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Questão de Português — Concordância (Verbal e Nominal) — FCC 2025

PortuguêsConcordância (Verbal e Nominal)
Código
fc149817
Banca
FCC
Órgão
SEFAZ PI
Ano
2025
Cargo
AFFE ( )

Sobre a brevidade da vida

 

A maior parte dos mortais queixa-se da malevolência da Natureza, porque estamos destinados a um breve momento da eternidade, e, segundo eles, o espaço de tempo que nos foi dado corre tão veloz que, por consequência, e à exceção de muito poucos, a vida abandonaria a todos ainda em meio aos preparativos para bem vivê-la.

 

Vejam: não é somente a multidão e a turba insensata que se lamenta desse mal considerado universal: a mesma impressão provocou queixas inconformadas também de homens ilustres e pessoas de excelente formação. Anote-se, por exemplo, o protesto de Hipócrates, o maior dos médicos, quando diz “A vida é breve, longa, a arte”.

 

Pela mesma razão nasce o litígio (de nenhuma forma apropriado a um homem sábio) que Aristóteles teve com a Natureza: “Aos animais, ela concedeu tanto tempo de vida que muitos deles sobreviveram por cinco ou dez gerações da nossa espécie; ao homem, nascido para tantos e tão grandes feitos, está estabelecido um tempo exíguo.”

 

Não, não é curto o tempo que temos, mas dele muito perdemos. A vida é suficientemente longa, e com generosidade nos foi dada para a realização das maiores coisas, se a empregamos bem. Mas quando ela se esvai no culto do supérfluo e na indiferença, quando não a empregamos em nada de positivo, somos constrangidos pela fatalidade do tempo, e sentimos que ela passou sem que tivéssemos percebido.

 

O fato é este: não recebemos uma vida breve, mas assim a fazemos, nem somos dela carentes, seus esbanjadores. Tal como se dissipam rapidamente os abundantes recursos que caem nas mãos de um gastador, assim também nossa vida se perde, quando do tempo dela não sabemos dispor.

 

(Adaptado de: SÊNECA. Sobre a brevidade da vida. Trad. William Li. São Paulo: Nova Alexandria, p. 25-26)

As normas de concordância verbal estão plenamente observadas na frase:
  1. AAinda que se concedesse a cada um de nós muitos anos mais, continuaríamos a nos queixar da brevidade da vida.
  2. BCaberiam aos homens mais sábios valer-se dos anos todos de suas vidas para exercitarem suas qualidades espirituais.
  3. CDestacam-se entre os litígios do homem com a Natureza o que com ela manteve o filósofo Aristóteles.
  4. DAtribui-se à malevolência da Natureza todos os agravos que decorreriam do nosso pouco tempo de vida.
  5. ECostuma-se ouvir, em meio aos homens ilustres e bem formados, o queixume de serem céleres os anos da vida.
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GabaritoE — Costuma-se ouvir, em meio aos homens ilustres e bem formados, o queixume de serem céleres os anos da vida.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Concordância verbal: o verbo e o sujeito em harmonia

Gabarito: letra E. A frase "Costuma-se ouvir, em meio aos homens ilustres e bem formados, o queixume de serem céleres os anos da vida" é a única em que todas as normas de concordância verbal estão plenamente observadas. O verbo "costuma" concorda com o sujeito oracional "ouvir... o queixume...", e o verbo "serem" concorda com o núcleo do sujeito "os anos". As demais alternativas apresentam erros de concordância, seja por não identificar corretamente o núcleo do sujeito, seja por confundir a função sintática dos termos.

O comando pede que se identifique a frase em que a concordância verbal está correta. Isso significa que devemos verificar se o verbo está flexionado em número e pessoa de acordo com o seu sujeito. A banca explora, principalmente, a dificuldade de identificar o núcleo do sujeito quando ele está distante do verbo ou quando há expressões que podem confundir.

No texto de Sêneca, a tese central é que a vida não é curta, mas mal empregada. Essa ideia não interfere diretamente na resolução, mas o vocabulário e a estrutura das frases das alternativas são inspirados no texto, o que pode levar o candidato a se perder na interpretação em vez de focar na análise sintática.

A técnica para resolver é sempre a mesma: encontrar o verbo, perguntar "quem?" ou "o quê?" antes dele para achar o sujeito, identificar o núcleo desse sujeito e então flexionar o verbo corretamente. Vamos aplicar isso a cada alternativa.

Concordância verbal
  • 1Sujeito oracional
    • Verbo na 3ª pessoa do singular
    • Ex.: "Costuma-se ouvir..."
  • 2Sujeito posposto
    • Verbo concorda com o núcleo
    • Ex.: "serem céleres os anos"
  • 3Partícula "se"
    • Apassivadora → sujeito claro
    • Indeterminação → sujeito inexistente
  • 4Erros comuns
    • Concordar com objeto indireto
    • Concordar com adjunto adverbial
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Alternativa A — ❌ Incorreta

"Ainda que se concedesse a cada um de nós muitos anos mais, continuaríamos a nos queixar da brevidade da vida."

O erro está em "se concedesse". O sujeito de "conceder" é "muitos anos mais" (o que é concedido). Como o sujeito está no plural, o verbo deveria estar no plural: "se concedessem muitos anos mais". A banca usa a partícula "se" como índice de indeterminação do sujeito, mas aqui ela é partícula apassivadora, e o sujeito é claro. O verbo "continuaríamos" está correto, pois concorda com o sujeito oculto "nós".

Alternativa B — ❌ Incorreta

"Caberiam aos homens mais sábios valer-se dos anos todos de suas vidas para exercitarem suas qualidades espirituais."

O erro está em "Caberiam". O sujeito do verbo "caber" é a oração "valer-se dos anos todos de suas vidas...". Quando o sujeito é uma oração, o verbo da oração principal fica na 3ª pessoa do singular: "Cabe aos homens mais sábios valer-se...". A banca tenta confundir fazendo o verbo concordar com "homens", que é objeto indireto, não sujeito.

Alternativa C — ❌ Incorreta

"Destacam-se entre os litígios do homem com a Natureza o que com ela manteve o filósofo Aristóteles."

O erro está em "Destacam-se". O sujeito é "o que com ela manteve o filósofo Aristóteles", cujo núcleo é o pronome demonstrativo "o" (singular). Portanto, o verbo deveria estar no singular: "Destaca-se entre os litígios... o que...". A banca inverte a ordem e coloca o verbo antes do sujeito, fazendo-o concordar com "litígios", que é apenas um adjunto adverbial de lugar.

Alternativa D — ❌ Incorreta

"Atribui-se à malevolência da Natureza todos os agravos que decorreriam do nosso pouco tempo de vida."

O erro está em "Atribui-se". O sujeito é "todos os agravos" (o que é atribuído). Como o sujeito está no plural, o verbo deveria estar no plural: "Atribuem-se à malevolência da Natureza todos os agravos...". Novamente, a banca usa a partícula apassivadora "se" e coloca o verbo no singular, concordando com o termo que vem antes, que é objeto indireto.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"Costuma-se ouvir, em meio aos homens ilustres e bem formados, o queixume de serem céleres os anos da vida."

Aqui, a concordância está perfeita. O verbo "costuma" tem como sujeito a oração "ouvir o queixume de serem céleres os anos da vida". Quando o sujeito é oracional, o verbo fica na 3ª pessoa do singular: "Costuma-se ouvir...". Dentro dessa oração, o verbo "serem" concorda com o sujeito "os anos da vida", que está no plural: "de serem céleres os anos". A partícula "se" é índice de indeterminação do sujeito, pois não há um agente específico para "costumar".

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a dificuldade de identificar o sujeito quando ele está posposto ao verbo ou é uma oração. Em A, B, C e D, o verbo concorda com um termo que não é o núcleo do sujeito, criando uma falsa concordância.

PEGA ESSA DICA!

Antes de marcar, faça a pergunta "quem?" ou "o quê?" antes do verbo. Se a resposta for uma oração, o verbo fica no singular. Se for um substantivo no plural, o verbo vai para o plural. Essa técnica resolve a maioria das questões de concordância.

Gabarito: letra E

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