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Questão de Português — Concordância (Verbal e Nominal) — FCC 2025

PortuguêsConcordância (Verbal e Nominal)
Código
fc149828
Banca
FCC
Órgão
CGE PI
Ano
2025
Cargo
Aud Gov ( )

Discurso de paraninfo (excerto)

 

Nas faculdades jovens, como a nossa, as distâncias entre professores e alunos são, felizmente, pequenas, porque todos têm o sentimento vivo de participar, lado a lado, na construção de alguma coisa que não adquiriu contornos definitivos: a tradição ainda não ergueu, em nossa casa, as barreiras segregadoras do status, as pequenas querelas de precedência e as grandes vaidades acadêmicas.

 

No conjunto das vocações universitárias, pertence-vos a do magistério secundário. Ora, se normalmente a função de ensinar é penosa e cheia de responsabilidade, é que não será em nosso tempo, quando os velhos ideais pedagógicos não mais funcionam. O comportamento humano está sempre em defasagem com os padrões ideais.

 

Um problema que logo se apresenta é a maneira por que devemos proceder a fim de transformar em valor humano o que nos foi ensinado e o que ensinamos. Meus caros colegas, convém lembrar que a palavra pedante significa etimologicamente professor, aquele que ensina. Deve ter havido, portanto, alguma transformação no ofício — tão nobre em si — para que todos nós, professores, chegássemos a repelir violentamente essa palavra quando alguém se lembra de nos caracterizar por meio dela.

 

Pedante mudou-se de substantivo em adjetivo graças à anomalia de atribuir ao estudo e à palavra uma finalidade em si mesmo. No tempo de Montaigne — que tem sobre a matéria um ensaio admirável — o pedantismo consistia em valorizar demasiadamente o exercício da inteligência, em detrimento da arte de viver. Hoje, pedantismo é a afetação desnecessária da palavra e da ideia. De qualquer maneira, sempre que a vossa atividade intelectual estiver ancorada apenas nos vossos livros e, sobretudo, na rotina da vida universitária, estareis em perigo de cair num desses tipos de pedantismo.

 

Neste tempo de dispersão, vulgarização e pressa, procuremos forjar em nós e nos nossos discípulos a concentração do espírito, a preservação dos valores pessoais e a longa, frutuosa paciência. “A paciência é a mais heroica das virtudes” — escreveu Leopardi — “precisamente porque não tem aparência alguma de heroísmo.”

 

(Adaptado de: CANDIDO, Antonio. Textos de intervenção. São Paulo: Duas Cidades/Editora 34, 2002, p. 311-313, passim)

As normas de concordância verbal encontram-se plenamente observadas na frase:

  1. AAtribuem-se aos jovens professores, tão logo licenciados, a responsabilidade pela preservação dos melhores valores a que tiveram acesso.
  2. BSão de se notar que as alterações de sentido das palavras podem levá-las a patamares inteiramente afastados de sua raiz etimológica.
  3. CNão cabem às palavras, no decorrer dos períodos históricos, manter-se fiéis ao sentido primeiro de seu uso, na composição das línguas humanas.
  4. DCostumam-se reconhecer nas práticas linguísticas uma autonomia mecânica que elas estão muito longe de poder exercer.
  5. EVerificam-se na evolução de uma língua alterações drásticas de sentido das palavras, decorrentes da dinâmica de seu emprego social.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — Verificam-se na evolução de uma língua alterações drásticas de sentido das palavras, decorrentes da dinâmica de seu emprego social.

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Concordância verbal com a partícula apassivadora "se"

Gabarito: letra E. A frase "Verificam-se na evolução de uma língua alterações drásticas de sentido das palavras, decorrentes da dinâmica de seu emprego social" é a única em que o verbo concorda corretamente com o sujeito paciente "alterações drásticas" (plural), como exige a voz passiva sintética. Nas demais, o verbo foi flexionado no singular quando o sujeito é plural, ou no plural quando o sujeito é singular — exatamente o erro que a banca quer que você evite.

O comando pede que você identifique a frase em que as normas de concordância verbal estão plenamente observadas. Isso significa: o verbo deve estar na mesma pessoa e número do seu sujeito. Em frases com a partícula "se" apassivadora, o verbo concorda com o termo que funciona como sujeito paciente — aquele que sofre a ação. A pegadinha clássica é achar que o "se" torna o verbo impessoal (sempre singular), o que só ocorre quando o "se" é índice de indeterminação do sujeito (com verbos intransitivos, transitivos indiretos ou de ligação).

No texto-base, o autor discute a evolução do sentido das palavras — "Pedante mudou-se de substantivo em adjetivo" — e a frase da alternativa E retoma exatamente essa ideia: "alterações drásticas de sentido das palavras, decorrentes da dinâmica de seu emprego social". O verbo "verificar" está na voz passiva sintética: quem verifica? Não se sabe; o que se verifica são as alterações. Como o sujeito é plural, o verbo deve ficar no plural: "Verificam-se".

A técnica para resolver: sublinhe o verbo, pergunte "o que se verifica?" e a resposta será o sujeito. Se a resposta estiver no plural, o verbo vai para o plural; se estiver no singular, fica no singular. Esse teste funciona para todas as alternativas e revela o erro de cada uma.

Concordância com "se" apassivador
  • 1Verbo concorda com o sujeito paciente
    • O que se verifica? → "alterações drásticas" (plural)
    • Verbo no plural: "Verificam-se"
  • 2Teste: "o que se [verbo]?"
    • Resposta = sujeito
    • Plural → verbo plural
    • Singular → verbo singular
  • 3Erros comuns
    • Verbo no singular com sujeito plural (A, D)
    • Verbo no plural com sujeito oracional (B, C)
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A frase "Atribuem-se aos jovens professores, tão logo licenciados, a responsabilidade pela preservação dos melhores valores a que tiveram acesso" está errada porque o verbo "atribuir" está no plural, mas o sujeito é "a responsabilidade" (singular). Na voz passiva sintética, o verbo concorda com o sujeito paciente: o que se atribui? A responsabilidade. Portanto, o correto seria "Atribui-se aos jovens professores a responsabilidade...". O erro é de concordância verbal: o verbo não concorda com o núcleo do sujeito.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A frase "São de se notar que as alterações de sentido das palavras podem levá-las a patamares inteiramente afastados de sua raiz etimológica" está errada porque o sujeito da oração principal é a oração subordinada substantiva "que as alterações... podem levá-las...". Quando o sujeito é uma oração, o verbo da oração principal fica na 3ª pessoa do singular. O correto seria "É de se notar que...". O erro é de concordância verbal com sujeito oracional.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A frase "Não cabem às palavras, no decorrer dos períodos históricos, manter-se fiéis ao sentido primeiro de seu uso, na composição das línguas humanas" está errada porque o sujeito do verbo "caber" é a oração "manter-se fiéis ao sentido primeiro...". Novamente, sujeito oracional exige verbo na 3ª pessoa do singular: o correto seria "Não cabe às palavras... manter-se fiéis...". O erro é de concordância verbal com sujeito oracional.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A frase "Costumam-se reconhecer nas práticas linguísticas uma autonomia mecânica que elas estão muito longe de poder exercer" está errada porque o verbo "costumar" está no plural, mas o sujeito é "uma autonomia mecânica" (singular). Na voz passiva sintética, o verbo concorda com o sujeito paciente: o que se costuma reconhecer? Uma autonomia mecânica. Portanto, o correto seria "Costuma-se reconhecer...". O erro é de concordância verbal: o verbo não concorda com o núcleo do sujeito.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A frase "Verificam-se na evolução de uma língua alterações drásticas de sentido das palavras, decorrentes da dinâmica de seu emprego social" está correta porque o verbo "verificar" concorda com o sujeito paciente "alterações drásticas" (plural). O que se verifica? Alterações drásticas. Como o sujeito está no plural, o verbo fica no plural: "Verificam-se". A concordância está plenamente observada.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre sujeito e objeto em frases com "se" apassivador. O candidato tende a achar que o verbo deve ficar no singular por causa do "se", mas o "se" apenas apassiva a frase; o verbo concorda com o termo que vem depois, que é o sujeito paciente.

PEGA ESSA DICA!

Em frases com "se" apassivador, faça a pergunta "o que se [verbo]?" — a resposta é o sujeito. Se a resposta for plural, o verbo vai para o plural; se for singular, fica no singular. Esse teste resolve todas as alternativas.

Gabarito: letra E.

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