandela: se sabemos como ensinar pessoas a odiar umas ás outras também podemos ensiná-las a amar.
A justiça restaurativa é um conjunto ordenado e sistêmico de princípios, métodos, técnicas e atividades próprias, que visa à conscientização sobre os fatores relacionais, institucionais e sociais motivadores de conflitos. É um conceito que implica a sociedade na formação das pessoas que nela vivem. É a ideia de que a sociedade é corresponsável pelos crimes que seus membros cometem. Como poderia ser diferente? Uma sociedade que se quer inocente dos horrores que dentro dela operam não é uma sociedade justa e igualitária.
A luta pela reconciliação encontra abrigo nesse setor da justiça, e acredita que a reconciliação se faz por restauração do diálogo e não por cancelamentos ou prisões. O poder da transformação positiva de pessoas e de comunidades não será o que temos de mais humano?
(Adaptado de: LACOMBE. Milly. São Paulo: Folha de S. Paulo. 27/03/25)
É inteiramente aceitável esta nova pontuação de uma frase do texto:
AÉ um conceito, que implica a sociedade: na formação das pessoas que nela vivem. (4º parágrafo)
Bacredita que a reconciliação se faz por restauração do diálogo, e não por cancelamentos, ou prisões. (5º parágrafo)
CQuando me dediquei, a estudar o assunto, fiquei absolutamente perplexa, e emocionada. (1º parágrafo)
Da gente se dá conta: de estar olhando no espelho, e essa revelação, é perturbadora. (2º parágrafo)
Ese sabemos como ensinar pessoas, a odiar umas às outras, também podemos ensiná-las a amar. (3º parágrafo)
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GabaritoB — acredita que a reconciliação se faz por restauração do diálogo, e não por cancelamentos, ou prisões. (5º parágrafo)
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Pontuação: a vírgula que separa e a que não pode separar
Gabarito: letra B. A única reescritura inteiramente aceitável é a que mantém a vírgula antes do "e" adversativo e isola o adjunto adverbial "ou prisões" — exatamente o que a alternativa B faz. As demais alternativas cometem o erro clássico de separar o verbo de seu complemento ou o sujeito de seu verbo, o que a norma culta proíbe. A passagem original do 5º parágrafo — "a reconciliação se faz por restauração do diálogo e não por cancelamentos ou prisões" — autoriza a nova pontuação proposta, pois a vírgula antes de "e" marca a oposição (adversativa) e a segunda vírgula isola o adjunto deslocado.
A questão pede que você avalie se a nova pontuação de cada frase é aceitável. Isso significa que você não deve apenas conferir se a frase está correta, mas se a reorganização dos sinais mantém a estrutura sintática e o sentido originais. O comando "é inteiramente aceitável" exige que a reescritura não viole nenhuma regra de pontuação — e é aí que a maioria das alternativas falha.
O texto-base trata da justiça restaurativa e da reconciliação. No 5º parágrafo, a autora afirma que a reconciliação se faz "por restauração do diálogo e não por cancelamentos ou prisões". A alternativa B reescreve essa passagem com duas vírgulas: uma antes de "e" e outra antes de "ou prisões". A primeira vírgula é aceitável porque o "e" aqui tem valor adversativo (equivale a "mas"), e a norma permite — e até recomenda — a vírgula nesse caso. A segunda vírgula isola o adjunto adverbial "ou prisões", que foi deslocado para o final da oração, o que também é permitido.
A técnica central para resolver esta questão é conhecer os casos proibidos de vírgula: não se separa o sujeito do verbo, o verbo do complemento, o nome do adjunto adnominal, nem a conjunção subordinativa do restante da oração. As alternativas A, C, D e E violam exatamente essas proibições, separando termos que devem permanecer unidos. A alternativa B, ao contrário, usa a vírgula apenas em casos facultativos ou recomendados, preservando a integridade sintática da frase.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre os usos facultativos e os proibidos da vírgula. Em A, C, D e E, a vírgula separa o verbo de seu complemento ou o sujeito de seu verbo — erro grave. Em B, a vírgula antes do "e" adversativo e a que isola o adjunto são legítimas. A armadilha está em achar que qualquer vírgula "soa bem" é aceitável, sem verificar a função sintática.
Vírgula: casos proibidos
1Sujeito × verbo
"um conceito, que implica"
"essa revelação, é"
2Verbo × complemento
"dediquei, a estudar"
"ensinar pessoas, a odiar"
3Nome × adjunto adnominal
4Conjunção × restante da oração
5Vírgula: casos permitidos
Antes de "e" adversativo
"diálogo, e não por cancelamentos"
Isolar adjunto deslocado
"cancelamentos, ou prisões"
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Alternativa A — ❌ Incorreta
"É um conceito, que implica a sociedade: na formação das pessoas que nela vivem."
A vírgula após "conceito" separa o sujeito ("um conceito") do verbo ("implica"), o que é proibido. A oração adjetiva "que implica a sociedade" é restritiva — restringe o sentido de "conceito" — e, por isso, não pode ser isolada por vírgula. Além disso, os dois-pontos após "sociedade" quebram a estrutura, pois "na formação das pessoas" é complemento do verbo "implicar" (implica a sociedade na formação), e não uma explicação que justifique os dois-pontos. Erro: separar sujeito de verbo e usar dois-pontos indevidamente.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
"acredita que a reconciliação se faz por restauração do diálogo, e não por cancelamentos, ou prisões."
A primeira vírgula, antes de "e", é aceitável porque o "e" tem valor adversativo (equivale a "mas") — a reconciliação se faz por diálogo, e não por cancelamentos. A norma permite a vírgula antes de "e" quando há oposição. A segunda vírgula, antes de "ou prisões", isola o adjunto adverbial "ou prisões", que foi deslocado para o final. Nenhuma regra é violada: o sujeito, o verbo e os complementos permanecem unidos. A reescritura é inteiramente aceitável.
Alternativa C — ❌ Incorreta
"Quando me dediquei, a estudar o assunto, fiquei absolutamente perplexa, e emocionada."
A vírgula após "dediquei" separa o verbo ("dediquei") de seu complemento ("a estudar o assunto"), o que é proibido. A locução "a estudar" é objeto indireto do verbo "dedicar-se" e não pode ser isolada por vírgula. A vírgula antes de "e emocionada" também é inadequada, pois "perplexa e emocionada" são predicativos do sujeito coordenados — não há razão para separá-los. Erro: separar verbo de complemento e coordenar termos sem necessidade.
Alternativa D — ❌ Incorreta
"a gente se dá conta: de estar olhando no espelho, e essa revelação, é perturbadora."
Os dois-pontos após "conta" são inadequados, pois "de estar olhando no espelho" é complemento do verbo "dar-se conta" (dar-se conta de algo), e não uma explicação ou citação que justifique os dois-pontos. A vírgula antes de "e essa revelação" separa orações com sujeitos diferentes, o que é permitido, mas a vírgula após "revelação" separa o sujeito ("essa revelação") do verbo ("é"), o que é proibido. Erro: usar dois-pontos indevidamente e separar sujeito de verbo.
Alternativa E — ❌ Incorreta
"se sabemos como ensinar pessoas, a odiar umas às outras, também podemos ensiná-las a amar."
A vírgula após "pessoas" separa o verbo ("ensinar") de seu complemento ("a odiar umas às outras"), o que é proibido. O verbo "ensinar" exige objeto direto ("pessoas") e objeto indireto ("a odiar"), e esses complementos não podem ser separados por vírgula. A segunda vírgula, após "outras", também isola indevidamente o complemento do verbo. Erro: separar verbo de complemento.
PEGA ESSA DICA!
Antes de marcar, identifique a função sintática dos termos ao redor da vírgula. Pergunte: "a vírgula separa o sujeito do verbo? o verbo do complemento?" Se sim, a pontuação é proibida. A alternativa correta é a única que usa a vírgula apenas em casos facultativos ou recomendados.
A regra de ouro desta questão: a vírgula não é pausa para respirar, é marcador de função sintática. Toda vírgula que separa termos que devem permanecer unidos — sujeito-verbo, verbo-complemento, nome-adjunto — é erro. A alternativa B é a única que respeita essa regra, usando a vírgula antes do "e" adversativo e isolando o adjunto deslocado.