Questão de Português — Correlação Verbal — FCC 2025
Português›Correlação Verbal
Código
fc149815
Banca
FCC
Órgão
SEFAZ PI
Ano
2025
Cargo
AFFE ( )
Só quem tem alma pode contar o tempo
Mais um ano está começando neste janeiro, e de novo a maior parte da humanidade vai ignorar aquela pequena parcela de realistas desencantados – também chamados de cínicos – que aponta a arbitrariedade dos inícios e dos fins numa linha do tempo em que todos os dias são iguais. Acontece que, nesse caso, a maioria tem razão. Quem diz que todos os dias são iguais não leva em conta a necessidade humana de contar histórias a fim de dar sentido à escala desmesurada e opressiva – numa palavra, inumana – do tempo cósmico.
Como observa o crítico Frank Kermode no livro “O Sentido de um Fim”, cabe às histórias que inventamos, com seus marcos temporais atravessados de cultura, dar sentido ao intervalo entre início e fim, transformando Chrónos, o tempo infinito e amorfo dos gregos, em Kairós, o momento cheio de significado.
A palavra “ano” descende do prefixo grego “amphi”, isto é, “em torno, à volta”. Isso faz do ano um parente distante de outros termos em que está presente a ideia de círculo, de algo que circunda, que envolve por todos os lados – como ambiente, anfiteatro e anel, entre outros. “Janeiro” deve seu nome ao deus romano Jano, entidade de duas caras, capaz de olhar ao mesmo tempo para o passado e para o futuro – ou para dentro e para fora, o que explica que a palavra “janela” seja outra de suas filhas.
Eis por que sabemos que tem raízes profundas em nossa alma, indo muito além de modismos midiáticos, o frenesi que nessa época nos leva a passar em revista o ano que se encerra, tentando apurar seu saldo de altos e baixos, ao mesmo tempo que fazemos listas de “resoluções” bem-intencionadas – que, na maior parte das vezes, já estarão desmoralizadas antes do Carnaval.
(Adaptado de: RODRIGUES, Sérgio. Folha de S.Paulo, 1º de janeiro de 2025)
Quem diz que todos os dias são iguais não leva em conta a necessidade de contar histórias para que a passagem do tempo ganhe sentido.
Estará preservada a adequada articulação entre os tempos e os modos verbais da frase acima caso se substituam as formas sublinhadas, na ordem dada, por:
Adisser – levaria – ganharia
Bdiga – levasse – tenha a ganhar
Cdissesse – levaria – viesse a ganhar
Dtivesse dito – levará – ganhava
Edissesse – leve – ganhasse
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GabaritoC — dissesse – levaria – viesse a ganhar
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Correlação verbal: a harmonia entre tempos e modos
Gabarito: letra C. A frase original apresenta uma estrutura condicional com o verbo "diz" no presente do indicativo e "leva em conta" no presente do indicativo, mas a substituição pedida exige uma correlação harmônica. A única alternativa que mantém a articulação perfeita é a C: "dissesse – levaria – viesse a ganhar", pois combina o pretérito imperfeito do subjuntivo (hipótese) com o futuro do pretérito do indicativo (consequência hipotética) e o pretérito imperfeito do subjuntivo na oração subordinada final, formando a "dobradinha" clássica: Se eu pudesse, faria.
A questão cobra correlação verbal, ou seja, a harmonia entre os tempos e modos verbais em um período composto. O enunciado pede que se substituam as formas sublinhadas ("diz", "leva em conta", "ganhe sentido") por outras que preservem a adequada articulação. Isso significa que a nova combinação deve manter a mesma relação lógica de condição e consequência presente na frase original.
No texto-base, a frase "Quem diz que todos os dias são iguais não leva em conta a necessidade de contar histórias para que a passagem do tempo ganhe sentido" expressa uma hipótese (quem diz) e uma consequência (não leva em conta). A substituição deve manter essa relação, mas a banca testa se o candidato conhece as combinações verbais que expressam hipótese no passado/presente.
A regra central da correlação verbal é que verbos de mesma natureza semântica (hipótese, certeza, etc.) devem combinar entre si. Quando a oração condicional usa o pretérito imperfeito do subjuntivo (dissesse), a oração principal deve usar o futuro do pretérito do indicativo (levaria), e a oração subordinada final deve usar também o pretérito imperfeito do subjuntivo (viesse a ganhar). Essa é a "dobradinha" clássica: Se eu pudesse, faria.
A pegadinha da banca está em oferecer combinações que misturam tempos de forma incoerente, como presente do subjuntivo com futuro do pretérito, ou pretérito perfeito com futuro do presente. O candidato deve identificar a relação de hipótese e consequência e aplicar a correlação correta.
Correlação verbal
1Dobradinha clássica
Se eu pudesse, faria
Pretérito imperfeito do subjuntivo
Futuro do pretérito do indicativo
Se eu puder, farei
Futuro do subjuntivo
Futuro do presente do indicativo
2Estrutura da questão
Oração condicional (hipótese)
Oração principal (consequência)
Oração final (finalidade)
3Erros comuns
Misturar tempos do subjuntivo
Misturar hipótese passada com consequência futura real
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Alternativa A — ❌ Incorreta
A combinação "disser – levaria – ganharia" mistura o futuro do subjuntivo (disser) com o futuro do pretérito do indicativo (levaria) e o futuro do pretérito (ganharia). Essa mistura é incoerente: o futuro do subjuntivo indica uma condição futura real, enquanto o futuro do pretérito indica uma consequência hipotética no passado. A correlação correta para "disser" seria "levarei" (futuro do presente), não "levaria". Erro: troca de tempo verbal que quebra a harmonia.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A combinação "diga – levasse – tenha a ganhar" mistura o presente do subjuntivo (diga) com o pretérito imperfeito do subjuntivo (levasse) e o presente do subjuntivo composto (tenha a ganhar). Essa mistura é incoerente: o presente do subjuntivo indica uma hipótese atual, mas o pretérito imperfeito indica uma hipótese passada. A correlação correta para "diga" seria "leve" (presente do subjuntivo) e "ganhe" (presente do subjuntivo), não "levasse". Erro: mistura de tempos do subjuntivo sem harmonia.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A combinação "dissesse – levaria – viesse a ganhar" é a única que mantém a correlação perfeita: pretérito imperfeito do subjuntivo (dissesse) + futuro do pretérito do indicativo (levaria) + pretérito imperfeito do subjuntivo (viesse a ganhar). Essa é a "dobradinha" clássica de hipótese e consequência, como em Se eu pudesse, faria. A oração final "para que viesse a ganhar" também está correta, pois o pretérito imperfeito do subjuntivo é exigido pela ideia de finalidade em relação a um fato hipotético passado. Correta: mantém a harmonia modo-temporal.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A combinação "tivesse dito – levará – ganhava" mistura o pretérito mais-que-perfeito composto do subjuntivo (tivesse dito) com o futuro do presente do indicativo (levará) e o pretérito imperfeito do indicativo (ganhava). Essa mistura é incoerente: o pretérito mais-que-perfeito composto indica uma hipótese passada concluída, mas o futuro do presente indica uma consequência futura real. A correlação correta para "tivesse dito" seria "teria levado" (futuro do pretérito composto), não "levará". Erro: mistura de tempos que quebra a relação de hipótese.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A combinação "dissesse – leve – ganhasse" mistura o pretérito imperfeito do subjuntivo (dissesse) com o presente do subjuntivo (leve) e o pretérito imperfeito do subjuntivo (ganhasse). Essa mistura é incoerente: o pretérito imperfeito do subjuntivo indica uma hipótese passada, mas o presente do subjuntivo indica uma hipótese atual. A correlação correta para "dissesse" seria "levaria" (futuro do pretérito), não "leve". Erro: mistura de tempos do subjuntivo sem harmonia.
PEGA ESSA DICA!
Ao resolver questões de correlação verbal, identifique a relação lógica entre as orações (condição, consequência, finalidade) e aplique as "dobradinhas" clássicas: Se eu pudesse, faria (pretérito imperfeito do subjuntivo + futuro do pretérito) e Se eu puder, farei (futuro do subjuntivo + futuro do presente). Desconfie de combinações que misturem tempos de naturezas diferentes.
Gabarito: letra C — a única que preserva a harmonia entre os tempos e modos verbais, com a correlação perfeita entre pretérito imperfeito do subjuntivo e futuro do pretérito do indicativo.