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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — FCC 2025

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
fc149853
Banca
FCC
Órgão
PM AP
Ano
2025
Cargo
Of ( )

Uma palavra, vários sentidos: "segurança"

 

As palavras nascem com um sentido original preso a um determinado contexto. Com o tempo, modificam-se, ganham novas significações por força de seu emprego em novos contextos. É essa a dinâmica de todas as línguas vivas, sobretudo em seus níveis de fala. Conhecer a história de uma palavra, por meio de sua etimologia e de seu percurso filológico, pode iluminar aspectos da história humana.

 

Tomemos como exemplo a palavra "segurança", um conceito dos mais discutidos em nosso tempo. Essa palavra tem origem no termo latino "securitas", que por sua vez deriva de "securus" (livre de preocupações, seguro), termo composto por "sine" (sem) e "cura" (cuidado, preocupação). Desde sua origem, pois, "segurança" remete à ideia de estar livre de cuidados, perigos ou riscos, ou seja, em um estado de tranquilidade e proteção.

 

Mas é nos diferentes contextos de seu emprego que se reconhece uma ampla gama de sentidos dessa palavra. Num nível psicológico, um individuo seguro está habilitado a enfrentar seus desafios munido de convictos valores pessoais. Na ordem social, a segurança se torna um bem público, a ser defendido pelas instituições que delegam a seus agentes o papel de defender os valores civilizatórios. Difícil imaginar alguém que nunca se tenha valido da proteção que nos estendem os responsáveis por nossa segurança. Já no âmbito da natureza, catástrofes podem ser, quando não evitadas, minimizadas por medidas preventivas de segurança.

 

Em nossos dias, o progresso avassalador da cibernética está pondo à prova as situações em que todos nós, ativa ou passivamente, integramos os processos midiáticos de comunicação, expandindo valores e interesses que entram na conformação da vida e do comportamento sociais. Quais os limites dessa propagação? Que segurança podemos ter contra os abusos extremos? - perguntam-se alguns. Ao mesmo tempo, há aqueles que reagem contra qualquer tipo de controle dos procedimentos da mídia.

 

Não há dúvida de que nossas fragilidades naturais, nossos interesses nem sempre comunitários, nossos instintos primitivos pedem, aqui e ali, algum controle, em favor da segurança de todos. Caracterizar os valores que devem ser objetos prioritários da formação individual, da segurança social e do equilíbrio planetário vem-se constituindo um desafio do nosso tempo.

 

(Abelardo Villa Siqueira, a editar)

Para responder à questão, baseia-se no texto abaixo.

   

Na origem latina da palavra "segurança" está o termo "securus", composto por sua vez de "sine" + "cura", o que revela o propósito inicial de se

  1. Aadministrar as tensões sociais dadas como inevitáveis.
  2. Bvincular o conceito de segurança a uma finalidade preventiva.
  3. Creconhecer a precariedade das convicções pessoais dadas como seguras.
  4. Dtratar a segurança como um paliativo para as oscilações psicológicas.
  5. Erelativizar a eficácia das rígidas medidas públicas de segurança.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — vincular o conceito de segurança a uma finalidade preventiva.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

A etimologia de "segurança" e a finalidade preventiva

Gabarito: letra B. A questão pede que se identifique o que a origem latina da palavra "segurança" revela, e o texto é explícito: o termo "securus" é composto por "sine" (sem) + "cura" (cuidado, preocupação), o que remete à ideia de estar "livre de cuidados, perigos ou riscos". Essa composição etimológica aponta diretamente para uma finalidade preventiva — a segurança nasce como um estado de proteção contra algo que se quer evitar. Como se lê no 2º parágrafo:

"termo composto por 'sine' (sem) e 'cura' (cuidado, preocupação). Desde sua origem, pois, 'segurança' remete à ideia de estar livre de cuidados, perigos ou riscos, ou seja, em um estado de tranquilidade e proteção."

A alternativa B é a única que captura essa essência: vincular segurança a uma finalidade preventiva, ou seja, a ideia de evitar perigos e riscos.

O comando da questão

O enunciado pede uma compreensão (informação explícita) — "o que revela o propósito inicial" —, não uma inferência. Isso significa que a resposta deve estar literalmente ancorada no texto, sem deduções ou acréscimos de fora. A banca quer que o candidato localize a passagem que explica a origem da palavra e identifique qual alternativa a parafraseia fielmente.

O texto e o movimento argumentativo

O texto é dissertativo-expositivo: apresenta a etimologia de "segurança" e, em seguida, explora seus múltiplos sentidos em diferentes contextos (psicológico, social, natureza, cibernética). A questão, porém, foca apenas no 2º parágrafo, onde o autor explica a composição do termo latino. A tese central desse trecho é que a origem da palavra já carrega a ideia de proteção contra riscos — exatamente o que a alternativa B afirma.

A técnica que decide

A armadilha central desta questão é a extrapolação: as alternativas erradas pegam um fragmento do texto (ou um tema correlato) e o levam para um terreno que o autor não abordou. A técnica é simples: para cada alternativa, pergunte "onde o texto autoriza isto?". Se a resposta exigir acrescentar informação de fora, a alternativa está errada.

Alternativa A — ❌ Incorreta

Erro: extrapolação. O texto menciona "tensões sociais"? Não. O autor fala em "interesses nem sempre comunitários" e "instintos primitivos" que pedem controle, mas não diz que a origem da palavra revela o propósito de "administrar tensões sociais dadas como inevitáveis". Essa ideia de "tensões inevitáveis" é um acréscimo do examinador — o texto não a sustenta.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A única sustentada pelo texto. O 2º parágrafo afirma que "segurança" deriva de "securus" ("livre de preocupações, seguro"), composto por "sine" (sem) e "cura" (cuidado, preocupação), e que "desde sua origem, pois, 'segurança' remete à ideia de estar livre de cuidados, perigos ou riscos". A palavra "preventiva" é a paráfrase exata de "evitar perigos e riscos" — é a finalidade de quem busca segurança. A alternativa B não acrescenta nada: apenas reescreve o que o texto diz.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Erro: extrapolação + opinião embutida. O texto fala em "convictos valores pessoais" no nível psicológico, mas não diz que as convicções são "precárias" ou que a segurança revela essa precariedade. A palavra "precariedade" é um juízo de valor que o autor não externou — é uma opinião do examinador disfarçada de paráfrase.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Erro: extrapolação. O texto menciona "oscilações psicológicas"? Não. O autor fala em "nível psicológico" e "desafios", mas a ideia de "paliativo" (remédio temporário) para "oscilações psicológicas" é completamente estranha ao texto. A palavra "paliativo" inverte o sentido: segurança não é um remédio paliativo, é um estado de proteção.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Erro: extrapolação + contradição. O texto fala em "medidas preventivas de segurança" no âmbito da natureza, mas não diz que as "rígidas medidas públicas de segurança" são ineficazes. A palavra "relativizar" (diminuir a importância) contradiz o texto, que defende a segurança como um bem a ser defendido pelas instituições. A alternativa E pega um tema correlato (medidas de segurança) e o distorce com um juízo negativo que o autor não emitiu.

NÃO CAIA NESSA!

A banca adora extrapolar com um fato verdadeiro no mundo real, mas ausente do texto. Aqui, as alternativas A, C, D e E parecem plausíveis, mas nenhuma delas está ancorada na passagem etimológica — a única que o texto autoriza é a B.

PEGA ESSA DICA!

Quando a questão perguntar "o que revela a origem de uma palavra", volte ao parágrafo que trata da etimologia e procure a paráfrase exata. Desconfie de alternativas que introduzem termos como "inevitáveis", "precariedade", "paliativo" ou "relativizar" — eles quase sempre são acréscimos do examinador.

Gabarito: letra B. A regra de ouro: a resposta mora no texto. Se a alternativa exige que você traga uma ideia de fora para fazer sentido, ela está errada — por mais verdadeira que pareça.

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