Questão de Português — Tipos de Discurso (Direto, Indireto e Indireto Livre) — FCC 2025
Português›Tipos de Discurso (Direto, Indireto e Indireto Livre)
Código
fc149797
Banca
FCC
Órgão
MPE PI
Ano
2025
Cargo
Tec Min ( )
Na festa dos 34 anos da Clarinha, o seu marido, Amaro, fez um discurso muito aplaudido.CDeclarou que não trocava a sua Clarinha por duas de 17, sabiam por quêE? Porque a Clarinha era duas de 17. Tinha a vivacidade e o frescor de duas adolescentes,
No carro, depois da festa, o Marinho comentou:
- Bonito o discurso do Amaro.
- Não dou dois meses para eles se separarem - disse a Nair.
- O quê?
- Marido quando começa a elogiar muito a mulher ..
Nair deixou no ar todas as implicações da duplicidade masculina.D
- Mas eles parecem cada vez mais apaixonados - protestou Marinho.B
- Exatamente. Apaixonados demais. Lembra o que eu disse quando a Janice e o Pedrão começaram a andar de mãos dadas?
- É mesmo ...
- Vinte anos de casados e de repente começam a andar de mãos dadas?A Como namorados? Ali tinha coisa.
(VERISSIMO. Luis Fernando. Verissimo antológico. Rio de Janeiro: Objetiva, 2020)
Considere a crônica "Beijinho, beijinho", de Luis Fernando Verissimo, para responder à questão abaixo.
A voz do personagem mescla-se intimamente à voz do narrador, configurando o chamado discurso indireto livre, no seguinte trecho:
A- Vinte anos de casados e de repente começam a andar de mãos dadas?
B- Mas eles parecem cada vez mais apaixonados -protestou Marinho.
CNa festa dos 34 anos da Clarinha, o seu marido, Amaro, fez um discurso muito aplaudido.
DNair deixou no ar todas as implicações da duplicidade masculina.
EDeclarou que não trocava a sua Clarinha por duas de 17. sabiam por quê?
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GabaritoE — Declarou que não trocava a sua Clarinha por duas de 17. sabiam por quê?
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Discurso indireto livre: a voz da personagem dentro da voz do narrador
Gabarito: letra E. O trecho "Declarou que não trocava a sua Clarinha por duas de 17. sabiam por quê?" é o único que configura o discurso indireto livre, pois a pergunta "sabiam por quê?" irrompe no meio da fala do narrador sem verbo de elocução, sem travessão e sem conjunção — é a voz do personagem Amaro (que acabara de ser citado em discurso indireto) invadindo a narração em 3ª pessoa. Como se lê no texto: o narrador começa reportando a fala de Amaro ("Declarou que não trocava a sua Clarinha por duas de 17") e, de repente, a pergunta "sabiam por quê?" surge sem marca alguma, mesclando-se à narração.
O comando pede que você identifique o trecho em que "a voz do personagem mescla-se intimamente à voz do narrador, configurando o chamado discurso indireto livre". Isso não é uma questão de compreensão (o que o texto diz) nem de inferência (o que se deduz), mas de reconhecimento de um fenômeno gramatical-textual: você precisa saber as características do discurso indireto livre e aplicá-las a cada trecho. A banca não quer que você interprete o sentido da crônica; quer que você reconheça a estrutura do discurso.
O discurso indireto livre é aquele em que a fala ou o pensamento da personagem aparece dentro do discurso do narrador, sem nenhuma marca de separação: não há verbo de elocução (como "disse", "perguntou"), não há travessão, não há aspas, não há conjunção integrante ("que", "se"). A voz da personagem (em 1ª pessoa, com suas marcas de oralidade) se funde à voz do narrador (em 3ª pessoa). É exatamente o que acontece em "sabiam por quê?": a pergunta é de Amaro — ele está falando com os convidados da festa —, mas ela aparece solta, sem nenhum introdutor, dentro do período que o narrador vinha conduzindo. O leitor só percebe que é a voz de Amaro porque o contexto (o discurso que ele acabara de fazer) autoriza.
A técnica para resolver: procure o trecho em que há uma fala/pensamento da personagem sem nenhum sinal de introdução (sem travessão, sem aspas, sem verbo dicendi, sem "que"). Nas alternativas, o discurso direto aparece com travessão (A e B), o discurso indireto aparece com verbo de elocução + conjunção (E, na primeira parte), e a narração pura aparece sem voz de personagem (C e D). A única que mistura a voz do personagem na narração sem marca é a E, na pergunta final.
Discurso indireto livre: Voz da personagem na narração (Sem travessão, Sem aspas, Sem verbo de elocução, Sem conjunção integrante); Exemplo ("sabiam por quê?"); Confunde com (Discurso direto (travessão), Discurso indireto (verbo + "que"))
Alternativa A — ❌ Incorreta
"- Vinte anos de casados e de repente começam a andar de mãos dadas?"
Este é um caso clássico de discurso direto: a fala de Nair vem marcada por travessão, que é o sinal gráfico que separa a voz da personagem da voz do narrador. Não há mescla: o narrador cede a palavra à personagem, e a fala dela aparece isolada. O erro é de classificação: a banca quer discurso indireto livre, e aqui há discurso direto.
Alternativa B — ❌ Incorreta
"- Mas eles parecem cada vez mais apaixonados -protestou Marinho."
Também é discurso direto: a fala de Marinho vem marcada por travessão e é introduzida pelo verbo de elocução "protestou". O verbo dicendi é a marca típica do discurso direto — ele anuncia que a fala da personagem vai ser transcrita literalmente. Não há mescla de vozes; há separação clara entre narrador e personagem.
Alternativa C — ❌ Incorreta
"Na festa dos 34 anos da Clarinha, o seu marido, Amaro, fez um discurso muito aplaudido."
Este trecho é narração pura: o narrador conta um fato (Amaro fez um discurso), sem reproduzir a fala de ninguém. Não há voz de personagem alguma, logo não pode haver discurso indireto livre. O erro é de ausência: falta o elemento essencial do fenômeno (a fala da personagem).
Alternativa D — ❌ Incorreta
"Nair deixou no ar todas as implicações da duplicidade masculina."
Também é narração pura: o narrador descreve a atitude de Nair (deixou no ar as implicações), mas não reproduz o pensamento ou a fala dela. Não há voz de personagem mesclada à narração. O erro é o mesmo da C: falta a fala da personagem.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
"Declarou que não trocava a sua Clarinha por duas de 17. sabiam por quê?"
A primeira parte ("Declarou que não trocava a sua Clarinha por duas de 17") é discurso indireto: o narrador reporta a fala de Amaro com verbo de elocução ("Declarou") + conjunção integrante ("que"). Mas a segunda parte ("sabiam por quê?") é a voz de Amaro invadindo a narração sem marca alguma: não há travessão, não há aspas, não há verbo dicendi, não há conjunção. A pergunta é de Amaro (ele está falando com os convidados), mas ela aparece solta, dentro do discurso do narrador, em 3ª pessoa. É exatamente a definição de discurso indireto livre: a voz da personagem se mescla à voz do narrador, sem separação. A banca explora a confusão entre discurso indireto (que tem verbo de elocução + conjunção) e discurso indireto livre (que não tem marca alguma). A pegadinha está em reconhecer que a pergunta final é a voz de Amaro, não do narrador.
NÃO CAIA NESSA!
A banca mistura discurso indireto (verbo de elocução + "que") com discurso indireto livre (sem marca). A alternativa E parece ser só discurso indireto, mas a pergunta "sabiam por quê?" é a voz de Amaro invadindo a narração — é isso que configura o indireto livre.
PEGA ESSA DICA!
Para identificar discurso indireto livre, procure a fala/pensamento da personagem que aparece sem travessão, sem aspas, sem verbo de elocução e sem conjunção. Se houver qualquer uma dessas marcas, não é indireto livre.
Gabarito: letra E — a única em que a voz da personagem se mescla à voz do narrador sem marca de separação, configurando o discurso indireto livre.