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Questão de Português — Reescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto. — FCC 2025

PortuguêsReescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto.
Código
fc149841
Banca
FCC
Órgão
CBM AP
Ano
2025
Cargo
Of ( )

A força do limite e o limite da força

 

Muitas vezes somos contraditórios. Nem sempre sabemos o que queremos, mudando de direção conforme mudam os ventos. Pense-se, por exemplo, nos usos que fazemos da palavra limite: ela tanto serve a uma acusação como a um abono. Se você disser a uma pessoa que ela é muito limitada, ganhará um desafeto, sobretudo se for verdade. Mas dizer que alguém tem consciência de seus limites soará como um elogio. Agir na medida dos próprios limites é um traço de maturidade e sabedoria. Não queremos ser limitados. mas concordamos que é importante considerar o limite como um valor social.

 

Para um artista, por exemplo, torna-se imprescindível a busca e a conquista de um limite para sua arte. Sem limite, não pode haver forma estabelecida; sem uma forma estabelecida, não há arte. O escultor dará limites a uma pedra de mármore, o músico às notas de uma canção, o escritor, as palavras. A grande arte é a que sabe se expandir a partir do controle expressivo de seus limites.

 

Há um exemplo célebre para essa última afirmação. O grande poeta Manuel Bandeira dizia-se um "poeta menor", devido à atenção que ele dava às coisas simples e poéticas do nosso cotidiano. Atento aos nossos mais sensíveis limites humanos, encontrou e nos revelou a poesia grande das pequenas coisas e das criaturas humildes.

 

Na vida social, na ordem pública, a noção de limite é um dos fundamentos da própria sociabilidade. Os instrumentos da necessária manutenção dos limites civilizatórios são os preceitos jurídicos. Cabe aos agentes da ordem e da segurança social resguardá-los, assegurando seu cumprimento por todos. Contam, para isso, até mesmo com a possibilidade de recorrer à força, cujo emprego disciplinado não deixa de estar sujeito a precisos limites. É o reconhecimento do limite da força que legitima o combate a quem despreza quaisquer limites. Não será um mero jogo de palavras, certamente, afirmar que o limite da força é, em última análise, a força mesma do limite, sem o qual não sobreviveria nenhuma instituição humana criada para dar seguimento ao curso do processo civilizatório

 

(Aristofanes Medeiros, a editar)

É correta e coerente, no contexto, a substituição do elemento sublinhado pelo elemento indicado entre parênteses em:
  1. AManuel Bandeira dizia-se um “poeta menor”, devido à atenção que dava ás coisas simples. (em razão da)
  2. BNem sempre sabemos o que queremos, mudando de direção conforme mudam os ventos. (ao passo que)
  3. CSe você dissera uma pessoa que ela é muito limitada, ganhará um desafeto, sobretudo se for verdade. (haja vista)
  4. DA grande arte é a que sabe se expandir a partir do controle expressivo de seus limites. (ainda que pelo)
  5. EContam, para isso, até mesmo com a possibilidade de recorrerem à força. (ainda assim)
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GabaritoA — Manuel Bandeira dizia-se um “poeta menor”, devido à atenção que dava ás coisas simples. (em razão da)

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Substituição de conectivos: o sentido mora na relação entre as ideias

Gabarito: letra A. A única substituição que preserva integralmente o sentido e a correção gramatical é trocar "devido à atenção" por "em razão da atenção" — ambas expressões têm valor causal e regem a mesma estrutura (substantivo feminino + "da"). Como se lê no 2º parágrafo do texto: "O grande poeta Manuel Bandeira dizia-se um 'poeta menor', devido à atenção que ele dava às coisas simples". A troca mantém a causa da autodenominação, sem alterar a relação lógica nem exigir reescrita do restante da frase.

O comando pede que você avalie se a substituição do elemento sublinhado pelo elemento entre parênteses é correta e coerente no contexto. Isso significa que a troca deve (1) preservar o valor semântico da expressão original (causa, tempo, condição, concessão, oposição etc.) e (2) manter a correção gramatical — regência, concordância e estrutura sintática. Não basta que as duas expressões sejam "parecidas": elas precisam instaurar a mesma relação lógica entre as ideias.

O texto-base é um ensaio sobre o valor do limite — na arte, na vida social e na ordem pública. O trecho de Bandeira aparece como exemplo da tese de que a grande arte se expande a partir do controle expressivo de seus limites. A relação entre "dizer-se poeta menor" e "a atenção às coisas simples" é de causa: foi por causa dessa atenção que ele se autodenominava assim. Por isso, "devido à" e "em razão da" são intercambiáveis — ambas introduzem a causa.

A técnica para resolver: identifique a relação semântica que o conectivo original estabelece e teste se o substituto estabelece a mesma. Se o substituto trouxer outra relação (oposição, tempo, condição), a alternativa está errada, ainda que a frase continue gramatical. Além disso, desconfie de trocas que exigem reestruturação sintática — como "recorrerem" no lugar de "recorrer" —, pois a banca costuma esconder erros de concordância ou de regência.

NÃO CAIA NESSA!

A banca oferece conectivos que parecem sinônimos, mas têm valores lógicos diferentes. "Ao passo que" é opositivo (equivale a "enquanto"), não temporal; "haja vista" é explicativo/confirmativo, não condicional; "ainda que pelo" é concessivo, não de meio; "ainda assim" é concessivo-conclusivo, não aditivo. A única troca que mantém a relação causal é a da letra A.

Alternativa

Expressão Original

Valor Semântico Original

Expressão Substituta

Valor Semântico do Substituto

Resultado

A

devido à

Causal

em razão da

Causal

✅ Correta

B

conforme

Proporcional

ao passo que

Opositivo

❌ Incorreta

C

sobretudo se

Condicional

haja vista

Explicativo

❌ Incorreta

D

a partir do

Meio/Instrumento

ainda que pelo

Concessivo

❌ Incorreta

E

até mesmo com

Aditivo/Inclusivo

ainda assim

Concessivo-conclusivo

❌ Incorreta

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A substituição de "devido à atenção" por "em razão da atenção" é perfeita: ambas são locuções prepositivas com valor causal, regem a mesma estrutura (preposição + artigo + substantivo) e não alteram o sentido da frase. No texto:

"O grande poeta Manuel Bandeira dizia-se um 'poeta menor', devido à atenção que ele dava às coisas simples e poéticas do nosso cotidiano."

A causa de Bandeira se considerar "poeta menor" é a atenção às coisas simples. "Em razão da" expressa exatamente essa causa, sem mudança de registro ou de sentido. Correta.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A substituição de "conforme" por "ao passo que" altera a relação lógica. No texto:

"Nem sempre sabemos o que queremos, mudando de direção conforme mudam os ventos."

"Conforme" tem valor proporcional/temporal (à medida que os ventos mudam, mudamos de direção). "Ao passo que" tem valor opositivo (equivale a "enquanto", "ao mesmo tempo em que", mas com ideia de contraste). A troca introduziria uma oposição que não existe no original. Erro: troca de valor semântico (proporção → oposição).

Alternativa C — ❌ Incorreta

A substituição de "sobretudo se" por "haja vista" muda a relação. No texto:

"Se você disser a uma pessoa que ela é muito limitada, ganhará um desafeto, sobretudo se for verdade."

"Sobretudo se" introduz uma condição com ênfase (principalmente se for verdade). "Haja vista" é uma expressão explicativa/confirmativa (equivale a "por exemplo", "tendo em vista"), que não estabelece condição. Além disso, "haja vista" exigiria reestruturação da frase ("haja vista a verdade"), o que não ocorre. Erro: troca de valor semântico (condição → explicação) e quebra sintática.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A substituição de "a partir do" por "ainda que pelo" altera completamente o sentido. No texto:

"A grande arte é a que sabe se expandir a partir do controle expressivo de seus limites."

"A partir do" indica meio/instrumento (a arte se expande por meio do controle). "Ainda que pelo" é uma locução concessiva (equivale a "mesmo que pelo"), que introduz uma ressalva — algo como "mesmo que seja pelo controle". Isso inverte a relação: em vez de o controle ser o meio da expansão, ele vira uma condição adversa. Erro: troca de valor semântico (meio → concessão).

Alternativa E — ❌ Incorreta

A substituição de "até mesmo com" por "ainda assim" muda a relação e quebra a sintaxe. No texto:

"Contam, para isso, até mesmo com a possibilidade de recorrer à força."

"Até mesmo com" é uma locução aditiva/inclusiva (inclui a força como mais um recurso). "Ainda assim" é um conectivo concessivo-conclusivo (equivale a "mesmo assim"), que não se encaixa na estrutura — exigiria reescrita completa ("Contam, para isso, com a possibilidade; ainda assim, ..."). Além disso, a alternativa altera "recorrer" para "recorrerem", quebrando a concordância com o sujeito "os agentes" (implícito) — o correto seria "recorrer" (infinitivo impessoal). Erro: troca de valor semântico (inclusão → concessão) e erro de concordância.

Conclusão: a questão testa a equivalência semântica entre conectivos. A única troca que preserva a relação causal original é a da letra A. Para acertar, sempre identifique a relação lógica (causa, tempo, condição, concessão, oposição, meio) antes de testar o substituto — e desconfie de trocas que exijam reestruturação sintática ou que alterem a concordância.

Gabarito: letra A

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