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Questão de Português — Outras Questões de Português e Questões Mescladas (Interpretação de Textos ou Gramática) — FCC 2025

PortuguêsOutras Questões de Português e Questões Mescladas (Interpretação de Textos ou Gramática)
Código
fc149844
Banca
FCC
Órgão
CBM AP
Ano
2025
Cargo
Of ( )

A força do limite e o limite da força

 

Muitas vezes somos contraditórios. Nem sempre sabemos o que queremos, mudando de direção conforme mudam os ventos. Pense-se, por exemplo, nos usos que fazemos da palavra limite: ela tanto serve a uma acusação como a um abono. Se você disser a uma pessoa que ela é muito limitada, ganhará um desafeto, sobretudo se for verdade. Mas dizer que alguém tem consciência de seus limites soará como um elogio. Agir na medida dos próprios limites é um traço de maturidade e sabedoria. Não queremos ser limitados. mas concordamos que é importante considerar o limite como um valor social.

 

Para um artista, por exemplo, torna-se imprescindível a busca e a conquista de um limite para sua arte. Sem limite, não pode haver forma estabelecida; sem uma forma estabelecida, não há arte. O escultor dará limites a uma pedra de mármore, o músico às notas de uma canção, o escritor, as palavras. A grande arte é a que sabe se expandir a partir do controle expressivo de seus limites.

 

Há um exemplo célebre para essa última afirmação. O grande poeta Manuel Bandeira dizia-se um "poeta menor", devido à atenção que ele dava às coisas simples e poéticas do nosso cotidiano. Atento aos nossos mais sensíveis limites humanos, encontrou e nos revelou a poesia grande das pequenas coisas e das criaturas humildes.

 

Na vida social, na ordem pública, a noção de limite é um dos fundamentos da própria sociabilidade. Os instrumentos da necessária manutenção dos limites civilizatórios são os preceitos jurídicos. Cabe aos agentes da ordem e da segurança social resguardá-los, assegurando seu cumprimento por todos. Contam, para isso, até mesmo com a possibilidade de recorrer à força, cujo emprego disciplinado não deixa de estar sujeito a precisos limites. É o reconhecimento do limite da força que legitima o combate a quem despreza quaisquer limites. Não será um mero jogo de palavras, certamente, afirmar que o limite da força é, em última análise, a força mesma do limite, sem o qual não sobreviveria nenhuma instituição humana criada para dar seguimento ao curso do processo civilizatório

 

(Aristofanes Medeiros, a editar)

Está inteiramente correto o emprego dos elementos sublinhados na frase:
  1. ANossos limites, dos quais nutrimos um sentimento de culpa envergonhada, tomam-se virtuosos, uma vez submetidos na nossa consciência.
  2. BQuando se trata de uma pessoa em que falte a ideia de limite, é inútil recomendá-la que reavalie sua posição.
  3. CQuanto aos nossos limites pessoais, é comum que lhes ignoremos, em vez de atribuí-los a força de sua natureza.
  4. DÉ no realismo dos nossos limites aonde devemos encontrar nossa verdade, em cuja definimos nossa condição de sujeitos
  5. EUma vez inteirados de nossos reais limites, seremos capazes de promovê-los a qualidades, em vez de buscar ignorá-los.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — Uma vez inteirados de nossos reais limites, seremos capazes de promovê-los a qualidades, em vez de buscar ignorá-los.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

O emprego correto dos elementos sublinhados — regência, pronomes e coesão

Gabarito: letra E. A alternativa E é a única em que todos os elementos sublinhados estão empregados corretamente, respeitando a regência verbal, a colocação pronominal e a coesão referencial. A frase "Uma vez inteirados de nossos reais limites, seremos capazes de promovê-los a qualidades, em vez de buscar ignorá-los" apresenta: "inteirados de" (regência correta do verbo inteirar), "promovê-los a" (promover algo a algo, com pronome oblíquo adequado) e "ignorá-los" (verbo transitivo direto com pronome correto). As demais alternativas contêm erros de regência, de uso de pronomes relativos ou de colocação pronominal.

O comando da questão

O enunciado pede que se identifique a frase em que "está inteiramente correto o emprego dos elementos sublinhados". Isso significa que devemos analisar cada palavra ou expressão destacada e verificar se ela está usada conforme a norma culta, considerando:

  • Regência verbal e nominal (qual preposição o verbo ou nome exige);

  • Uso de pronomes relativos (que, o qual, cujo, onde, aonde) e sua relação com o antecedente;

  • Colocação pronominal (próclise, ênclise, mesóclise);

  • Coesão referencial (a que termo o pronome se refere).

É uma questão de gramática aplicada ao texto, não de interpretação. O texto-base serve apenas como pano de fundo temático; a resposta se decide pela correção gramatical de cada frase isoladamente.

A técnica de resolução

Para resolver, é preciso testar cada elemento sublinhado em três frentes: regência (o verbo/nome pede preposição? qual?), pronome (o oblíquo/relativo está correto e bem referenciado?) e coesão (o pronome retoma o termo certo?). Vamos aplicar isso a cada alternativa.

1Regência
Verbal (verbo + preposição)
Nominal (nome + preposição)
2Pronomes
Oblíquos (o/a × lhe)
Relativos (que, cujo, onde/aonde)
3Coesão referencial
Retomada do antecedente
Elementos sublinhados
LEVELsoulevel.com.br
Elementos sublinhados: Regência (Verbal (verbo + preposição), Nominal (nome + preposição)); Pronomes (Oblíquos (o/a × lhe), Relativos (que, cujo, onde/aonde)); Coesão referencial (Retomada do antecedente)

Alternativa A — ❌ Incorreta

"Nossos limites, dos quais nutrimos um sentimento de culpa envergonhada, tomam-se virtuosos, uma vez submetidos na nossa consciência."

O erro está em "submetidos na nossa consciência". O verbo submeter exige a preposição a (submeter algo a algo), não em. O correto seria "submetidos à nossa consciência". Além disso, "dos quais" está correto (nutrimos um sentimento de culpa dos limites), mas o deslize de regência já invalida a frase. Erro: regência nominal inadequada (troca de preposição).

Alternativa B — ❌ Incorreta

"Quando se trata de uma pessoa em que falte a ideia de limite, é inútil recomendá-la que reavalie sua posição."

Aqui há dois problemas. Primeiro, "em que falte" — o verbo faltar rege a preposição a (faltar a alguém), então o relativo deveria ser "a quem" ou "a que", não "em que". Segundo, "recomendá-la" — o verbo recomendar é transitivo direto e indireto (recomendar algo a alguém); o pronome correto para o objeto indireto é lhe (recomendar-lhe que reavalie), não a. Erro: regência verbal e uso do pronome oblíquo.

Alternativa C — ❌ Incorreta

"Quanto aos nossos limites pessoais, é comum que lhes ignoremos, em vez de atribuí-los a força de sua natureza."

O erro está em "lhes ignoremos". O verbo ignorar é transitivo direto (ignorar algo), portanto o pronome correto é os (ignorá-los), não lhes (que é objeto indireto). Além disso, "atribuí-los a força" — o verbo atribuir exige a preposição a com artigo (atribuir algo à força), então faltou a crase. Erro: uso do pronome oblíquo (lhes por os) e ausência de crase.

Alternativa D — ❌ Incorreta

"É no realismo dos nossos limites aonde devemos encontrar nossa verdade, em cuja definimos nossa condição de sujeitos."

O erro está em "aonde". O verbo encontrar não indica movimento, então o correto é onde (lugar em que), não aonde (que exige verbo de movimento). Além disso, "em cuja definimos" — o pronome relativo cujo exige que o termo seguinte seja um substantivo (em cuja definição), não um verbo. Erro: uso de aonde por onde e mau emprego do relativo cujo.

Alternativa E — ✅ Correta

"Uma vez inteirados de nossos reais limites, seremos capazes de promovê-los a qualidades, em vez de buscar ignorá-los."

Todos os elementos estão corretos: "inteirados de" (regência nominal correta: inteirar-se de algo), "promovê-los a" (promover algo a algo, com pronome oblíquo os para objeto direto), "ignorá-los" (verbo transitivo direto com pronome os). A coesão referencial também está perfeita: os retoma limites. Frase inteiramente correta.

NÃO CAIA NESSA!

A banca mistura erros de regência (submeter a, faltar a, atribuir a), de pronomes (lhes por os, aonde por onde) e de relativo (cujo + verbo). A alternativa E é a única que não tropeça em nenhum desses pontos.

PEGA ESSA DICA!

Ao testar uma frase, pergunte: o verbo pede preposição? O pronome é objeto direto ou indireto? O relativo concorda com o antecedente? Se qualquer resposta falhar, a frase está errada.

Gabarito: letra E — a única em que todos os elementos sublinhados respeitam a norma culta.

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