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Questão de Português — Pronomes Relativos — FCC 2025

PortuguêsPronomes Relativos
Código
fc149834
Banca
FCC
Órgão
TRT 2
Ano
2025
Cargo
AJ TRT2

Para responder à questão, baseie-se no texto abaixo.

 

Imagens e palavras

 

Alguém terá dito: "Uma imagem vale por mil palavras" - frase que ganhou fama e foro de verdade. Mas o escritor e artista gráfico Millôr Fernandes, que transitou toda a sua vida entre desenhos e textos, retrucou ao desconhecido autor da frase: "Diga isso sem palavras". Para fazer justiça à linguagem verbal, Millôr desafia qualquer imagem a formular um conceito.

 

Melhor será, de sua familiar outra frase famosa, acreditar em "A cada um o que é seu". A imagem tem o impacto imediato de sua aparição visível, de sua epifania impositiva. As palavras conceituais pedem uma compreensão interiorizada da construção de seu sentido. Uma fotografia faz surgir diante de nós uma captação de um elemento da realidade; já a imagem verbal se impõe também pelo som das palavras que a traduzem e depende muito de uma visualização algo fantasiosa.

 

Humoristas, cartunistas e redatores sabem muito bem o que podem fazer para alcançar o riso de seu público. A imagem do humor promove, por exemplo, uma discrepância entre a figura imprevista e uma expectativa convencional: o que deveria ser levado a sério se vê desvestido e exposto ao riso da surpresa. Já as palavras do humor escrito promovem basicamente um desencontro entre a gravidade de uma situação e o desbocamento verbal, ou uma alteração drástica de sentido que torna ridícula uma elocução moralista.

 

Como as artes não precisam se excluir, até porque muitas vezes se associam e se complementam, imagens e palavra por vezes se somam de modo a intensificar uma o sentido de outra. Outras linguagens artísticas, como a literatura e a música, por exemplo, podem associar-se, compor canções notáveis, tanto no registro mais popular como no erudito. Digamos então que tanto a legenda de uma foto pode ser vital para contextualizar uma imagem, como uma pintura associada a um poema empresta a ele um horizonte de projeção.

 

(Claudionor Martinho, a editar)

É adequado o emprego do elemento sublinhado na frase:
  1. AO riso é uma arma da qual não deixam de recorrer artistas de todas as linguagens.
  2. BA surpresa impactante é um recurso de que muitos escritores não abrem mão.
  3. CMillôr manifesta com sua frase uma convicção com cuja nem todos querem compartilhar.
  4. DHá características em cada linguagem artística às quais não se pode desconsiderar.
  5. EExistem cartunistas e redatores que o seu talento indiscutível acaba por aproximá-los.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — A surpresa impactante é um recurso de que muitos escritores não abrem mão.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Pronomes relativos: a regência que decide o gabarito

Gabarito: letra B. A frase "A surpresa impactante é um recurso de que muitos escritores não abrem mão" é a única em que o pronome relativo que vem corretamente antecedido da preposição de, exigida pela regência do verbo abrir mão (quem abre mão, abre mão de algo). Nas demais, há erro de regência, de concordância ou de construção sintática, como se verá a seguir.

A questão pede que se avalie o emprego do elemento sublinhado — no caso, o pronome relativo e a preposição que o antecede. O comando é de gramática aplicada ao texto: não se trata de interpretar o conteúdo, mas de verificar se a construção está de acordo com a norma culta. A técnica central é testar a regência do verbo ou do nome a que o pronome se refere, perguntando: "quem faz a ação, faz a ação de que?" ou "quem tem a característica, tem de que?".

O texto-base fala sobre a relação entre imagem e palavra, mas a questão não depende do conteúdo para ser resolvida — ela usa frases que poderiam estar em qualquer contexto. O que importa é a sintaxe de regência de cada verbo ou nome empregado. Vamos analisar cada alternativa com esse método.

A regra que decide é simples: o pronome relativo que (e suas variações) deve ser antecedido da preposição exigida pelo verbo ou nome que o segue na oração subordinada. Se o verbo pede "de", usa-se "de que"; se pede "a", usa-se "a que"; se pede "com", usa-se "com que". O erro clássico é usar a preposição errada ou omiti-la quando necessária. Além disso, é preciso observar a concordância do pronome com o antecedente e o paralelismo entre as orações.

Pronome relativo: regência
  • 1Verbo/nome exige preposição
    • Preposição correta antes do relativo
    • Preposição trocada ou ausente
  • 2Casos típicos
    • Recorrer → "a que" (não "da qual")
    • Abrir mão → "de que"
    • Compartilhar → "de/com que"
    • Desconsiderar → VTD, sem preposição
  • 3Cujo
    • Valor possessivo
    • Não admite artigo após si
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A frase "O riso é uma arma da qual não deixam de recorrer artistas de todas as linguagens" apresenta erro de regência. O verbo recorrer exige a preposição a (quem recorre, recorre a algo). Portanto, o correto seria "arma a que não deixam de recorrer" ou "arma à qual não deixam de recorrer". A forma "da qual" indica procedência ou posse, não o complemento do verbo. Erro: troca de preposição (regência verbal).

Alternativa B — ✅ Correta

A frase "A surpresa impactante é um recurso de que muitos escritores não abrem mão" está correta. O verbo abrir mão exige a preposição de (quem abre mão, abre mão de algo). Assim, o pronome relativo que deve ser antecedido de de, formando "de que". A construção é perfeita: "recurso de que não abrem mão" = "não abrem mão desse recurso". Correta: regência verbal adequada.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A frase "Millôr manifesta com sua frase uma convicção com cuja nem todos querem compartilhar" apresenta dois problemas. Primeiro, o pronome cujo já indica posse e não admite artigo após si, mas aqui está precedido de preposição "com" e seguido de "cuja" sem substantivo — o correto seria "convicção com a qual nem todos querem compartilhar" ou "convicção de que nem todos querem compartilhar" (pois compartilhar exige a preposição de ou com). Além disso, cujo deve ser usado com valor possessivo, o que não ocorre aqui. Erro: uso inadequado de cujo e regência nominal.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A frase "Há características em cada linguagem artística às quais não se pode desconsiderar" apresenta erro de regência. O verbo desconsiderar é transitivo direto, ou seja, não exige preposição. Portanto, o correto seria "características que não se pode desconsiderar" ou "características as quais não se pode desconsiderar" (sem a preposição "a"). A forma "às quais" indica que há uma preposição "a" exigida, o que não ocorre. Erro: preposição indevida (regência verbal).

Alternativa E — ❌ Incorreta

A frase "Existem cartunistas e redatores que o seu talento indiscutível acaba por aproximá-los" apresenta um desvio de construção. O pronome relativo que deveria retomar "cartunistas e redatores", mas a oração seguinte "o seu talento indiscutível acaba por aproximá-los" não se conecta adequadamente. O correto seria "cartunistas e redatores cujo talento indiscutível acaba por aproximá-los" ou "cartunistas e redatores que têm talento indiscutível, o que acaba por aproximá-los". A forma atual gera ambiguidade e quebra de paralelismo. Erro: construção sintática inadequada (uso do pronome relativo).

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre regência verbal e nominal, oferecendo construções com preposição inadequada ou ausente, além de desvios de concordância e paralelismo. A correta é a única em que a preposição exigida pelo verbo é usada corretamente.

PEGA ESSA DICA!

Ao resolver questões de pronome relativo, identifique o verbo ou nome da oração subordinada e pergunte: "quem faz a ação, faz a ação de que?" ou "quem tem a característica, tem de que?". Isso revela a preposição correta.

Gabarito: letra B.

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