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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — FCC 2025

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
fc149847
Banca
FCC
Órgão
CBM AP
Ano
2025
Cargo
Of ( )

[Perguntas para o tempo]

 

A repetição pode acalmar e confortar, em nossa vida. Se a Natureza dança em um certo ritmo, talvez o mesmo se aplique a nós. Um tempo cíclico traz a promessa de um renascimento, estabelecendo uma conexão profunda entre o homem e o cosmos: nossa existência inseparável da do mundo. Por que não crer que a morte não seja o final, mas o início de uma nova existência? Que a vida se repete em cicios?

 

Vejo a dor de meus filhos quando tentam entender a passagem do tempo e o fim da vida. Lucian, que tinha seis anos quando escrevi estas linhas, pensa obsessivamente sobre a morte desde os quatro. A morte parece absurda quando o tempo é eterno. Lucian está convencido de que retornamos, só não sabe se retornamos a mesma pessoa ou outra. Sua preferência, claro, é que retornemos os mesmos, essencialmente revivendo a vida já conhecida ou, melhor ainda, revivendo-a por toda a eternidade. Caso contrário, como lidar com a perda da pessoa amada?

 

Com o coração partido, digo-lhe que o que ocorre conosco é o mesmo que ocorre com a formiga que ele esmaga casualmente sob seus pés. Lucian não se convence. "Como é que você sabe, papai?" "Não tenho certeza filho. Algumas pessoas acham que voltamos, outras que vamos para o Paraiso. O problema é que os que se foram não mandam noticias, não nos contam para onde foram e para onde vamos". A conversa costuma terminar num abraço bem apertado.

 

O tempo, linear ou ciclico, é uma medida de transformação. Em muitas narrativas míticas os deuses existem fora do tempo, nunca envelhecendo ou adoecendo, enquanto os humanos existem dentro do tempo, sujeitos aos caprichos de sua passagem. Olhamos a Natureza e queremos confiar em suas repetições, que parecem assegurar uma duração infinita. Mas de nada temos certeza. Disse Milan Kundera: "são perguntas sem resposta que definem os limites das possibilidades humanas, que descrevem as fronteiras da existência humana".

 

(Adaptado de: GLEISER, Marcelo. A ilha do conhecimento. Rio de Janeiro: Record, 2023, p. 39-40)

Atenção: Para responder às questão de número, baseie-se no texto seguinte.     Mostra-se tensa a relação entre o pai e seu filho Lucian porque
  1. Amostram-se ambos inseguros de seus laços afetivos, em razão da fatalidade da morte.
  2. Ba incredulidade materialista do filho não pode ser consolada pelo misticismo do pai.
  3. Cambos sabem que cada renascimento implica a perda das relações afetivas anteriores.
  4. Do sentimento do pai, diante da morte, é desprovido da crença consoladora do filho.
  5. Etanto um como outro, sabendo-se mortais, sentem a morte como a consumação de um absurdo.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — o sentimento do pai, diante da morte, é desprovido da crença consoladora do filho.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

A tensão entre pai e filho: a falta de certeza do pai diante da crença do filho

Gabarito: letra D. A relação entre o pai e Lucian mostra-se tensa porque o pai, diante da morte, não compartilha da crença consoladora do filho — enquanto Lucian está convencido de que retornamos, o pai admite: "Mas de nada temos certeza". Essa assimetria entre a convicção do menino e a dúvida do adulto é o que gera o desconforto, como se vê no diálogo em que o pai tenta explicar a morte e o filho não se convence.

O comando pede uma compreensão do texto: a questão quer saber a causa da tensão entre pai e filho. Não se trata de inferir algo além do que está escrito, mas de localizar a passagem que explica o conflito. A resposta está no segundo e terceiro parágrafos, onde o pai descreve a obsessão do filho com a morte e a conversa que termina em abraço, sem que o menino aceite a explicação paterna.

O texto apresenta duas visões opostas: Lucian acredita que "retornamos" — "Lucian está convencido de que retornamos, só não sabe se retornamos a mesma pessoa ou outra" — e o pai, embora dialogue com essa ideia, não a endossa: "Mas de nada temos certeza". Essa diferença é o núcleo da tensão: o pai não consegue oferecer ao filho a mesma consolação que o menino encontra na própria crença.

A alternativa D captura exatamente isso: o sentimento do pai é "desprovido da crença consoladora do filho". O pai não tem a certeza do renascimento; ele apenas especula: "Algumas pessoas acham que voltamos, outras que vamos para o Paraíso". A falta dessa crença é o que torna a conversa difícil e o abraço final um gesto de consolo mútuo, não de resolução.

NÃO CAIA NESSA!

A banca oferece alternativas que extrapolam o texto (como a letra A, que fala em "inseguros de seus laços afetivos", algo não mencionado) ou que contradizem o texto (como a letra C, que afirma que "ambos sabem" que o renascimento implica perda, quando o texto só atribui essa preocupação ao filho). A correta é a única que se limita ao que está escrito.

Alternativa A — ❌ Incorreta

Erro: extrapolação. O texto não diz que pai e filho estão inseguros de seus laços afetivos. A tensão não é sobre o afeto entre eles — pelo contrário, o abraço final mostra o vínculo forte. A alternativa acrescenta uma ideia que não está no texto.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Erro: contradiz o texto. O texto não apresenta o filho como "materialista" nem o pai como "místico". Lucian acredita no retorno (uma crença espiritual), e o pai não é apresentado como místico — ele apenas diz que não tem certeza. A alternativa inverte os papéis e introduz termos que não aparecem.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Erro: generalização indevida. O texto diz que Lucian prefere "que retornemos os mesmos" e que, caso contrário, seria difícil "lidar com a perda da pessoa amada". Mas isso é uma preocupação do filho, não do pai. A alternativa afirma que "ambos sabem" — o texto não autoriza essa generalização.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Correta. O texto mostra o pai sem a crença consoladora do filho. No diálogo, o pai diz: "Não tenho certeza filho. Algumas pessoas acham que voltamos, outras que vamos para o Paraíso". E no último parágrafo: "Mas de nada temos certeza". Essa falta de certeza é o que torna a relação tensa: o pai não pode oferecer ao filho a mesma consolação que o menino encontra na própria fé.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Erro: contradiz o texto. O texto não diz que ambos sentem a morte como "consumação de um absurdo". Pelo contrário, Lucian encontra sentido na ideia de retorno — "A morte parece absurda quando o tempo é eterno" é uma reflexão do narrador, não um sentimento compartilhado. A alternativa atribui a ambos uma visão que o texto não sustenta.

Conclusão: a tensão entre pai e filho nasce da diferença entre a crença do menino e a dúvida do adulto. A letra D é a única que se ancora diretamente no texto: o pai não tem a certeza consoladora que o filho possui. Ao resolver questões de compreensão, pergunte-se sempre: "o texto autoriza esta afirmação?" — se precisar acrescentar algo de fora, a alternativa está errada.

Gabarito: letra D

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