Questão de Português — Reescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto. — FCC 2025
Português›Reescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto.
Código
fc149811
Banca
FCC
Órgão
SEFAZ PI
Ano
2025
Cargo
AFFE ( )
Só quem tem alma pode contar o tempo
Mais um ano está começando neste janeiro, e de novo a maior parte da humanidade vai ignorar aquela pequena parcela de realistas desencantados – também chamados de cínicos – que aponta a arbitrariedade dos inícios e dos fins numa linha do tempo em que todos os dias são iguais. Acontece que, nesse caso, a maioria tem razão. Quem diz que todos os dias são iguais não leva em conta a necessidade humana de contar histórias a fim de dar sentido à escala desmesurada e opressiva – numa palavra, inumana – do tempo cósmico.
Como observa o crítico Frank Kermode no livro “O Sentido de um Fim”, cabe às histórias que inventamos, com seus marcos temporais atravessados de cultura, dar sentido ao intervalo entre início e fim, transformando Chrónos, o tempo infinito e amorfo dos gregos, em Kairós, o momento cheio de significado.
A palavra “ano” descende do prefixo grego “amphi”, isto é, “em torno, à volta”. Isso faz do ano um parente distante de outros termos em que está presente a ideia de círculo, de algo que circunda, que envolve por todos os lados – como ambiente, anfiteatro e anel, entre outros. “Janeiro” deve seu nome ao deus romano Jano, entidade de duas caras, capaz de olhar ao mesmo tempo para o passado e para o futuro – ou para dentro e para fora, o que explica que a palavra “janela” seja outra de suas filhas.
Eis por que sabemos que tem raízes profundas em nossa alma, indo muito além de modismos midiáticos, o frenesi que nessa época nos leva a passar em revista o ano que se encerra, tentando apurar seu saldo de altos e baixos, ao mesmo tempo que fazemos listas de “resoluções” bem-intencionadas – que, na maior parte das vezes, já estarão desmoralizadas antes do Carnaval.
(Adaptado de: RODRIGUES, Sérgio. Folha de S.Paulo, 1º de janeiro de 2025)
Considerando-se o contexto, traduz-se adequadamente o sentido de um segmento do texto em:
Amuito além de modismos midiáticos (4º parágrafo) = à margem das intercomunicações eventuais.
Btentando apurar seu saldo de altos e baixos (4º parágrafo) = buscando identificar seus bons e maus momentos.
Cpequena parcela de realistas desencantados (1º parágrafo) = surto minoritário de racionalistas malogrados.
Ddar sentido à escala desmesurada e opressiva (1º parágrafo) = elucidar a tabela desproporcional e repressora.
Emarcos temporais atravessados de cultura (2º parágrafo) = signos cronológicos imbuídos de sapiência.
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GabaritoB — tentando apurar seu saldo de altos e baixos (4º parágrafo) = buscando identificar seus bons e maus momentos.
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Reescritura de sentido: a paráfrase fiel ao texto
Gabarito: letra B. A única tradução que preserva integralmente o sentido do segmento original é "tentando apurar seu saldo de altos e baixos" = "buscando identificar seus bons e maus momentos", pois "apurar" equivale a "identificar" e "saldo de altos e baixos" é uma metáfora para "bons e maus momentos" — exatamente o que o texto diz no 4º parágrafo. As demais alternativas ou trocam o sentido por um vocábulo inadequado, ou acrescentam ideias que o texto não contém.
O comando pede uma reescritura de sentido: você deve encontrar, entre as opções, aquela que parafraseia o trecho original sem alterar seu significado. Isso não é interpretação livre — é uma questão de sinonímia contextual: cada palavra do segmento deve ser substituída por um equivalente que mantenha o mesmo efeito de sentido no contexto. A banca testa se você percebe o sentido exato de cada termo e se consegue distinguir uma paráfrase fiel de uma que apenas "parece" correta.
O texto fala sobre a necessidade humana de contar histórias para dar sentido ao tempo. No 4º parágrafo, o autor descreve o frenesi de fim de ano: "passar em revista o ano que se encerra, tentando apurar seu saldo de altos e baixos". Aqui, "apurar" significa verificar, identificar, levantar — e "saldo de altos e baixos" é uma metáfora para o balanço entre momentos bons e ruins. A alternativa B traduz exatamente isso: "buscando identificar seus bons e maus momentos".
A técnica central é testar cada palavra-chave: "apurar" não é "elucidar" (que seria explicar algo obscuro), nem "apurar" no sentido de "apurrar" (que não existe); "saldo" não é "tabela" (que é um quadro organizado), nem "signos" (que são símbolos). A paráfrase correta precisa manter o registro metafórico e o sentido denotativo de cada termo. Quando a banca troca uma palavra por um sinônimo aparente, mas que muda o campo semântico, ela está armando uma pegadinha clássica.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a troca de vocábulo — oferece sinônimos que parecem equivalentes, mas que alteram o sentido ("elucidar" por "apurar", "tabela" por "saldo", "sapiência" por "cultura"). A correta é a única que mantém o sentido exato no contexto.
Reescritura de sentido: Técnica (Sinonímia contextual, Manter registro metafórico, Testar cada palavra-chave); Erros típicos (Troca de vocábulo, Acrescentar ideia, Alterar o tom); Pegadinha (Sinônimo aparente, Campo semântico diferente)
Alternativa A — ❌ Incorreta
"muito além de modismos midiáticos" = "à margem das intercomunicações eventuais"
Erro: troca de sentido. "Muito além de" significa "muito mais do que", indicando que algo supera os modismos. "À margem de" significa "fora de", "à parte de" — uma ideia de exclusão, não de superação. Além disso, "modismos midiáticos" (tendências passageiras da mídia) não equivale a "intercomunicações eventuais" (comunicações ocasionais entre pessoas). A alternativa contradiz o texto: o autor diz que o frenesi tem raízes profundas na alma, indo além dos modismos — não que esteja à margem deles.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
"tentando apurar seu saldo de altos e baixos" = "buscando identificar seus bons e maus momentos"
Paráfrase fiel. "Tentando" = "buscando"; "apurar" = "identificar" (verificar, levantar); "saldo de altos e baixos" = "bons e maus momentos" (metáfora para o balanço entre o que foi bom e o que foi ruim). Cada termo é substituído por um equivalente que preserva o sentido exato no contexto. O texto diz que as pessoas "passam em revista o ano que se encerra, tentando apurar seu saldo de altos e baixos" — ou seja, buscam identificar os bons e maus momentos do ano. Nenhuma ideia é acrescentada ou suprimida.
Alternativa C — ❌ Incorreta
"pequena parcela de realistas desencantados" = "surto minoritário de racionalistas malogrados"
Erro: troca de sentido e tom. "Pequena parcela" significa "pequena parte" — não "surto" (que tem conotação de epidemia, algo negativo e passageiro). "Realistas desencantados" são pessoas que veem a realidade sem ilusões e perderam o encantamento — não "racionalistas malogrados" (racionalistas que fracassaram). "Malogrado" significa "frustrado, que não teve êxito" — o texto não diz que esses realistas fracassaram; apenas que são uma minoria. A alternativa extrapola ao acrescentar a ideia de fracasso e altera o tom ao usar "surto" com carga negativa.
Alternativa D — ❌ Incorreta
"dar sentido à escala desmesurada e opressiva" = "elucidar a tabela desproporcional e repressora"
Erro: troca de vocábulo. "Dar sentido" significa "atribuir significado" — não "elucidar" (que é explicar algo obscuro). "Escala" aqui é usada no sentido de dimensão, grandeza (a escala do tempo cósmico) — não "tabela" (que é um quadro organizado de dados). "Desmesurada" = "desproporcional" (ok), mas "opressiva" = "que oprime" — não "repressora" (que reprime, que impede). O texto fala de uma escala que oprime pela sua imensidão, não de algo que reprime ativamente. A alternativa troca o sentido de "escala" e "opressiva".
Alternativa E — ❌ Incorreta
"marcos temporais atravessados de cultura" = "signos cronológicos imbuídos de sapiência"
Erro: troca de sentido. "Marcos temporais" são pontos de referência no tempo (como o início e o fim de um ano) — não "signos cronológicos" (que seriam símbolos do tempo). "Atravessados de cultura" significa "permeados, marcados pela cultura" — não "imbuídos de sapiência" (que seria "cheios de sabedoria"). O texto fala de marcos que carregam cultura, não de signos que contêm sabedoria. A alternativa troca o sentido de "marcos" e "cultura" por termos que não são equivalentes no contexto.
Conclusão: a questão testa a paráfrase fiel — a reescritura que mantém o sentido exato do original. A alternativa B é a única que substitui cada termo por um equivalente contextual perfeito. As demais ou trocam o sentido por um vocábulo inadequado (A, D, E) ou acrescentam ideias que o texto não contém (C).
PEGA ESSA DICA!
Em questões de reescritura, teste cada palavra-chave do segmento original e veja se a alternativa a substitui por um sinônimo contextual — não apenas por um sinônimo de dicionário. Pergunte: "o texto autoriza esta troca?"