Questão de Português — Tipos de Discurso (Direto, Indireto e Indireto Livre) — FCC 2025
Português›Tipos de Discurso (Direto, Indireto e Indireto Livre)
Código
fc149787
Banca
FCC
Órgão
MPE PI
Ano
2025
Cargo
Ana Min ( )
"O Inferno são os outros" - diz esse desagradável senhor Sartre no final de Huis Cios, e eu respondo: "eu que o diga!" Hoje estou com pendor para confissões; vontade de abrir meu peito em praça pública; quem for pessoa discreta, e se aborrecer com derrames desses, tenha a bondade de não continuar a ler Isto.
Conheci um homem que estava tão apaixonado, tão apaixonado por uma mulher (acho que ela não gostava dele), que uma vez estávamos nós dois num bar e no melo da conversa ele disse fremente:
- Isso é o maior verso da língua portuguesa!
Fiquei pateta, pois não escutara verso nenhum. Ele então pediu silêncio, e que ouvisse. Havia conversas na mesa ao lado, ruídos vários lá dentro, autos e ônibus que passavam, um bonde na outra rua, um violoncelo tocando num rádio qualquer, e lá no finzinho disso, longe, longe, um outro rádio com o samba que mal se podia ouvir e só era reconhecível pelos fragmentos de música que nos chegavam. O maior verso da língua portuguesa estava na letra daquele samba e avisava que "Emílla, Emília, Emília, eu não posso mais".
(Adaptado de: BRAGA. Rubem. 200 crônicas escolhidas. Rio de Janeiro: Record, 2017)
Considere o início da crônica "Sobre o inferno", de Rubem Braga, para responder à questão abaixo.
Ele então pediu silêncio, e que ouvisse.
Ao se transpor o trecho acima para o discurso direto, o verbo sublinhado assume a seguinte forma:
Aouço.
Bouça.
Couviu.
Douvi.
Eouvia.
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoB — ouça.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Transposição de discurso indireto para direto: o imperativo
Gabarito: letra B. Ao transpor "Ele então pediu silêncio, e que ouvisse" para o discurso direto, o verbo sublinhado assume a forma ouça — a 3ª pessoa do singular do imperativo afirmativo. A pista decisiva está no verbo introdutor "pediu": pedir é um verbo de elocução que, no discurso indireto, introduz uma oração subordinada substantiva objetiva direta com verbo no subjuntivo ("que ouvisse"), e, no discurso direto, a fala reproduzida assume a forma de um pedido, ou seja, um imperativo.
O comando: transposição de discurso
A questão pede uma reescritura — converter o trecho do discurso indireto para o discurso direto. Isso não é interpretação de sentido, mas uma operação gramatical com regras fixas de conversão. O comando "Ao se transpor... o verbo sublinhado assume a seguinte forma" exige que você identifique a pessoa do discurso e o modo verbal adequado à nova estrutura. No discurso indireto, a fala da personagem é reportada pelo narrador, geralmente em oração subordinada com conjunção integrante ("que") e verbo no subjuntivo ou indicativo. No discurso direto, a fala é reproduzida literalmente, com a pontuação e o modo verbal originais.
O texto: a cena do bar
No trecho, o narrador conta que o amigo apaixonado "pediu silêncio, e que ouvisse". O verbo "pedir" é um verbo dicendi (de elocução) que introduz o conteúdo do pedido. No discurso indireto, o pedido aparece como oração subordinada substantiva objetiva direta: "que ouvisse". Para transpor ao discurso direto, precisamos reconstruir a fala original do personagem, que seria algo como: "Ouça!". O verbo "ouvir" está na 3ª pessoa do singular porque o personagem se dirige a uma terceira pessoa (o narrador, que está sendo chamado a ouvir).
A técnica: do subjuntivo ao imperativo
A regra central da conversão é: no discurso indireto, o imperativo do discurso direto vira pretérito imperfeito do subjuntivo (ou presente do subjuntivo, dependendo do verbo introdutor). Veja o esquema:
Discurso direto
Discurso indireto
"Ouça!" (imperativo)
...que ouvisse (pret. imperf. do subjuntivo)
"Fique quieto!" (imperativo)
...que ficasse quieto (pret. imperf. do subjuntivo)
No trecho, "que ouvisse" é o pretérito imperfeito do subjuntivo do verbo "ouvir". Para voltar ao discurso direto, devemos converter esse subjuntivo em imperativo afirmativo. A 3ª pessoa do singular do imperativo afirmativo de "ouvir" é "ouça" (você ouça). É exatamente o que a alternativa B apresenta.
1Identificar verbo introdutor
2Reconhecer modo no indireto
3Converter ao modo direto
LEVEL · soulevel.com.br
Alternativa A — ❌ Incorreta
ouço — Esta é a 1ª pessoa do singular do presente do indicativo. No discurso direto, a fala seria "Eu ouço", o que não corresponde ao pedido feito a outra pessoa. O personagem não está dizendo que ele ouve; ele está pedindo que o outro ouça. A forma "ouço" não tem valor de imperativo, logo não reproduz o pedido.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
ouça — Esta é a 3ª pessoa do singular do imperativo afirmativo do verbo "ouvir". No discurso direto, a fala do personagem seria: "Ouça!". A conversão é direta: o pretérito imperfeito do subjuntivo ("ouvisse") do discurso indireto volta ao imperativo ("ouça") no discurso direto. A alternativa está correta.
Alternativa C — ❌ Incorreta
ouviu — Esta é a 3ª pessoa do singular do pretérito perfeito do indicativo. No discurso direto, seria "Ele ouviu", o que descreve uma ação concluída, não um pedido. A forma "ouviu" não tem valor de imperativo e não reproduz a fala do personagem pedindo silêncio.
Alternativa D — ❌ Incorreta
ouvi — Esta é a 1ª pessoa do singular do pretérito perfeito do indicativo. No discurso direto, seria "Eu ouvi", o que novamente não expressa um pedido. A forma "ouvi" não corresponde ao imperativo e não reproduz a fala do personagem.
Alternativa E — ❌ Incorreta
ouvia — Esta é a 1ª ou 3ª pessoa do singular do pretérito imperfeito do indicativo. No discurso direto, seria "Eu ouvia" ou "Ele ouvia", o que descreve uma ação habitual ou contínua no passado, não um pedido. A forma "ouvia" não tem valor de imperativo e não reproduz a fala do personagem.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre os modos verbais. As alternativas erradas trazem formas do indicativo (ouço, ouviu, ouvi, ouvia), que descrevem ações, enquanto a correta exige o imperativo, que expressa pedido. A chave é identificar o verbo introdutor "pediu" e lembrar que pedido, no discurso direto, vira imperativo.
PEGA ESSA DICA!
Ao transpor do indireto para o direto, pergunte-se: "o que a personagem disse literalmente?". Se o verbo introdutor é "pedir", "mandar", "ordenar", "solicitar", a fala original será um imperativo. Se for "dizer", "afirmar", "perguntar", a fala será uma declaração ou pergunta.
Conclusão: a transposição de discurso exige atenção ao modo verbal. No indireto, o imperativo vira subjuntivo; no direto, o subjuntivo volta a imperativo. A única alternativa que apresenta o imperativo correto é a letra B.