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Questão de Português — Coerência. Coesão (Anáfora, Catáfora, Uso dos Conectores - Pronomes Relativos, Conjunções, etc) — FCC 2025

PortuguêsCoerência. Coesão (Anáfora, Catáfora, Uso dos Conectores - Pronomes Relativos, Conjunções, etc)
Código
fc149835
Banca
FCC
Órgão
TRT 2
Ano
2025
Cargo
TJ TRT2

Leia o texto para responder à questão.

 

A “caixa de Pandora” é uma metáfora usada para caracterizar ações que, menosprezando o princípio da precaução, desencadeiam consequências maléficas, terríveis e irreversíveis. O mito de Pandora origina-se nos poemas épicos de Hesiodo (a Teogonia), escritos durante o século VII a.C. e considerados uma das mais antigas versões sobre a origem do Universo.

 

Zeus deu a Pandora, como presente de casamento, uma caixa (na Grécia antiga, um jarro), mas avisou-a para nunca a abrir, pois seria melhor deixá-la intocada. A vontade de abri-la superou qualquer precaução: coisas horríveis voaram para fora, incluindo ganância, inveja, ódio, dor, doença, fome, pobreza, guerra e morte.

 

Hoje em dia, a caixa de Pandora continua sendo aberta, não por pessoas desavisadas, mas por personagens que prestam serviços em nome da ciência, da política e da economia.

 

Ai estão os agravos à saúde da população, à biodiversidade, ao habitat dos demais seres vivos, à preservação dos ecossistemas, à própria Terra como um todo. A confiança na tecnologia como panaceia para todos os males resultou em considerar a “inteligência artificial” como opção para o declínio da “inteligência natural”.

 

Eleitos adversos relativos ao ultraprocessamento dos alimentos, às transformações genéticas, às radiações eletromagnéticas continuam ainda pouco explorados. Entidades diversas subsidiam pesquisas científicas, desde que seus resultados respaldem, à priori, o que afirmam sobre seus métodos, produtos e ações.

 

Jornalistas, influenciadores e meios de comunicação social teriam que destacar os objetivos desejáveis e colocar em debate os caminhos para alcançá-los.

 

O resgate da Terra e o resgate da humanidade são aspectos complementares e devem ser tratados simultaneamente, no espaço e no tempo, para seu apoio mútuo.

 

A questão é que as mudanças dependem da adoção de novas formas de estar no mundo. Elas implicam o apoio de dimensões interdependentes: intima (mundo pessoal); interativa (relações grupais); social (política, econômica); e biofísica [condições ambientais).

 

Existe uma sinergia entre todas essas dimensões: elas podem se congregar em tomo de objetivos comuns (ecossistemas), ou se repelirem (ruptura e caos).

 

Eis aqui a caixa de Pandora.

 

(adaptado de: André Francisco Pilon. Disponível em: https://jornal.usp.br. Acesso em 06/2025)

No trecho mas avisou-a para nunca a abrir, pois seria melhor deixá-la intocada (2º parágrafo), os pronomes sublinhados referem-se, respectivamente, a:

  1. APandora - caixa - caixa
  2. BPandora - Pandora - caixa
  3. Ccaixa - Pandora - Grécia antiga
  4. DZeus - Pandora - caixa
  5. EZeus - Grécia antiga - Pandora
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GabaritoA — Pandora - caixa - caixa

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Coesão referencial: a que se refere cada pronome?

Gabarito: letra A. No trecho "mas avisou-a para nunca a abrir, pois seria melhor deixá-la intocada", os pronomes sublinhados referem-se, respectivamente, a Pandora, caixa e caixa. A pista decisiva está no contexto: Zeus "avisou-a" — o pronome a é objeto direto de "avisou" e só pode ser Pandora, pois é a ela que Zeus dá o aviso; já "abrir" e "deixá-la intocada" só fazem sentido se o objeto for a caixa, o presente que ela recebeu e que não deveria ser aberto.

O comando pede uma tarefa de coesão referencial: identificar o referente de cada pronome, ou seja, a que termo do texto cada um retoma. Isso não é interpretação livre — é uma operação de anáfora, em que o pronome recupera um elemento já mencionado. Para resolver, é preciso voltar ao texto e verificar, pela lógica da frase e pela concordância, qual substantivo cada pronome substitui.

No 2º parágrafo, o texto narra: "Zeus deu a Pandora, como presente de casamento, uma caixa (na Grécia antiga, um jarro), mas avisou-a para nunca a abrir, pois seria melhor deixá-la intocada." A sequência é clara: Zeus avisou Pandora (avisou-a) para que ela não abrisse a caixa (abrir = abrir a caixa) e que deixasse a caixa intocada (deixá-la = deixar a caixa). O pronome a em "avisou-a" é feminino singular e concorda com "Pandora"; os pronomes a (em "abrir") e la (em "deixá-la") também são femininos singulares, mas o contexto verbal — "abrir" e "deixar intocada" — só se aplica à caixa, não à pessoa.

A técnica que decide é testar a substituição: troque cada pronome pelo substantivo que você acha que ele retoma e veja se a frase continua lógica. "Avisou Pandora para nunca abrir Pandora" não faz sentido; "avisou Pandora para nunca abrir a caixa" faz. "Deixar Pandora intocada" também não faz sentido; "deixar a caixa intocada" faz. Esse teste elimina as alternativas que trocam os referentes.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a proximidade: "avisou-a" vem logo depois de "uma caixa", o que pode induzir a pensar que o pronome se refere à caixa. Mas o verbo "avisar" exige um ser que receba o aviso — e quem recebe é Pandora. Fique atento à lógica do verbo, não à posição do pronome.

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A sequência Pandora - caixa - caixa é a única que respeita a lógica do trecho. O pronome a em "avisou-a" retoma Pandora (Zeus avisou Pandora); o pronome a em "abrir" retoma caixa (abrir a caixa); o pronome la em "deixá-la" retoma caixa (deixar a caixa intocada). A passagem que sustenta: "Zeus deu a Pandora, como presente de casamento, uma caixa ... mas avisou-a para nunca a abrir, pois seria melhor deixá-la intocada." A concordância e o sentido confirmam: quem é avisada é Pandora; o que não deve ser aberto nem tocado é a caixa.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A sequência Pandora - Pandora - caixa erra no segundo pronome: "abrir" não pode ter como objeto "Pandora". O texto diz que Zeus avisou Pandora para não abrir a caixa — abrir algo que é um recipiente, não uma pessoa. O erro é de troca de referente: atribui a Pandora uma ação que só se aplica à caixa.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A sequência caixa - Pandora - Grécia antiga está completamente equivocada. O primeiro pronome "avisou-a" não pode ser "caixa", pois caixa não recebe aviso; o segundo "abrir" não pode ser "Pandora" (mesmo erro da B); e o terceiro "deixá-la" não pode ser "Grécia antiga", que sequer é mencionada como objeto de ação no trecho. A alternativa extrapola ao trazer um elemento que não participa da cena.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A sequência Zeus - Pandora - caixa erra no primeiro pronome: "avisou-a" não pode retomar Zeus, pois o pronome é objeto direto (quem recebe a ação de avisar) e Zeus é o sujeito que avisa. O texto diz "Zeus ... avisou-a" — o a só pode ser Pandora. A alternativa contradiz a estrutura sintática da frase.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A sequência Zeus - Grécia antiga - Pandora acumula os erros das anteriores: o primeiro pronome não é Zeus (mesmo problema da D); o segundo não é "Grécia antiga" (a Grécia é apenas uma referência geográfica entre parênteses, não objeto de "abrir"); e o terceiro não é Pandora (não se deixa Pandora intocada, mas a caixa). A alternativa tangencia o texto ao misturar elementos que não têm relação coesiva.

Conclusão: a questão testa a coesão referencial anafórica — a capacidade de rastrear a que termo cada pronome remete. O método é sempre o mesmo: substitua o pronome pelo candidato a referente e veja se a frase mantém o sentido. Aqui, a lógica do verbo "avisar" (quem avisa? a quem?) e a lógica de "abrir/deixar intocada" (o quê?) decidem a questão. Gabarito: letra A.

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