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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — FCC 2025

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
fc149839
Banca
FCC
Órgão
CBM AP
Ano
2025
Cargo
Of ( )

A força do limite e o limite da força

 

Muitas vezes somos contraditórios. Nem sempre sabemos o que queremos, mudando de direção conforme mudam os ventos. Pense-se, por exemplo, nos usos que fazemos da palavra limite: ela tanto serve a uma acusação como a um abono. Se você disser a uma pessoa que ela é muito limitada, ganhará um desafeto, sobretudo se for verdade. Mas dizer que alguém tem consciência de seus limites soará como um elogio. Agir na medida dos próprios limites é um traço de maturidade e sabedoria. Não queremos ser limitados. mas concordamos que é importante considerar o limite como um valor social.

 

Para um artista, por exemplo, torna-se imprescindível a busca e a conquista de um limite para sua arte. Sem limite, não pode haver forma estabelecida; sem uma forma estabelecida, não há arte. O escultor dará limites a uma pedra de mármore, o músico às notas de uma canção, o escritor, as palavras. A grande arte é a que sabe se expandir a partir do controle expressivo de seus limites.

 

Há um exemplo célebre para essa última afirmação. O grande poeta Manuel Bandeira dizia-se um "poeta menor", devido à atenção que ele dava às coisas simples e poéticas do nosso cotidiano. Atento aos nossos mais sensíveis limites humanos, encontrou e nos revelou a poesia grande das pequenas coisas e das criaturas humildes.

 

Na vida social, na ordem pública, a noção de limite é um dos fundamentos da própria sociabilidade. Os instrumentos da necessária manutenção dos limites civilizatórios são os preceitos jurídicos. Cabe aos agentes da ordem e da segurança social resguardá-los, assegurando seu cumprimento por todos. Contam, para isso, até mesmo com a possibilidade de recorrer à força, cujo emprego disciplinado não deixa de estar sujeito a precisos limites. É o reconhecimento do limite da força que legitima o combate a quem despreza quaisquer limites. Não será um mero jogo de palavras, certamente, afirmar que o limite da força é, em última análise, a força mesma do limite, sem o qual não sobreviveria nenhuma instituição humana criada para dar seguimento ao curso do processo civilizatório

 

(Aristofanes Medeiros, a editar)

Na prática das artes, como bem ilustra a poesia de Manuel Bandeira, a preocupação com o limite
  1. Aperde em importância diante da resolução da forma final que a obra deverá tomar.
  2. Bsó pode ser desconsiderada quando se tratar de obras da mais alta expressão artística.
  3. Cimpõe-se porque a expressão artística depende do controle sensível do que formaliza.
  4. Dtem importância relativa, pois a disciplina da forma compromete a liberdade de criação.
  5. Eé fundamental, porque também a arte deve prestar tributo aos preceitos jurídicos.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — impõe-se porque a expressão artística depende do controle sensível do que formaliza.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

A força do limite nas artes: a tese do autor

Gabarito: letra C. A preocupação com o limite, na prática das artes, impõe-se porque a expressão artística depende do controle sensível do que formaliza — é exatamente o que o autor afirma no 2º parágrafo ao dizer que "a grande arte é a que sabe se expandir a partir do controle expressivo de seus limites". A alternativa C é a única que parafraseia fielmente essa ideia, sem acrescentar nada de fora do texto.

O comando pede compreensão ("como bem ilustra a poesia de Manuel Bandeira"), ou seja, exige que você localize a ideia que o autor defende sobre o limite nas artes e a reconheça reescrita em outras palavras. Não se trata de inferir algo novo, mas de identificar a tese que sustenta o 2º parágrafo e que o exemplo de Bandeira (3º parágrafo) confirma.

No 2º parágrafo, o autor desenvolve a tese central: sem limite não há forma, e sem forma não há arte. Veja o trecho decisivo:

"Sem limite, não pode haver forma estabelecida; sem uma forma estabelecida, não há arte."

E conclui com a ideia que a alternativa C captura:

"A grande arte é a que sabe se expandir a partir do controle expressivo de seus limites."

O exemplo de Manuel Bandeira (3º parágrafo) serve exatamente para ilustrar essa tese: o poeta, atento "aos nossos mais sensíveis limites humanos", encontrou "a poesia grande das pequenas coisas" — ou seja, a grandeza nasceu do controle expressivo dos limites, não da ausência deles.

A técnica para resolver: teste cada alternativa perguntando: o texto autoriza isto, ou exige acrescentar algo de fora? A correta é a única que se sustenta inteiramente no que está escrito, sem extrapolar, restringir ou contradizer o autor.

Alternativa A — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que o limite "perde em importância diante da resolução da forma final". Isso contradiz o texto: o autor diz exatamente o oposto — o limite é condição para a forma, não algo secundário. O trecho "Sem limite, não pode haver forma estabelecida" prova que o limite é anterior e indispensável à forma. A alternativa inverte a relação de importância.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Diz que o limite "só pode ser desconsiderada quando se tratar de obras da mais alta expressão artística". O texto não diz isso em nenhum momento — pelo contrário, afirma que a grande arte é justamente a que se expande a partir do controle dos limites. A alternativa extrapola: inventa uma exceção (obras de alta expressão) que não existe no texto. Além disso, o advérbio "só" restringe indevidamente o alcance da ideia.

Alternativa C — ✅ Correta

A alternativa parafraseia com precisão a tese do 2º parágrafo: a expressão artística depende do controle sensível do que formaliza. O texto diz: "A grande arte é a que sabe se expandir a partir do controle expressivo de seus limites". A palavra "impõe-se" reflete a necessidade expressa por "não pode haver forma estabelecida". É a única alternativa que não acrescenta, não restringe e não contradiz o texto.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Afirma que o limite "tem importância relativa, pois a disciplina da forma compromete a liberdade de criação". Isso contradiz o texto de duas formas: (1) o autor não diz que o limite é relativo — ele é imprescindível ("torna-se imprescindível a busca e a conquista de um limite"); (2) o autor não diz que a disciplina compromete a liberdade — ele diz que a arte se expande a partir do controle. A alternativa embute uma opinião (liberdade × disciplina) que o texto não sustenta.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Diz que a arte deve "prestar tributo aos preceitos jurídicos". Isso é uma extrapolação grosseira: o texto trata dos preceitos jurídicos apenas no 4º parágrafo, no contexto da vida social e da ordem pública, não das artes. O autor não estabelece nenhuma relação entre arte e direito. A alternativa tangencia o tema, misturando dois assuntos que o texto mantém separados.

NÃO CAIA NESSA!

A banca adora extrapolar com um fato verdadeiro no mundo real (como a relação entre arte e normas) que o texto não menciona. A alternativa E é o exemplo clássico: parece plausível, mas não está no texto.

PEGA ESSA DICA!

Em questões de compreensão, grife as palavras absolutas ("só", "sempre", "nunca") e desconfie de alternativas que introduzem relações de causa/oposição que o texto não estabelece. A correta é sempre a que reescreve o que está dito, sem inventar.

Gabarito: letra C.

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