Questão de Português — Orações Subordinadas Adverbiais — FCC 2025
Português›Orações Subordinadas Adverbiais
Código
fc149799
Banca
FCC
Órgão
MPE PI
Ano
2025
Cargo
Tec Min ( )
Na festa dos 34 anos da Clarinha, o seu marido, Amaro, fez um discurso muito aplaudido. Declarou que não trocava a sua Clarinha por duas de 17, sabiam por quê? Porque a Clarinha era duas de 17. Tinha a vivacidade e o frescor de duas adolescentes,
No carro, depois da festa, o Marinho comentou:
- Bonito o discurso do Amaro.
- Não dou dois meses para eles se separarem - disse a Nair.
- O quê?
- Marido quando começa a elogiar muito a mulher ..
Nair deixou no ar todas as implicações da duplicidade masculina.
- Mas eles parecem cada vez mais apaixonados - protestou Marinho.
- Exatamente. Apaixonados demais. Lembra o que eu disse quando a Janice e o Pedrão começaram a andar de mãos dadas?
- É mesmo ...
- Vinte anos de casados e de repente começam a andar de mãos dadas? Como namorados? Ali tinha coisa.
(VERISSIMO. Luis Fernando. Verissimo antológico. Rio de Janeiro: Objetiva, 2020)
Considere a crônica "Beijinho, beijinho", de Luis Fernando Verissimo, para responder à questão abaixo.
Lembra o que eu disse quando a Janice e o Pedrão começaram a andar de mãos dadas?
No contexto em que se insere, a oração sublinhada expressa ideia de
Acausa.
Bconcessão.
Ctempo.
Dconsequência.
Econclusão.
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GabaritoC — tempo.
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Orações subordinadas adverbiais: o valor temporal de "quando"
Gabarito: letra C. A oração sublinhada "quando a Janice e o Pedrão começaram a andar de mãos dadas" expressa ideia de tempo, pois a conjunção "quando" é, por excelência, uma conjunção subordinativa temporal, e no trecho ela situa o momento em que Nair fez determinada observação. Como se lê no diálogo, a fala de Nair remete a um episódio passado para fundamentar sua desconfiança atual sobre o casal Amaro e Clarinha.
A questão é de gramática aplicada ao texto: não se trata de interpretar o sentido global da crônica, mas de reconhecer a relação semântica que a oração subordinada estabelece com a oração principal. O comando "expressa ideia de" pede que você identifique a circunstância veiculada pela conjunção — e isso se resolve pela classificação da conjunção subordinativa, não por deduções sobre o enredo.
No trecho, a oração "quando a Janice e o Pedrão começaram a andar de mãos dadas" funciona como adjunto adverbial de tempo da oração principal "Lembra o que eu disse". A conjunção "quando" é a conjunção temporal típica, e a pergunta de Nair é: "você se lembra do que eu disse no momento em que eles começaram a andar de mãos dadas?". A oração sublinhada responde à pergunta "quando?", indicando a circunstância de tempo em que a ação da oração principal ocorreu.
"Lembra o que eu disse quando a Janice e o Pedrão começaram a andar de mãos dadas?"
A conjunção "quando" poderia ser substituída por "no momento em que", "na ocasião em que" ou "assim que", todas com valor temporal. Essa substituição é o teste decisivo: se a oração responde à pergunta "quando?", é temporal; se respondesse "por quê?", seria causal; se indicasse uma ressalva, seria concessiva.
A banca explora a confusão entre as orações adverbiais, oferecendo alternativas que representam outras circunstâncias. A pegadinha central é o candidato ler o trecho e, pelo contexto da crônica (a desconfiança de Nair sobre o casal), achar que há uma relação de causa ou consequência. Mas a gramática é clara: a conjunção "quando" é temporal, e o sentido de causa/consequência que o leitor pode intuir vem do contexto maior, não da oração sublinhada em si.
NÃO CAIA NESSA!
A banca aposta na confusão entre o valor gramatical da conjunção e o sentido contextual do trecho. A oração "quando a Janice e o Pedrão começaram a andar de mãos dadas" é temporal pela conjunção "quando", ainda que o contexto sugira uma relação de causa (o andar de mãos dadas como indício de traição). A pergunta é sobre a oração sublinhada, não sobre a crônica inteira.
Orações subordinadas adverbiais: Tempo (Conjunção: quando, Teste: responde "quando?"); Causa (Conjunção: porque, já que, Teste: responde "por quê?"); Concessão (Conjunção: embora, ainda que, Teste: ideia de contraste/ressalva); Consequência (Conjunção: de modo que, tão... que, Teste: efeito de uma causa); Conclusão (Conjunção: logo, portanto, Teste: dedução de premissa)
Alternativa A — ❌ Incorreta
A oração não expressa causa. A conjunção causal típica é "porque", "já que", "visto que", "uma vez que". No trecho, não há uma relação de causa e efeito entre "começar a andar de mãos dadas" e "lembrar o que eu disse" — o andar de mãos dadas é o momento em que a fala ocorreu, não o motivo dela. A alternativa troca o valor temporal pelo causal, confundindo a circunstância com o motivo.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A oração não expressa concessão. A conjunção concessiva típica é "embora", "ainda que", "mesmo que", "conquanto". A concessão indica uma ideia que se contrapõe à oração principal sem impedi-la (ex.: "Sairei, embora esteja chovendo"). No trecho, não há oposição ou ressalva — há apenas a indicação de um momento. A alternativa troca o valor temporal pelo concessivo, que exige uma relação de contraste inexistente no texto.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A oração "quando a Janice e o Pedrão começaram a andar de mãos dadas" expressa tempo. A conjunção "quando" é a conjunção subordinativa temporal por excelência, e a oração funciona como adjunto adverbial de tempo, respondendo à pergunta "quando?" em relação à oração principal "Lembra o que eu disse". A substituição por "no momento em que" confirma o valor temporal: "Lembra o que eu disse no momento em que a Janice e o Pedrão começaram a andar de mãos dadas?".
Alternativa D — ❌ Incorreta
A oração não expressa consequência. A conjunção consecutiva típica é "de modo que", "de sorte que", "tão... que", "tanto... que". A consequência é o efeito de uma causa expressa na oração principal (ex.: "Falou tão baixo que ninguém ouviu"). No trecho, não há uma relação de causa e efeito entre as orações — a oração sublinhada apenas situa temporalmente a ação da principal. A alternativa troca o valor temporal pelo consecutivo, que exigiria uma estrutura com "tão/tanto... que".
Alternativa E — ❌ Incorreta
A oração não expressa conclusão. A conjunção conclusiva típica é "logo", "portanto", "por isso", "assim". A conclusão é uma dedução tirada de uma premissa anterior (ex.: "Está tarde, portanto vamos dormir"). No trecho, não há uma relação de conclusão entre as orações — a oração sublinhada apenas indica o momento em que a ação da principal ocorreu. A alternativa troca o valor temporal pelo conclusivo, que exigiria uma conjunção conclusiva e uma relação de dedução.
PEGA ESSA DICA!
Para identificar o valor de uma oração subordinada adverbial, pergunte qual circunstância ela expressa em relação à oração principal: "quando?" (tempo), "por quê?" (causa), "apesar de quê?" (concessão), "com que consequência?" (consequência), "com que conclusão?" (conclusão). A conjunção é a chave: "quando" é temporal, "porque" é causal, "embora" é concessiva, "logo" é conclusiva.
Gabarito: letra C. A oração sublinhada é uma subordinada adverbial temporal, introduzida pela conjunção "quando", que indica o momento em que Nair fez sua observação sobre o casal. As demais alternativas confundem o valor temporal com outras circunstâncias (causa, concessão, consequência, conclusão), que exigiriam conjunções diferentes e relações semânticas distintas.