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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — FCC 2025

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
fc149796
Banca
FCC
Órgão
SEFAZ PI
Ano
2025
Cargo
ATE ( )

Perigo da Inteligência Artificial (IA) não vem dos robôs, mas de nós

 

Em seu livro mais recente, “The AI Mirror” (“O espelho da IA”), a filósofa americana Shannon Vallor sustenta que o perigo oferecido pela inteligência artificial é muito diferente do que se costuma imaginar. O “risco existencial” para nossa espécie não viria da progressiva substituição de gente por máquinas, geradora de desemprego e, no limite, de nossa extinção. O perigo estaria em nós mesmos, em nosso enamoramento pela imagem que a IA reflete, como o de Narciso em seu lago.

 

Especialista em ética da tecnologia, a autora acredita que, se não abrirmos o olho, veremos “os poderes e virtudes mais vigorosos da espécie — nossa capacidade de pensamento criativo, ambição moral, imaginação política e, acima de tudo, sabedoria — serem afogados no espelho da IA”. Afogados porque rendidos, entregues de graça ou em troca de miçangas coloridas. Terceirizados, por narcisismo e preguiça, a algoritmos que se baseiam no que decidimos no passado para decidir em nosso nome no futuro. Decidir tudo: escolher gente para vagas de emprego, prender gente com base em reconhecimento facial, dosar fluxos de socorro humanitário para populações flageladas, resumir um grosso relatório em meia página.

 

Mas qual seria o problema disso tudo, ferramentas que podem ser tão úteis na solução de problemas? Segundo a autora, o risco é nada menos que a estagnação da espécie. Junto com o poder de decidir, estamos abrindo mão do domínio dos próprios meios para a tomada de decisões: escrever, fazer contas, projetar, raciocinar, escolher.

 

Todas as tecnologias sempre desafiaram moralmente os seres humanos, levando-os a conceber novos valores e formas de viver em sociedade. A seta sempre apontou para o futuro — até agora. “Precisamos abraçar, renovar e aprofundar esse aprendizado moral”, prega a autora, “porque a IA representa uma forte tentação de esquecê-lo, aceitando em seu lugar um reflexo pálido e estático daquilo que um dia soubemos a nosso respeito. Estamos diante de crises planetárias e civilizacionais que a humanidade nunca enfrentou antes. Você planejará sua escalada de uma montanha perigosa e desconhecida olhando pelo espelho, para aquilo que ficou para trás?”

 

(Adaptado de: RODRIGUES, Sérgio. Folha de S.Paulo. 02/04/2025.)

A afirmação A seta sempre apontou para o futuro (4º parágrafo) está considerando o fato de que

  1. Aa marcha da civilização sempre se fez como aperfeiçoamento da espécie humana, não conhecendo retrocessos.
  2. Ba tendência histórica e moral da tecnologia é visar a um futuro melhor, ameaçada agora pelas tentações da IA.
  3. Ca IA tem-se voltado exclusivamente para os tempos vindouros, abandonando preciosas conquistas do nosso passado.
  4. Do endeusamento narcísico que acomete o homem moderno projeta um futuro pouco auspicioso para a ciência.
  5. Ea obsessão pelo futuro incontornável da IA leva o homem a negligenciar seus próprios fundamentos éticos.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — a tendência histórica e moral da tecnologia é visar a um futuro melhor, ameaçada agora pelas tentações da IA.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

A metáfora da seta: o que o texto realmente afirma

Gabarito: letra B. A frase "A seta sempre apontou para o futuro" (4º parágrafo) é uma metáfora que resume a ideia de que, historicamente, a tecnologia sempre impulsionou a humanidade em direção a um futuro melhor — e é exatamente essa tendência que a IA ameaça interromper. A alternativa B é a única que capta esse sentido sem extrapolar: ela afirma que a tecnologia tem "tendência histórica e moral" de visar a um futuro melhor, "ameaçada agora pelas tentações da IA", o que está em perfeita sintonia com o texto.

O comando pede que você considere o fato de que a seta sempre apontou para o futuro — ou seja, quer que você infira o que essa metáfora significa no contexto. Não é uma questão de localizar uma informação explícita, mas de depreender o sentido que o autor atribui à imagem. A resposta não está escrita literalmente; ela está pressuposta na comparação entre o passado (tecnologias que apontavam para o futuro) e o presente (IA que nos faz olhar para trás, para o espelho).

O texto desenvolve uma tese clara: o perigo da IA não está nos robôs, mas em nós mesmos, no nosso "enamoramento pela imagem que a IA reflete". No 4º parágrafo, o autor contrasta o comportamento histórico das tecnologias com o da IA:

"Todas as tecnologias sempre desafiaram moralmente os seres humanos, levando-os a conceber novos valores e formas de viver em sociedade. A seta sempre apontou para o futuro — até agora."

A expressão "até agora" é a chave: ela indica que a seta sempre apontou para o futuro, mas que essa trajetória está sendo interrompida pela IA, que nos faz olhar para trás, para o espelho. A alternativa B capta exatamente essa dualidade: a tendência histórica (a seta apontando para o futuro) e a ameaça atual (a IA nos tentando a esquecer esse aprendizado moral).

A técnica para resolver: teste cada alternativa perguntando se ela está ancorada no texto ou se acrescenta algo de fora. A correta é a única que se limita ao que o texto autoriza — nem mais, nem menos. As demais ou extrapolam (afirmam coisas que o texto não diz) ou contradizem o texto (invertem o sentido da metáfora).

Alternativa A — ❌ Incorreta

Erro: extrapolação. A alternativa afirma que a marcha da civilização "sempre se fez como aperfeiçoamento da espécie humana, não conhecendo retrocessos". O texto não diz que não houve retrocessos; ele apenas afirma que as tecnologias "sempre desafiaram moralmente os seres humanos" e que a seta "sempre apontou para o futuro". A palavra "sempre" aqui é usada em sentido amplo, mas a alternativa a transforma em uma afirmação absoluta e otimista que o texto não sustenta. Além disso, o texto não fala em "aperfeiçoamento da espécie" — isso é uma ideia que o candidato traz de fora.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A correta é uma paráfrase fiel da tese do texto. O texto afirma que as tecnologias sempre apontaram para o futuro ("A seta sempre apontou para o futuro") e que a IA representa uma "forte tentação de esquecê-lo" (o aprendizado moral). A alternativa B diz exatamente isso: a tecnologia tem uma "tendência histórica e moral" de visar a um futuro melhor, e essa tendência está "ameaçada agora pelas tentações da IA". A palavra "tentações" remete diretamente ao trecho "forte tentação de esquecê-lo". Não há extrapolação: tudo está ancorado no texto.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Erro: contradiz o texto. A alternativa afirma que a IA "tem-se voltado exclusivamente para os tempos vindouros", mas o texto diz exatamente o oposto: a IA nos faz olhar para trás, para o espelho, para "aquilo que ficou para trás". O texto afirma que a IA é um "reflexo pálido e estático daquilo que um dia soubemos a nosso respeito" — ou seja, ela nos prende ao passado, não ao futuro. Além disso, a palavra "exclusivamente" é um absoluto que o texto não autoriza.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Erro: extrapolação e fuga ao tema. A alternativa fala em "endeusamento narcísico que acomete o homem moderno" e em "futuro pouco auspicioso para a ciência". O texto menciona o narcisismo (a referência a Narciso), mas não diz que ele "acomete o homem moderno" de forma geral, nem que o futuro da ciência é "pouco auspicioso". O texto fala do risco de estagnação da espécie, não de um futuro ruim para a ciência. A alternativa tangencia o tema, mas acrescenta ideias que não estão no texto.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Erro: extrapolação e inversão de sentido. A alternativa afirma que "a obsessão pelo futuro incontornável da IA leva o homem a negligenciar seus próprios fundamentos éticos". O texto não fala em "obsessão pelo futuro" — pelo contrário, a IA nos faz olhar para trás. Além disso, o texto não diz que o homem negligencia seus fundamentos éticos por causa de uma obsessão; ele diz que a IA é uma "tentação" de esquecer o aprendizado moral. A alternativa troca a causa (a tentação da IA) por uma suposta "obsessão pelo futuro", o que contradiz o texto.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a metáfora da "seta" e a tendência de o candidato extrapolar o sentido, atribuindo à IA características que o texto não afirma. A letra C, por exemplo, inverte completamente o sentido, dizendo que a IA se volta para o futuro, quando o texto diz que ela nos faz olhar para trás.

PEGA ESSA DICA!

Ao encontrar uma metáfora, pergunte-se: o que ela representa no contexto? A "seta" representa a trajetória da tecnologia; "apontar para o futuro" significa impulsionar o progresso. A alternativa correta é a que traduz essa imagem sem acrescentar nada de fora.

Conclusão: a questão testa sua capacidade de inferir o sentido de uma metáfora a partir do contexto. A alternativa B é a única que permanece fiel ao texto, captando a ideia de que a tecnologia sempre apontou para o futuro, mas que a IA ameaça essa trajetória. As demais ou extrapolam, ou contradizem, ou tangenciam o tema. Gabarito: letra B.

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