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Questão de Português — Reescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto. — FCC 2025

PortuguêsReescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto.
Código
fc149820
Banca
FCC
Órgão
SEFAZ PI
Ano
2025
Cargo
AFFE ( )

Sobre a brevidade da vida

 

A maior parte dos mortais queixa-se da malevolência da Natureza, porque estamos destinados a um breve momento da eternidade, e, segundo eles, o espaço de tempo que nos foi dado corre tão veloz que, por consequência, e à exceção de muito poucos, a vida abandonaria a todos ainda em meio aos preparativos para bem vivê-la.

 

Vejam: não é somente a multidão e a turba insensata que se lamenta desse mal considerado universal: a mesma impressão provocou queixas inconformadas também de homens ilustres e pessoas de excelente formação. Anote-se, por exemplo, o protesto de Hipócrates, o maior dos médicos, quando diz “A vida é breve, longa, a arte”.

 

Pela mesma razão nasce o litígio (de nenhuma forma apropriado a um homem sábio) que Aristóteles teve com a Natureza: “Aos animais, ela concedeu tanto tempo de vida que muitos deles sobreviveram por cinco ou dez gerações da nossa espécie; ao homem, nascido para tantos e tão grandes feitos, está estabelecido um tempo exíguo.”

 

Não, não é curto o tempo que temos, mas dele muito perdemos. A vida é suficientemente longa, e com generosidade nos foi dada para a realização das maiores coisas, se a empregamos bem. Mas quando ela se esvai no culto do supérfluo e na indiferença, quando não a empregamos em nada de positivo, somos constrangidos pela fatalidade do tempo, e sentimos que ela passou sem que tivéssemos percebido.

 

O fato é este: não recebemos uma vida breve, mas assim a fazemos, nem somos dela carentes, seus esbanjadores. Tal como se dissipam rapidamente os abundantes recursos que caem nas mãos de um gastador, assim também nossa vida se perde, quando do tempo dela não sabemos dispor.

 

(Adaptado de: SÊNECA. Sobre a brevidade da vida. Trad. William Li. São Paulo: Nova Alexandria, p. 25-26)

Explicita-se adequadamente a relação lógica entre os termos que constituem a frase “A vida é breve, longa, a arte” na seguinte reconstrução:
  1. ADesde que seja breve a vida, longa é a arte.
  2. BTanto breve é a vida quanto longa é a arte.
  3. CUma vez sendo longa a arte, a vida é breve.
  4. DA vida é breve, ao passo que a arte é longa.
  5. EÉ breve a vida, na medida em que a arte é longa.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — A vida é breve, ao passo que a arte é longa.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Reescrita e relação lógica: a oposição entre vida breve e arte longa

Gabarito: letra D. A frase “A vida é breve, longa, a arte” expressa uma oposição entre dois fatos: a vida é breve, mas a arte é longa. A única alternativa que preserva essa relação de contraste é a D, que usa o conectivo “ao passo que”, clássico de oposição. As demais alternativas instauram relações lógicas diferentes (condição, comparação, causa), alterando o sentido original.

A questão é de reescrita de frases com foco na relação lógica entre os termos. O comando pede que se “explicite adequadamente a relação lógica” — ou seja, não basta reescrever com sinônimos; é preciso manter o mesmo valor semântico do conectivo implícito na frase original. Na frase de Hipócrates, citada no texto, a vírgula entre “breve” e “longa” sugere uma pausa contrastiva: a vida é breve, enquanto a arte é longa. Essa é a leitura que o próprio Sêneca faz no parágrafo seguinte, ao contrapor a brevidade da vida à possibilidade de realização de grandes feitos.

A técnica para resolver: identifique a relação lógica original (oposição) e teste cada conectivo das alternativas. Conectivos como “desde que” (condição), “tanto...quanto” (comparação), “uma vez que” (causa) e “na medida em que” (causa) mudam o sentido. O único que mantém o contraste é “ao passo que”.

NÃO CAIA NESSA!

A banca troca o conectivo de oposição por conectivos de outras relações (condição, comparação, causa). A frase original usa a vírgula para marcar contraste, e a alternativa correta é a única que mantém esse valor com “ao passo que”.

PEGA ESSA DICA!

Ao reescrever, pergunte: “qual é a relação lógica entre as ideias?”. Se a original é de oposição, o conectivo deve ser adversativo (mas, porém, ao passo que, enquanto).

Relação lógica na reescrita
  • 1Original: oposição (vida breve × arte longa)
  • 2Conectivos que alteram o sentido
    • Condição (desde que)
    • Comparação (tanto...quanto)
    • Causa (uma vez que / na medida em que)
  • 3Oposição preservada
    • ao passo que
    • enquanto
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Erro: troca de relação lógica (condição). O conectivo “desde que” introduz uma condição para que algo ocorra. Na frase original, não há condição: a vida é breve e a arte é longa, simultaneamente, em contraste. A alternativa A diz que a arte ser longa depende de a vida ser breve, o que não está no texto. Extrapolação de uma relação de causa/condição que não existe.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Erro: troca de relação lógica (comparação). “Tanto...quanto” estabelece uma comparação de igualdade entre dois elementos. A frase original não compara a brevidade da vida com a longitude da arte; ela as opõe. A alternativa B iguala os dois fatos, enquanto o texto os contrasta. Contradiz a relação de oposição.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Erro: troca de relação lógica (causa). “Uma vez sendo” (ou “uma vez que”) introduz uma causa ou condição. A alternativa C afirma que a vida é breve porque a arte é longa, invertendo a relação. No texto, não há relação de causa entre os dois; há apenas contraste. Extrapolação de uma relação causal inexistente.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Mantém a relação de oposição. O conectivo “ao passo que” é um conectivo adversativo que expressa contraste entre duas ideias. Na frase original, a vírgula entre “breve” e “longa” já sugere essa oposição: a vida é breve, mas a arte é longa. A alternativa D reescreve exatamente essa relação, sem acrescentar ou modificar o sentido. Paráfrase fiel do valor semântico original.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Erro: troca de relação lógica (causa). “Na medida em que” introduz uma causa ou explicação. A alternativa E afirma que a vida é breve porque a arte é longa, o que não está no texto. A relação original é de oposição, não de causa. Extrapolação de uma relação causal inexistente.

Conclusão: a questão testa a capacidade de identificar a relação lógica entre as ideias e reescrever sem alterar o sentido. A única alternativa que preserva a oposição é a D, com “ao passo que”. As demais trocam a relação por condição, comparação ou causa, alterando o sentido original.

Gabarito: letra D

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