Pular para o conteúdo principal

Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — FCC 2025

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
fc149793
Banca
FCC
Órgão
MPE PI
Ano
2025
Cargo
Ana Min ( )

Por maiores que fossem os cuidados do jardineiro, às plantas tanto lhes fazia viver ou morrer. Tanto lhes dava que ele se finasse no sono ou voltasse ao quintal todos os dias. Tanto lhes dava que tivesse encontrado nelas uma razão de viver ou as amasse.

 

Se lhes faltasse a rega, murchariam. Não seria por mal, não o levavam a mal. Nada esperavam dele. Se em vez das mãos do Jardineiro Celestino viessem outras em seu auxílio, decerto notariam, mas não porque se tivessem afeiçoado aos dedos do capitão, ou porque entre homem e Jardim se tivesse estabelecido uma amizade.

 

As plantas não estavam cientes da homologia. Desconheciam a sua forma e a ciência que as governava. Bebiam, existiam. Tinham até meio de se governarem sozinhas e de se manterem num compromisso com a terra, a chuva e o vento. Morresse o homem e, alforriadas, iniciariam a sua tomada da casa.

(ALMEIDA, Djaimilia Pereira de. A visão das plantas. Todavia, edição digitaJ. Adaptado)

Considere o trecho do romance A visão das plantas para responder à questão abaixo.

 

O texto enfatiza que

  1. Ao jardineiro considera um fardo a obrigação de cuidar das plantas.
  2. Bo jardineiro menospreza a fragilidade das plantas.
  3. Cas plantas e o Jardineiro são ligados por recíproca dependência.
  4. Das plantas ressentem-se da falta de cuidados do Jardineiro.
  5. Eas plantas são indiferentes às intenções do jardineiro.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — as plantas são indiferentes às intenções do jardineiro.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

A indiferença das plantas: o que o texto realmente enfatiza

Gabarito: letra E. O texto enfatiza que as plantas são indiferentes às intenções do jardineiro — e isso está explícito logo na abertura: "às plantas tanto lhes fazia viver ou morrer" e "Tanto lhes dava que ele se finasse no sono ou voltasse ao quintal todos os dias". A indiferença é o fio condutor dos três parágrafos: as plantas não esperam nada do jardineiro, não o levam a mal, não se afeiçoam a ele e, se ele morresse, simplesmente "alforriadas, iniciariam a sua tomada da casa". Nenhuma alternativa fala de fardo, menosprezo, dependência recíproca ou ressentimento — todas essas são leituras que o texto não autoriza.

O comando: compreensão, não inferência

O enunciado pede o que o texto enfatiza — ou seja, uma questão de compreensão/recorrência: a resposta é uma paráfrase fiel de uma ideia central, não uma dedução. Isso muda tudo: não podemos "completar" o texto com o que seria plausível no mundo real (jardineiro cansado, plantas carentes etc.). A alternativa correta precisa estar literalmente sustentada por uma passagem. E está: a repetição anafórica de "Tanto lhes fazia / Tanto lhes dava" é o recurso retórico que martela a indiferença das plantas.

O texto: tema, tese e movimento argumentativo

O trecho de Djaimilia Pereira de Almeida constrói uma personificação das plantas para explorar a relação entre elas e o jardineiro. A tese é a autonomia e indiferença vegetal: as plantas não dependem emocionalmente do homem. Veja o movimento:

  • 1º parágrafo: estabelece a indiferença — viver ou morrer, o jardineiro finar-se ou voltar, tudo lhes é indiferente.

  • 2º parágrafo: reforça com a ausência de expectativa — "Nada esperavam dele"; mesmo se outras mãos viessem, não notariam por afeição.

  • 3º parágrafo: coroa com a autonomia — "Tinham até meio de se governarem sozinhas" e, com a morte do homem, "alforriadas, iniciariam a sua tomada da casa".

A palavra-chave que decide a questão é indiferença — e ela aparece disfarçada em expressões como "tanto lhes fazia", "tanto lhes dava", "nada esperavam", "não o levavam a mal".

A técnica: teste cada alternativa perguntando "o texto autoriza isto?"

A armadilha central da banca é a extrapolação com aparência de lógica: as alternativas A, B, C e D atribuem às plantas ou ao jardineiro sentimentos que o texto não menciona. A correta (E) é a única que se limita a parafrasear o que está escrito. Ao ler cada opção, pergunte: onde no texto está dito isso? Se você precisar imaginar, a alternativa está errada.

Alternativa A — ❌ Incorreta

"Por maiores que fossem os cuidados do jardineiro, às plantas tanto lhes fazia viver ou morrer."

O texto diz que os cuidados eram grandes ("por maiores que fossem"), mas não que o jardineiro os considerava um fardo. A palavra "fardo" embute um juízo de valor (cansaço, obrigação pesada) que não aparece em nenhuma linha. A alternativa extrapola: acrescenta um sentimento do jardineiro que o texto não expressa.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Não há nenhuma passagem em que o jardineiro menospreze a fragilidade das plantas. O texto fala da indiferença das plantas em relação ao jardineiro, não o contrário. A alternativa inverte o sujeito da ação: quem é indiferente são as plantas, não o homem. É uma troca de referente — o texto nunca diz que o jardineiro despreza ou subestima as plantas.

Alternativa C — ❌ Incorreta

"Nada esperavam dele."

A ideia de dependência recíproca é frontalmente negada pelo texto. As plantas não esperam nada do jardineiro e, mais ainda, "tinham até meio de se governarem sozinhas". A alternativa contradiz o texto: afirma uma relação de interdependência que o autor desmonta explicitamente. A única dependência mencionada é a rega ("Se lhes faltasse a rega, murchariam"), mas isso é necessidade física, não vínculo afetivo ou recíproco.

Alternativa D — ❌ Incorreta

"Não seria por mal, não o levavam a mal."

O texto é explícito: as plantas não ressentem a falta de cuidados. A alternativa contradiz o texto ao atribuir um sentimento de mágoa que o autor nega com todas as letras. "Ressentir-se" implica uma reação emocional negativa — exatamente o oposto da indiferença que o texto martela.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"às plantas tanto lhes fazia viver ou morrer" / "Tanto lhes dava que ele se finasse no sono ou voltasse ao quintal todos os dias" / "Nada esperavam dele."

A alternativa E é a paráfrase perfeita da tese central. "Indiferentes às intenções do jardineiro" resume: (1) a indiferença à vida ou morte ("tanto lhes fazia"); (2) a indiferença à presença ou ausência dele ("tanto lhes dava"); (3) a ausência de expectativa ("nada esperavam"). Não acrescenta nada, não tira nada — é exatamente o que o texto enfatiza.

NÃO CAIA NESSA!

A banca aposta que você vai projetar sentimentos humanos nas plantas (ressentimento, dependência) ou no jardineiro (fardo, menosprezo). O texto, porém, é construído para mostrar o oposto: a autonomia indiferente das plantas. Desconfie de qualquer alternativa que atribua emoção a quem o texto descreve como alheio.

PEGA ESSA DICA!

Em questões de "o texto enfatiza", grife as repetições e os termos absolutos ("tanto", "nada", "nenhum"). Eles costumam apontar a ideia central. Aqui, a repetição de "tanto lhes fazia/dava" é a chave.

Gabarito: letra E — a única alternativa inteiramente sustentada pelo texto, sem extrapolação, inversão ou contradição.

Link permanente: /questoes/fc149793