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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — FCC 2025

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
fc149816
Banca
FCC
Órgão
SEFAZ PI
Ano
2025
Cargo
AFFE ( )

Sobre a brevidade da vida

 

A maior parte dos mortais queixa-se da malevolência da Natureza, porque estamos destinados a um breve momento da eternidade, e, segundo eles, o espaço de tempo que nos foi dado corre tão veloz que, por consequência, e à exceção de muito poucos, a vida abandonaria a todos ainda em meio aos preparativos para bem vivê-la.

 

Vejam: não é somente a multidão e a turba insensata que se lamenta desse mal considerado universal: a mesma impressão provocou queixas inconformadas também de homens ilustres e pessoas de excelente formação. Anote-se, por exemplo, o protesto de Hipócrates, o maior dos médicos, quando diz “A vida é breve, longa, a arte”.

 

Pela mesma razão nasce o litígio (de nenhuma forma apropriado a um homem sábio) que Aristóteles teve com a Natureza: “Aos animais, ela concedeu tanto tempo de vida que muitos deles sobreviveram por cinco ou dez gerações da nossa espécie; ao homem, nascido para tantos e tão grandes feitos, está estabelecido um tempo exíguo.”

 

Não, não é curto o tempo que temos, mas dele muito perdemos. A vida é suficientemente longa, e com generosidade nos foi dada para a realização das maiores coisas, se a empregamos bem. Mas quando ela se esvai no culto do supérfluo e na indiferença, quando não a empregamos em nada de positivo, somos constrangidos pela fatalidade do tempo, e sentimos que ela passou sem que tivéssemos percebido.

 

O fato é este: não recebemos uma vida breve, mas assim a fazemos, nem somos dela carentes, seus esbanjadores. Tal como se dissipam rapidamente os abundantes recursos que caem nas mãos de um gastador, assim também nossa vida se perde, quando do tempo dela não sabemos dispor.

 

(Adaptado de: SÊNECA. Sobre a brevidade da vida. Trad. William Li. São Paulo: Nova Alexandria, p. 25-26)

Contrapõe-se frontalmente à convicção de Hipócrates o que está no seguinte segmento:
  1. Aela passou sem que tivéssemos percebido (4º parágrafo).
  2. BA vida (...) com generosidade nos foi dada (4º parágrafo).
  3. Cestamos destinados a um breve momento da eternidade (1º parágrafo).
  4. Dse lamenta desse mal considerado universal (2º parágrafo).
  5. Eo litígio (...) que Aristóteles teve com a natureza (3º parágrafo).
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — A vida (...) com generosidade nos foi dada (4º parágrafo).

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Oposição frontal à convicção de Hipócrates

Gabarito: letra B. O segmento que se contrapõe frontalmente à convicção de Hipócrates é "A vida (...) com generosidade nos foi dada" (4º parágrafo), pois Hipócrates lamenta que "A vida é breve, longa, a arte", enquanto Sêneca afirma que a vida é suficientemente longa e dada com generosidade. A oposição é direta: um diz que a vida é curta; o outro, que ela é longa e generosa.

O comando pede que você identifique o segmento que contrapõe-se frontalmente à convicção de Hipócrates. Isso significa que a alternativa correta deve expressar uma ideia oposta àquela defendida por Hipócrates, não apenas diferente ou complementar. A convicção de Hipócrates, citada no 2º parágrafo, é: "A vida é breve, longa, a arte". Ou seja, para ele, a vida é curta. O texto de Sêneca, no 4º parágrafo, rebate exatamente essa ideia ao afirmar que a vida é longa e generosa, desde que bem empregada.

A técnica para resolver é localizar a tese de Hipócrates e, em seguida, procurar no texto o momento em que o autor a refuta diretamente. Sêneca não apenas discorda, mas inverte o argumento: não é a vida que é breve, somos nós que a tornamos breve ao desperdiçá-la. A passagem que materializa essa oposição é a que afirma a generosidade e a suficiência do tempo de vida.

"A vida é suficientemente longa, e com generosidade nos foi dada para a realização das maiores coisas, se a empregamos bem."

Essa frase é a antítese exata da queixa de Hipócrates. Enquanto Hipócrates vê a vida como breve, Sêneca a vê como longa e generosa. A alternativa B captura essa oposição frontal.

Alternativa A — ❌ Incorreta

O trecho "ela passou sem que tivéssemos percebido" (4º parágrafo) descreve a consequência do desperdício do tempo, não uma oposição à ideia de Hipócrates. Sêneca usa isso para explicar por que a vida parece curta: porque não a empregamos bem. Não há contraposição direta à convicção de que a vida é breve; há uma explicação da causa dessa percepção.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Como visto, o trecho "A vida (...) com generosidade nos foi dada" (4º parágrafo) é a resposta. Ele afirma o oposto da convicção de Hipócrates: a vida não é breve, é longa e generosa. A oposição é frontal porque um diz "breve" e o outro diz "longa e generosa".

Alternativa C — ❌ Incorreta

"estamos destinados a um breve momento da eternidade" (1º parágrafo) é a própria convicção que Sêneca combate, não uma oposição a ela. O texto apresenta essa ideia como a queixa dos mortais, que o autor refuta ao longo do texto. Portanto, está alinhada com a visão de Hipócrates, não contra ela.

Alternativa D — ❌ Incorreta

"se lamenta desse mal considerado universal" (2º parágrafo) refere-se à queixa geral sobre a brevidade da vida, que inclui a de Hipócrates. Não é uma oposição, mas a constatação de que muitos, inclusive homens ilustres, compartilham dessa lamentação. Está a favor da convicção, não contra.

Alternativa E — ❌ Incorreta

"o litígio (...) que Aristóteles teve com a natureza" (3º parágrafo) é outro exemplo de queixa sobre a brevidade da vida, semelhante à de Hipócrates. Aristóteles também reclama que a vida é curta. Portanto, não se opõe à convicção de Hipócrates; ao contrário, reforça-a.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre o que é a tese de Hipócrates e o que é a tese de Sêneca. As alternativas C, D e E apresentam trechos que reforçam a queixa de Hipócrates, enquanto a correta é a única que a contradiz. Leia o comando com atenção: "contrapõe-se frontalmente" exige oposição, não concordância.

PEGA ESSA DICA!

Ao identificar uma citação no texto, pergunte: o autor concorda ou discorda dela? Sêneca cita Hipócrates e Aristóteles para refutá-los, não para concordar. A resposta está no 4º parágrafo, onde a refutação acontece.

Gabarito: letra B — a única que expressa oposição frontal à convicção de Hipócrates, pois afirma que a vida é longa e generosa, enquanto ele a via como breve.

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