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Questão de Português — Sinônimos e Antônimos — FCC 2025

PortuguêsSinônimos e Antônimos
Código
fc149855
Banca
FCC
Órgão
PM AP
Ano
2025
Cargo
Of ( )

Uma palavra, vários sentidos: "segurança"

 

As palavras nascem com um sentido original preso a um determinado contexto. Com o tempo, modificam-se, ganham novas significações(b) por força de seu emprego em novos contextos. É essa a dinâmica de todas as línguas vivas,(c) sobretudo em seus níveis de fala. Conhecer a história de uma palavra, por meio de sua etimologia e de seu percurso filológico,(b) pode iluminar aspectos da história humana.(c)

 

Tomemos como exemplo a palavra "segurança", um conceito dos mais discutidos em nosso tempo. Essa palavra tem origem no termo latino "securitas", que por sua vez deriva de "securus" (livre de preocupações, seguro), termo composto por "sine" (sem) e "cura" (cuidado, preocupação). Desde sua origem, pois, "segurança" remete à ideia de estar livre de cuidados, perigos ou riscos, ou seja, em um estado de tranquilidade e proteção.

 

Mas é nos diferentes contextos de seu emprego que se reconhece uma ampla gama de sentidos dessa palavra. Num nível psicológico, um individuo seguro está habilitado a enfrentar seus desafios munido de convictos valores pessoais. Na ordem social, a segurança se torna um bem público, a ser defendido pelas instituições que delegam a seus agentes o papel de defender os valores civilizatórios. Difícil imaginar alguém que nunca se tenha valido da proteção que nos estendem os responsáveis por nossa segurança. Já no âmbito da natureza, catástrofes podem ser, quando não evitadas, minimizadas por medidas preventivas de segurança.

 

Em nossos dias, o progresso avassalador da cibernética está pondo à prova as situações em que todos nós, ativa ou passivamente, integramos os processos midiáticos(d) de comunicação, expandindo valores e interesses(d) que entram na conformação da vida e do comportamento sociais. Quais os limites dessa propagação? Que segurança podemos ter contra os abusos extremos? - perguntam-se alguns. Ao mesmo tempo, há aqueles que reagem contra qualquer tipo de controle dos procedimentos da mídia.

 

Não há dúvida de que nossas fragilidades naturais, nossos interesses nem sempre comunitários,(e) nossos instintos primitivos pedem, aqui e ali, algum controle, em favor da segurança de todos.(e) Caracterizar os valores que devem ser objetos prioritários(a) da formação individual, da segurança social e do equilíbrio planetário vem-se constituindo um desafio do nosso tempo.(a)

 

(Abelardo Villa Siqueira, a editar)

Para responder à questão, baseia-se no texto abaixo.

   

Considerando-se o contexto, há uma relação de oposição de sentido entre os segmentos

  1. Avalores que devem ser objetos prioritários // desafio do nosso tempo
  2. Bganham novas significações // seu percurso filológico
  3. Cdinâmica de todas as línguas vivas // aspectos da história humana
  4. Dintegramos os processos midiáticos // expandindo valores e interesses
  5. Einteresses nem sempre comunitários // em favor da segurança de todos
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — interesses nem sempre comunitários // em favor da segurança de todos

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Oposição de sentido: a antítese entre interesses particulares e segurança coletiva

Gabarito: letra E. A relação de oposição de sentido está entre "interesses nem sempre comunitários" e "em favor da segurança de todos", pois o primeiro segmento expressa interesses que podem ser particulares/egoístas, enquanto o segundo expressa o bem coletivo. Como se lê no último parágrafo: "nossos interesses nem sempre comunitários, nossos instintos primitivos pedem, aqui e ali, algum controle, em favor da segurança de todos".

A questão pede que se identifique, no contexto, uma relação de oposição de sentido entre dois segmentos. Isso não é uma questão de sinônimos ou antônimos isolados, mas de antítese contextual: dois termos ou ideias que, dentro do texto, se contrapõem. A banca não quer que você decore pares opostos; quer que você perceba a contraposição de ideias que o próprio texto estabelece.

O texto discute a polissemia da palavra "segurança" e, no último parágrafo, apresenta uma tensão: de um lado, os interesses individuais (nem sempre voltados ao bem comum); de outro, a necessidade de controle para garantir a segurança coletiva. É exatamente essa tensão que a alternativa E captura.

A técnica para resolver: leia cada par de segmentos e pergunte: um nega ou se contrapõe ao outro? Se os dois segmentos apontam na mesma direção, ou se um é consequência do outro, não há oposição. A oposição exige que um segmento represente uma ideia e o outro, a ideia contrária.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre oposição e outras relações semânticas (causa, consequência, adição). As alternativas A a D apresentam pares que se relacionam por causa/consequência ou adição, não por oposição. A única que apresenta verdadeira antítese é a E.

Alternativa A — ❌ Incorreta

"Caracterizar os valores que devem ser objetos prioritários da formação individual, da segurança social e do equilíbrio planetário vem-se constituindo um desafio do nosso tempo."

Aqui, "valores que devem ser objetos prioritários" é o objeto da ação de "caracterizar", e "desafio do nosso tempo" é o resultado dessa ação. Há uma relação de tema e consequência, não de oposição. O texto não contrapõe os dois segmentos; um é o conteúdo do outro.

Alternativa B — ❌ Incorreta

"ganham novas significações por força de seu emprego em novos contextos" e "Conhecer a história de uma palavra, por meio de sua etimologia e de seu percurso filológico"

O primeiro segmento fala da evolução das palavras; o segundo, do estudo dessa evolução. São ideias complementares: o percurso filológico é justamente o que permite conhecer as novas significações. Não há contraposição; há continuidade lógica.

Alternativa C — ❌ Incorreta

"É essa a dinâmica de todas as línguas vivas" e "pode iluminar aspectos da história humana"

O primeiro segmento afirma que a evolução é uma característica das línguas; o segundo, que conhecer essa evolução ajuda a entender a história. Um é causa (a dinâmica das línguas) e o outro é consequência (iluminar a história). Não há oposição; há relação de causa e efeito.

Alternativa D — ❌ Incorreta

"integramos os processos midiáticos de comunicação, expandindo valores e interesses"

Aqui, "expandindo valores e interesses" é uma consequência de "integrar os processos midiáticos". O particípio "expandindo" indica resultado da ação anterior. Os dois segmentos apontam na mesma direção: um explica o outro. Não há contraposição.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"nossos interesses nem sempre comunitários, nossos instintos primitivos pedem, aqui e ali, algum controle, em favor da segurança de todos"

O texto opõe interesses particulares ("nem sempre comunitários") à segurança coletiva ("segurança de todos"). A expressão "nem sempre comunitários" indica que os interesses podem ser egoístas, contrapondo-se ao bem comum. É uma antítese clássica: o individual versus o coletivo. O próprio texto sugere que, para garantir a segurança de todos, é preciso controlar esses interesses particulares — o que reforça a oposição.

Conclusão: a questão testa a capacidade de reconhecer oposição contextual, não apenas pares de antônimos isolados. A alternativa E é a única em que os dois segmentos expressam ideias contrárias: interesses individuais versus segurança coletiva. As demais apresentam relações de causa, consequência ou complementaridade.

Gabarito: letra E

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