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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — FCC 2025

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
fc149832
Banca
FCC
Órgão
TRT 2
Ano
2025
Cargo
AJ TRT2

Para responder à questão, baseie-se no texto abaixo.

 

Compreensão do tempo histórico

 

Quando cada instante do tempo que vivemos está vazio, ele não pode ser estimulado por uma expectativa promissora, por uma esperança. No entanto, se ele está sobrecarregado a ponto de explodir, fervilhando com o peso de todos os momentos anteriores, ele não dispõe de capacidade de provisão necessária para se abrir positivamente. Existe uma tensão entre a antecipação e a realização, entre o vazio do momento atual e a expectativa de que a qualquer momento ele será preenchido satisfatoriamente.

 

Para quem só se alimenta da ideia do progresso, todos os momentos são desvalorizados pelo fato de que cada um deles não passa de um degrau para o seguinte, o presente sendo uma prancha que desembarca no futuro. Cada átimo de tempo é depreciado em relação a uma infinidade de átimos que ainda virão, numa espécie de visão do progresso eterno.

 

A perspectiva de eternidade progressiva priva a história humana de seu caráter dramático, nela não se consegue perceber que não são os sonhos de que seus netos sejam livres que estimulam os homens e as mulheres a se revoltar, mas as lembranças de seus antepassados oprimidos. É o passado que nos fornece os recursos para ter esperança, e não simplesmente a possibilidade teórica de um futuro um pouco mais gratificante. É assim que o filósofo alemão Ernst Bloch pode falar do “futuro ainda não cumprido no passado”.

 

Devemos nos esforçar, portanto, para manter o passado inacabado, recusando-nos a aceitar sua aparência de encerramento como palavra final, abrindo-o novamente ao reescrever sua fatalidade aparente sob o signo da liberdade crítica.

 

(Adaptada de EAGLETON, Terry. Esperança sem otimismo. Trad. Fernando Santos, São Paulo: Editora Unesp, 2023, p. 49-50)

A formulação do tempo proposta por Emst Bloch argumenta em favor da seguinte ideia do texto:
  1. Apossibilidade teórica de um futuro um pouco mais gratificante (3º parágrafo)
  2. Brecusando-nos a aceitar sua aparência de encerramento (4º parágrafo)
  3. Cnão dispõe de capacidade de provisão necessária para se abrir positivamente (1º parágrafo)
  4. DCada átimo de tempo é depreciado em relação a uma infinidade de átimos (2º parágrafo)
  5. Eo presente sendo uma prancha que desembarca no futuro (2º parágrafo)
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GabaritoB — recusando-nos a aceitar sua aparência de encerramento (4º parágrafo)

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

A tese de Ernst Bloch: manter o passado inacabado

Gabarito: letra B. A formulação do tempo proposta por Ernst Bloch defende exatamente a ideia de recusar a aparência de encerramento do passado, como se lê no 4º parágrafo: "Devemos nos esforçar, portanto, para manter o passado inacabado, recusando-nos a aceitar sua aparência de encerramento como palavra final". As demais alternativas citam trechos do texto, mas não representam a tese defendida — algumas até a contradizem.

O comando: o que a banca pede

O enunciado pergunta qual ideia a formulação de Bloch argumenta em favor. Isso é uma questão de compreensão (localizar a tese), não de inferência. A resposta deve ser a ideia central que o autor defende, não qualquer afirmação presente no texto. A banca, esperta, oferece trechos literais de vários parágrafos — mas só um é a tese.

O texto: a tese mora no último parágrafo

O texto começa descrevendo uma tensão entre o vazio do presente e a expectativa de preenchimento (1º parágrafo). Depois critica a visão de progresso eterno, que desvaloriza cada momento (2º parágrafo). No 3º parágrafo, o autor afirma que é o passado que nos fornece os recursos para ter esperança, não o futuro. E conclui, no 4º parágrafo, com a proposta prática:

"Devemos nos esforçar, portanto, para manter o passado inacabado, recusando-nos a aceitar sua aparência de encerramento como palavra final, abrindo-o novamente ao reescrever sua fatalidade aparente sob o signo da liberdade crítica."

Essa é a tese — o ponto que o autor quer defender. As alternativas A, C, D e E citam trechos que descrevem ou criticam outras visões, mas não são a ideia defendida.

A técnica: tese × argumento × exemplo

Em textos dissertativo-argumentativos, a tese é a ideia central que o autor defende; os argumentos são as razões que a sustentam; os exemplos ilustram. Aqui, a tese é a proposta de manter o passado inacabado. As demais alternativas são argumentos (como a crítica ao progresso) ou constatações (como a tensão inicial), mas não a conclusão.

Análise das alternativas

Alternativa A — ❌ Incorreta

"possibilidade teórica de um futuro um pouco mais gratificante" (3º parágrafo)

O texto menciona essa expressão, mas para negá-la: "não simplesmente a possibilidade teórica de um futuro um pouco mais gratificante". Ou seja, o autor rejeita essa ideia como fonte de esperança. A alternativa contradiz a tese, pois apresenta como defendido aquilo que o texto refuta.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"recusando-nos a aceitar sua aparência de encerramento" (4º parágrafo)

É a paráfrase exata da tese: "recusando-nos a aceitar sua aparência de encerramento como palavra final". O autor defende que devemos manter o passado inacabado, ou seja, não aceitar que ele esteja encerrado. É a ideia central do texto.

Alternativa C — ❌ Incorreta

"não dispõe de capacidade de provisão necessária para se abrir positivamente" (1º parágrafo)

Essa frase descreve uma condição negativa do tempo quando sobrecarregado. É uma constatação sobre um estado, não uma proposta ou defesa. O autor não argumenta em favor disso; apenas descreve uma situação. A alternativa tangencia o tema, pois fala de um aspecto do tempo, mas não da tese.

Alternativa D — ❌ Incorreta

"Cada átimo de tempo é depreciado em relação a uma infinidade de átimos" (2º parágrafo)

Essa é uma crítica à visão de progresso eterno, que desvaloriza cada momento. O autor critica essa postura, não a defende. A alternativa contradiz a tese, pois apresenta como defendido aquilo que o texto combate.

Alternativa E — ❌ Incorreta

"o presente sendo uma prancha que desembarca no futuro" (2º parágrafo)

É uma metáfora usada para ilustrar a visão de progresso, mas o autor a usa para criticar essa visão. Não é uma ideia defendida, mas um exemplo do que ele rejeita. A alternativa tangencia o tema, pois fala do tempo, mas não da tese.

Conclusão

A questão cobra a tese do texto. A única alternativa que expressa a ideia defendida é a B, que parafraseia o 4º parágrafo. As demais ou contradizem (A, D) ou tangenciam (C, E) a tese.

PEGA ESSA DICA!

Em questões de "argumenta em favor", procure a tese — geralmente na introdução ou conclusão. Desconfie de alternativas que citam trechos literais, mas que são argumentos ou críticas, não a ideia central.

Gabarito: letra B

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