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Questão de Português — Correlação Verbal — FCC 2025

PortuguêsCorrelação Verbal
Código
fc149807
Banca
FCC
Órgão
SEFAZ PI
Ano
2025
Cargo
ATE ( )

Perigo da Inteligência Artificial (IA) não vem dos robôs, mas de nós

 

Em seu livro mais recente, “The AI Mirror” (“O espelho da IA”), a filósofa americana Shannon Vallor sustenta que o perigo oferecido pela inteligência artificial é muito diferente do que se costuma imaginar. O “risco existencial” para nossa espécie não viria da progressiva substituição de gente por máquinas, geradora de desemprego e, no limite, de nossa extinção. O perigo estaria em nós mesmos, em nosso enamoramento pela imagem que a IA reflete, como o de Narciso em seu lago.

 

Especialista em ética da tecnologia, a autora acredita que, se não abrirmos o olho, veremos “os poderes e virtudes mais vigorosos da espécie — nossa capacidade de pensamento criativo, ambição moral, imaginação política e, acima de tudo, sabedoria — serem afogados no espelho da IA”. Afogados porque rendidos, entregues de graça ou em troca de miçangas coloridas. Terceirizados, por narcisismo e preguiça, a algoritmos que se baseiam no que decidimos no passado para decidir em nosso nome no futuro. Decidir tudo: escolher gente para vagas de emprego, prender gente com base em reconhecimento facial, dosar fluxos de socorro humanitário para populações flageladas, resumir um grosso relatório em meia página.

 

Mas qual seria o problema disso tudo, ferramentas que podem ser tão úteis na solução de problemas? Segundo a autora, o risco é nada menos que a estagnação da espécie. Junto com o poder de decidir, estamos abrindo mão do domínio dos próprios meios para a tomada de decisões: escrever, fazer contas, projetar, raciocinar, escolher.

 

Todas as tecnologias sempre desafiaram moralmente os seres humanos, levando-os a conceber novos valores e formas de viver em sociedade. A seta sempre apontou para o futuro — até agora. “Precisamos abraçar, renovar e aprofundar esse aprendizado moral”, prega a autora, “porque a IA representa uma forte tentação de esquecê-lo, aceitando em seu lugar um reflexo pálido e estático daquilo que um dia soubemos a nosso respeito. Estamos diante de crises planetárias e civilizacionais que a humanidade nunca enfrentou antes. Você planejará sua escalada de uma montanha perigosa e desconhecida olhando pelo espelho, para aquilo que ficou para trás?”

 

(Adaptado de: RODRIGUES, Sérgio. Folha de S.Paulo. 02/04/2025.)

É inteiramente adequada a articulação entre os tempos e os modos das formas verbais na frase:
  1. ACaso não aprofundemos a vigilância sobre os efeitos nefastos da IA, estaremos submetidos às deformações que provierem de seu uso indiscriminado.
  2. BSe não aprofundarmos a vigilância sobre os abusos da IA, estaríamos nos submetendo aos danos que houvessem ocorrido com seu uso cego.
  3. CMesmo que quiséssemos reparar os prejuízos que haverão de decorrer do uso cego da IA, possivelmente já fora tarde demais.
  4. DOs prejuízos morais que trouxerem os recursos da IA são de tal monta que poderia ter sido tarde demais para as providências corretivas.
  5. EUma vez que estivéssemos convencidos das possíveis deformações da IA, nos empenharemos em fazer dela um engenho que nos é útil.
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GabaritoA — Caso não aprofundemos a vigilância sobre os efeitos nefastos da IA, estaremos submetidos às deformações que provierem de seu uso indiscriminado.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Correlação verbal: a harmonia entre tempos e modos

Gabarito: letra A. A frase "Caso não aprofundemos a vigilância sobre os efeitos nefastos da IA, estaremos submetidos às deformações que provierem de seu uso indiscriminado" é a única em que os tempos e modos verbais se combinam com perfeita harmonia: o presente do subjuntivo (aprofundemos) expressa hipótese, e o futuro do presente do indicativo (estaremos) expressa a consequência futura provável — a "dobradinha" clássica da correlação condicional. As demais alternativas misturam tempos e modos incompatíveis, criando frases sem sentido lógico-temporal.

O comando pede que você avalie a articulação entre tempos e modos verbais — ou seja, a correlação verbal. Trata-se da harmonia semântica entre os verbos de um período: cada tempo/modo carrega um valor (certeza, hipótese, possibilidade, fato passado etc.), e a frase só fica coerente se esses valores se complementarem. A banca não quer que você decore tabelas, mas que perceba a relação de sentido entre os verbos.

No texto-base, a autora discute o perigo da IA como um risco de estagnação da espécie — mas a questão não cobra interpretação do conteúdo; ela usa o texto apenas como ponto de partida lexical para testar a correlação verbal. O que importa é a estrutura das frases das alternativas.

A técnica decisiva: identifique o modo de cada verbo (indicativo = certeza/fato; subjuntivo = hipótese/dúvida) e o tempo (presente, pretérito, futuro). Depois, verifique se a combinação faz sentido. A "dobradinha" mais cobrada é a condicional: se/caso + subjuntivo (hipótese) → futuro do presente do indicativo (consequência provável). Exemplo clássico: "Se eu estudar, passarei". É exatamente o que a letra A faz.

NÃO CAIA NESSA!

A banca mistura tempos e modos incompatíveis, como subjuntivo com futuro do pretérito (B), subjuntivo com futuro do presente (C), presente com pretérito mais-que-perfeito composto (D) e subjuntivo com futuro do presente (E). A única que respeita a correlação é a A.

  1. 1Se/Caso + subjuntivo (hipótese)
  2. 2Futuro do presente (consequência provável)
  3. 3Ex.: Se estudar, passarei
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A frase apresenta a estrutura condicional perfeita: "Caso não aprofundemos" (presente do subjuntivo, hipótese) + "estaremos submetidos" (futuro do presente do indicativo, consequência provável). O verbo "provierem" (futuro do subjuntivo) também se harmoniza, pois indica um fato futuro hipotético. Não há quebra de sentido: a hipótese leva a uma consequência futura real.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Erro: contradiz a correlação. "Se não aprofundarmos" (futuro do subjuntivo) exige consequência no futuro do presente (estaremos), mas a frase usa "estaríamos" (futuro do pretérito), que indica possibilidade passada ou condição irreal. Além disso, "houvessem ocorrido" (pretérito mais-que-perfeito do subjuntivo) remete a um passado anterior, incompatível com a hipótese futura. A mistura quebra a harmonia.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Erro: contradiz a correlação. "Mesmo que quiséssemos" (pretérito imperfeito do subjuntivo) pede consequência no futuro do pretérito (repararíamos), mas a frase usa "haverão de decorrer" (futuro do presente do indicativo), que expressa certeza futura — incompatível com a hipótese passada. Além disso, "fora tarde demais" (pretérito mais-que-perfeito do indicativo) é um tempo passado, não se encaixa na estrutura concessiva.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Erro: contradiz a correlação. "Os prejuízos morais que trouxerem" (futuro do subjuntivo) indica hipótese futura, mas a oração principal usa "são de tal monta" (presente do indicativo), que expressa fato atual — a combinação é possível, mas o problema está em "poderia ter sido tarde demais" (futuro do pretérito composto do indicativo), que remete a uma possibilidade passada, quebrando a sequência temporal. A frase mistura presente, futuro e passado sem coerência.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Erro: contradiz a correlação. "Uma vez que estivéssemos convencidos" (pretérito imperfeito do subjuntivo) expressa hipótese passada, mas a oração principal usa "nos empenharemos" (futuro do presente do indicativo), que indica ação futura certa — incompatível com a hipótese passada. O correto seria "nos empenharíamos" (futuro do pretérito). Além disso, "que nos é útil" (presente do indicativo) não se harmoniza com o contexto hipotético.

Conclusão: a correlação verbal exige que os verbos compartilhem o mesmo valor semântico (hipótese + consequência provável, ou fato + fato). A letra A é a única que respeita essa harmonia, usando a dobradinha subjuntivo + futuro do presente. Nas demais, a banca mistura tempos e modos, criando frases ilógicas. Gabarito: letra A.

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