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Questão de Português — Correlação Verbal — FCC 2025

PortuguêsCorrelação Verbal
Código
fc149824
Banca
FCC
Órgão
CGE PI
Ano
2025
Cargo
Aud Gov ( )

A arte de um sorriso inesquecível

 

Há criaturas que não precisam fazer nada para serem pungentes. Irradiam com naturalidade a força de um acolhimento tão fácil como precioso, envolvem-nos numa aura de aceitação generosa. Despertam na gente uma comoção discreta e inexplicável, não se sabe se pelo modo de olhar, de falar, ou pelo simples magnetismo da presença.

 

Com elas, nosso dia pode imediatamente ficar melhor e mais auspicioso. São bem raras, que pena. Bastaria que esbarrássemos com mais frequência numa delas para que a vida ficasse bem melhor. Constituem um antídoto certo para o azedume, o rancor, o ressentimento que nos ameaçam a toda hora.

 

A esse respeito, lembro a personagem central do filme “Noites de Cabíria”, de Federico Fellini. Interpretada pela atriz italiana Giulietta Masina, Cabíria é o nome de uma pobre, doce e ingênua prostituta, que vive na periferia de Roma. Na cena final do filme, depois de espoliada, humilhada e abandonada por um homem que a enganou com promessas caseiras, a mulher caminha de volta para casa, derrotada, atravessando um bosque. Nele vê-se de repente ao lado de um grupo de adolescentes, que cantam e dançam com grande animação e sensualidade, quais jovens faunos e ninfas representados numa clareira mítica, numa tela clássica.

 

Aos poucos, a funda melancolia do rosto de Cabíria deixa-se atravessar e vencer pela força crescente de um sorriso resignado, expressão maior da poesia e da afirmação da vida que resiste dentro dela. Por fim, irradiada pelo olhar indescritivelmente expressivo de Giulietta Masina, a imagem daquela mulher que não desiste da magia da vida parece saltar da tela e imprimir-se no fundo de nós. A grande arte vive desses sortilégios.

 

(CASTRO, Domenico de. A editar)

"Bastaria que esbarrássemos com mais frequência numa delas para que a vida ficasse bem melhor."

 

Numa nova redação, a articulação entre os tempos e os modos verbais da frase acima permanecerá correta caso se substituam as formas sublinhadas, na ordem dada, por:

  1. ABastava - esbarremos - tivesse ficado
  2. BBastará - venhamos a esbarrar - fique
  3. CTerá bastado - esbarrássemos - tinha ficado
  4. DBaste - tenhamos esbarrado - tenha ficado
  5. ETeria bastado - teríamos esbarrado - venha a ficar
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — Bastará - venhamos a esbarrar - fique

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Correlação verbal: a harmonia entre tempos e modos

Gabarito: letra B. A frase original "Bastaria que esbarrássemos com mais frequência numa delas para que a vida ficasse bem melhor" estabelece uma correlação entre o futuro do pretérito do indicativo (Bastaria) e o pretérito imperfeito do subjuntivo (esbarrássemos), indicando uma hipótese. A alternativa B mantém essa harmonia ao usar futuro do presente do indicativo (Bastará) com futuro do subjuntivo (venhamos a esbarrar) e presente do subjuntivo (fique), todos expressando possibilidade futura. As demais alternativas quebram essa correlação ao misturar tempos que não se combinam semanticamente.

O comando da questão

O enunciado pede uma reescritura que mantenha a correlação verbal correta. Isso significa que a nova redação deve preservar a relação de sentido entre os verbos, mesmo que os tempos e modos sejam diferentes dos originais. A banca não quer uma paráfrase exata, mas uma combinação verbal que seja semanticamente harmônica.

A técnica: identificar a "dobradinha" verbal

A correlação verbal exige que os verbos de um período estejam em tempos e modos compatíveis. A frase original usa:

  • Bastaria (futuro do pretérito do indicativo) — expressa uma hipótese, um fato que poderia ocorrer.

  • esbarrássemos (pretérito imperfeito do subjuntivo) — expressa a condição hipotética.

  • ficasse (pretérito imperfeito do subjuntivo) — expressa a consequência hipotética.

Essa é uma "dobradinha" clássica: futuro do pretérito + pretérito imperfeito do subjuntivo. A alternativa B mantém a harmonia ao deslocar tudo para o futuro:

  • Bastará (futuro do presente do indicativo) — expressa uma possibilidade futura.

  • venhamos a esbarrar (futuro do subjuntivo composto) — expressa a condição futura.

  • fique (presente do subjuntivo) — expressa a consequência futura.

Todas as formas de B estão no campo da hipótese futura, criando uma correlação perfeita.

Análise das alternativas

  1. 1Identifique tempo/modo de cada verbo
  2. 2Verifique o campo temporal (passado/presente/futuro)
  3. 3Verifique o campo modal (certeza/hipótese)
  4. 4Confira se todos se combinam
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Bastava - esbarremos - tivesse ficado

Aqui há uma mistura incoerente: Bastava (pretérito imperfeito do indicativo) expressa um fato passado contínuo, mas esbarremos (presente do subjuntivo) expressa uma hipótese presente, e tivesse ficado (pretérito mais-que-perfeito composto do subjuntivo) expressa uma hipótese passada. Não há harmonia temporal: o passado, o presente e o passado composto não se combinam logicamente.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Bastará - venhamos a esbarrar - fique

Como explicado, todas as formas estão no campo da hipótese futura: Bastará (futuro do presente), venhamos a esbarrar (futuro do subjuntivo composto) e fique (presente do subjuntivo). A correlação é perfeita, pois expressa uma condição futura e sua consequência futura.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Terá bastado - esbarrássemos - tinha ficado

Terá bastado (futuro do presente composto do indicativo) expressa um fato futuro concluído, mas esbarrássemos (pretérito imperfeito do subjuntivo) expressa uma hipótese passada, e tinha ficado (pretérito mais-que-perfeito composto do indicativo) expressa um fato passado anterior a outro. A mistura de futuro com passado quebra a harmonia.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Baste - tenhamos esbarrado - tenha ficado

Baste (presente do subjuntivo) expressa uma hipótese presente, tenhamos esbarrado (pretérito perfeito composto do subjuntivo) expressa uma hipótese passada, e tenha ficado (pretérito perfeito composto do subjuntivo) também expressa uma hipótese passada. A mistura de presente com passado não é harmônica.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Teria bastado - teríamos esbarrado - venha a ficar

Teria bastado (futuro do pretérito composto do indicativo) expressa uma hipótese passada, teríamos esbarrado (futuro do pretérito composto do indicativo) também expressa uma hipótese passada, mas venha a ficar (presente do subjuntivo) expressa uma hipótese presente. A mistura de passado com presente quebra a correlação.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre tempos que parecem semelhantes, mas não se combinam. A chave é verificar se todos os verbos estão no mesmo "campo temporal" (passado, presente ou futuro) e no mesmo "campo modal" (certeza ou hipótese).

PEGA ESSA DICA!

Ao resolver questões de correlação verbal, identifique primeiro o tempo e o modo de cada verbo. Depois, verifique se eles pertencem à mesma "família" de hipótese (subjuntivo + futuro do pretérito) ou de certeza (indicativo). A alternativa B é a única que mantém a harmonia.

Gabarito: letra B — a única que preserva a correlação verbal ao manter todos os verbos no campo da hipótese futura.

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