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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — FCC 2025

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
fc149784
Banca
FCC
Órgão
MPE PI
Ano
2025
Cargo
Ana Min ( )

"O  Inferno são os outros" - diz esse desagradável senhor Sartre no final de Huis Cios, e eu respondo: "eu que o diga!"C Hoje estou com pendor para confissões; vontade de abrir meu peito em praça pública;B quem for pessoa discreta, e se aborrecer com derrames desses, tenha a bondade de não continuar a ler Isto.D

 

Conheci um homem que estava tão apaixonado, tão apaixonado por uma mulher (acho que ela não gostava dele), que uma vez estávamos nós dois num bar e no melo da conversa ele disse fremente:

 

- Isso é o maior verso da língua portuguesa!E

 

Fiquei pateta, pois não escutara verso nenhum. Ele então pediu silêncio, e que ouvisse.A Havia conversas na mesa ao lado, ruídos vários lá dentro, autos e ônibus que passavam, um bonde na outra rua, um violoncelo tocando num rádio qualquer, e lá no finzinho disso, longe, longe, um outro rádio com o samba que mal se podia ouvir e só era reconhecível pelos fragmentos de música que nos chegavam. O maior verso da língua portuguesa estava na letra daquele samba e avisava que "Emílla, Emília, Emília, eu não posso mais".

 

(Adaptado de: BRAGA. Rubem. 200 crônicas escolhidas. Rio de Janeiro: Record, 2017)

Considere o início da crônica "Sobre o inferno", de Rubem Braga, para responder à questão abaixo.   O cronista dirige-se diretamente a seu leitor (incluindo-o no próprio texto de sua crônica) no seguinte trecho:
  1. AFiquei pateta, pois não escutara verso nenhum. Ele então pediu silêncio, e que ouvisse.
  2. BHoje estou com pendor para confissões; vontade de abrir meu peito em praça pública;
  3. C"O Inferno são os outros" - diz esse desagradável senhor Sartre no final de Huis Cios, e eu respondo: "eu que o diga!"
  4. Dquem for pessoa discreta, e se aborrecer com derrames desses, tenha a bondade de não continuar a ler Isto.
  5. Eestávamos nós dois num bar e no melo da conversa ele disse fremente: - Isso é o maior verso da língua portuguesa!
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GabaritoD — quem for pessoa discreta, e se aborrecer com derrames desses, tenha a bondade de não continuar a ler Isto.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Interlocução direta com o leitor na crônica de Rubem Braga

Gabarito: letra D. O trecho em que o cronista se dirige diretamente ao leitor é "quem for pessoa discreta, e se aborrecer com derrames desses, tenha a bondade de não continuar a ler Isto." A marca da interlocução está no pronome indefinido "quem" (que aponta para o leitor) e no imperativo "tenha a bondade" (ordem/pedido endereçado a esse leitor). Como se lê no início da crônica, o autor interrompe a confissão para avisar o leitor: se ele se incomoda, que pare de ler.

O comando pede que você identifique o trecho em que o cronista "dirige-se diretamente a seu leitor (incluindo-o no próprio texto)". Isso é uma questão de compreensão (recorrência): a resposta está explícita, basta localizar a passagem em que há um vocativo, um pronome de segunda pessoa ou um imperativo que envolva o leitor na situação. Não é preciso inferir nada — é reconhecer o recurso de interlocução.

No texto, o cronista começa confessando que está com vontade de "abrir o peito em praça pública" e, logo em seguida, faz um aviso direto ao leitor: quem for discreto e se aborrecer com esses "derrames" (confissões) que não continue lendo. Esse é o único trecho em que o leitor é chamado e incluído no discurso, por meio do pronome "quem" e do verbo no imperativo "tenha". As demais alternativas narram fatos, citam Sartre ou reproduzem falas de terceiros — nenhuma se dirige ao leitor.

A técnica para resolver: sublinhe os pronomes e verbos que indicam pessoa do discurso. O pronome "quem" é um pronome relativo indefinido que, aqui, funciona como sujeito de uma oração que se refere ao leitor. O imperativo "tenha" é a forma verbal típica da função apelativa (ou conativa) da linguagem, cujo objetivo é influenciar o comportamento do interlocutor. Quando o cronista escreve "tenha a bondade de não continuar a ler", ele está, ao mesmo tempo, reconhecendo a presença do leitor e dando-lhe uma instrução — isso é interlocução direta.

"quem for pessoa discreta, e se aborrecer com derrames desses, tenha a bondade de não continuar a ler Isto."

A passagem citada é a prova textual: o pronome "quem" e o imperativo "tenha" só fazem sentido se houver um interlocutor a quem se fala. As outras alternativas, embora contenham diálogos (como a fala do amigo no bar) ou citações (Sartre), não estabelecem esse canal direto com o leitor — são narrativas ou citações que não o incluem.

1Marcas linguísticas
Pronome "quem" (indefinido)
Imperativo "tenha" (função apelativa)
2Efeito
Inclui o leitor no texto
Dá instrução ao leitor
3Confusão comum
Diálogo entre personagens ≠ interlocução com o leitor
Interlocução direta com o leitor
LEVELsoulevel.com.br
Interlocução direta com o leitor: Marcas linguísticas (Pronome "quem" (indefinido), Imperativo "tenha" (função apelativa)); Efeito (Inclui o leitor no texto, Dá instrução ao leitor); Confusão comum (Diálogo entre personagens ≠ interlocução com o leitor)

Alternativa A — ❌ Incorreta

"Fiquei pateta, pois não escutara verso nenhum. Ele então pediu silêncio, e que ouvisse."

Aqui o cronista narra sua reação e a fala do amigo. O pronome "ele" refere-se ao amigo, não ao leitor. Não há nenhum elemento que inclua o leitor como destinatário da mensagem. É uma narrativa em 1ª pessoa que relata um episódio, sem apelo direto. Erro: tangencia o tema — fala de um diálogo, mas não com o leitor.

Alternativa B — ❌ Incorreta

"Hoje estou com pendor para confissões; vontade de abrir meu peito em praça pública;"

O cronista expressa sua intenção de se confessar, mas não se dirige a ninguém especificamente. A expressão "em praça pública" é uma metáfora de exposição, não um chamado ao leitor. Não há pronome de tratamento, imperativo ou vocativo. Erro: extrapola — o leitor pode se sentir incluído, mas o texto não o convoca diretamente.

Alternativa C — ❌ Incorreta

"O Inferno são os outros" - diz esse desagradável senhor Sartre no final de Huis Cios, e eu respondo: "eu que o diga!"

Aqui o cronista cita Sartre e responde a ele, mas o interlocutor é o filósofo (ou o leitor que conhece a citação), não o leitor da crônica. O pronome "eu" refere-se ao cronista; não há nenhum elemento que inclua o leitor como destinatário. Erro: contradiz o texto — a fala é dirigida a Sartre, não ao leitor.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"quem for pessoa discreta, e se aborrecer com derrames desses, tenha a bondade de não continuar a ler Isto."

O pronome "quem" é um pronome relativo indefinido que, no contexto, funciona como sujeito de uma oração que se refere ao leitor. O verbo "tenha" está no modo imperativo, que é a forma verbal típica da função apelativa (ou conativa) da linguagem, cujo objetivo é influenciar o comportamento do interlocutor. Quando o cronista escreve "tenha a bondade de não continuar a ler", ele está, ao mesmo tempo, reconhecendo a presença do leitor e dando-lhe uma instrução — isso é interlocução direta. A passagem é a única que inclui o leitor no próprio texto, como pede o enunciado.

Alternativa E — ❌ Incorreta

"estávamos nós dois num bar e no melo da conversa ele disse fremente: - Isso é o maior verso da língua portuguesa!"

O cronista narra um diálogo com um amigo. O pronome "nós" refere-se ao cronista e ao amigo, não ao leitor. Não há nenhum elemento que inclua o leitor como destinatário. Erro: tangencia o tema — há diálogo, mas entre personagens, não com o leitor.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre diálogo (entre personagens) e interlocução (com o leitor). A alternativa C parece tentadora por citar Sartre, mas o cronista responde a Sartre, não ao leitor. A alternativa D é a única que usa o imperativo "tenha" e o pronome "quem" para incluir o leitor.

PEGA ESSA DICA!

Em questões de interlocução, procure pronomes de 2ª pessoa (tu/você), imperativos (faça, tenha, leia) ou vocativos (leitor, amigo). Se o texto usa "quem" + imperativo, é quase certo que há apelo direto.

Conclusão: a única alternativa que apresenta o cronista se dirigindo diretamente ao leitor é a letra D, pois nela o pronome "quem" e o imperativo "tenha" estabelecem um canal de comunicação direto com o leitor, incluindo-o no texto. As demais narram fatos, citam terceiros ou reproduzem diálogos entre personagens, sem envolver o leitor.

Gabarito: letra D

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