Questão de Português — Correlação Verbal — FCC 2025
Português›Correlação Verbal
Código
fc149859
Banca
FCC
Órgão
PM AP
Ano
2025
Cargo
Of ( )
Uma palavra, vários sentidos: "segurança"
As palavras nascem com um sentido original preso a um determinado contexto. Com o tempo, modificam-se, ganham novas significações por força de seu emprego em novos contextos. É essa a dinâmica de todas as línguas vivas, sobretudo em seus níveis de fala. Conhecer a história de uma palavra, por meio de sua etimologia e de seu percurso filológico, pode iluminar aspectos da história humana.
Tomemos como exemplo a palavra "segurança", um conceito dos mais discutidos em nosso tempo. Essa palavra tem origem no termo latino "securitas", que por sua vez deriva de "securus" (livre de preocupações, seguro), termo composto por "sine" (sem) e "cura" (cuidado, preocupação). Desde sua origem, pois, "segurança" remete à ideia de estar livre de cuidados, perigos ou riscos, ou seja, em um estado de tranquilidade e proteção.
Mas é nos diferentes contextos de seu emprego que se reconhece uma ampla gama de sentidos dessa palavra. Num nível psicológico, um individuo seguro está habilitado a enfrentar seus desafios munido de convictos valores pessoais. Na ordem social, a segurança se torna um bem público, a ser defendido pelas instituições que delegam a seus agentes o papel de defender os valores civilizatórios. Difícil imaginar alguém que nunca se tenha valido da proteção que nos estendem os responsáveis por nossa segurança. Já no âmbito da natureza, catástrofes podem ser, quando não evitadas, minimizadas por medidas preventivas de segurança.
Em nossos dias, o progresso avassalador da cibernética está pondo à prova as situações em que todos nós, ativa ou passivamente, integramos os processos midiáticos de comunicação, expandindo valores e interesses que entram na conformação da vida e do comportamento sociais. Quais os limites dessa propagação? Que segurança podemos ter contra os abusos extremos? - perguntam-se alguns. Ao mesmo tempo, há aqueles que reagem contra qualquer tipo de controle dos procedimentos da mídia.
Não há dúvida de que nossas fragilidades naturais, nossos interesses nem sempre comunitários, nossos instintos primitivos pedem, aqui e ali, algum controle, em favor da segurança de todos. Caracterizar os valores que devem ser objetos prioritários da formação individual, da segurança social e do equilíbrio planetário vem-se constituindo um desafio do nosso tempo.
(Abelardo Villa Siqueira, a editar)
Para responder à questão, baseia-se no texto abaixo.
Há uma adequada correlação entre os tempos e modos verbais empregados na frase:
AUma vez que não estejamos providenciando um maior controle dos abusos contra a natureza, seriamos surpreendidos por flagelos e hecatombes.
BSe uma palavra ganhar diferentes sentidos ao longo de sua história, isso ocorreria por conta dos contextos em que ela atuara.
CAfirma-se que a origem da palavra segurança seja "securus", que por sua vez derivasse de "sine" e "cura", expressão a se constituir no latim.
DCaso estivesse munido de sólidas convicções pessoais, aquele rapaz não terá por que se lamentar de suas fraquezas momentâneas.
EAs conquistas da escalada cibernética podem vir a se tornar alarmantes para quem ainda aposte na potencia maior de sua consciência.
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoE — As conquistas da escalada cibernética podem vir a se tornar alarmantes para quem ainda aposte na potencia maior de sua consciência.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Correlação verbal: a harmonia entre tempos e modos
Gabarito: letra E. A frase "As conquistas da escalada cibernética podem vir a se tornar alarmantes para quem ainda aposte na potencia maior de sua consciência" é a única em que os tempos e modos verbais se combinam com perfeita harmonia: o presente do indicativo (podem vir a se tornar) expressa possibilidade atual, e o presente do subjuntivo (aposte) expressa hipótese, criando uma relação coerente de condição/possibilidade. As demais alternativas misturam tempos e modos de forma incoerente, como se vê na análise de cada uma.
O comando pede que se identifique a frase em que há adequada correlação entre os tempos e modos verbais. Isso significa que os verbos de cada oração devem estabelecer entre si uma relação de sentido harmônica: se um verbo indica hipótese (subjuntivo), o outro deve indicar consequência compatível (futuro do pretérito, por exemplo); se um indica certeza (indicativo), o outro deve estar no mesmo campo temporal. A banca testa exatamente essa "dobradinha" verbal.
No texto-base, o autor discute os múltiplos sentidos de "segurança" e, no 4º parágrafo, aborda a cibernética e os limites da propagação de valores, com a pergunta: "Que segurança podemos ter contra os abusos extremos?". A alternativa E retoma essa ideia de possibilidade e hipótese, usando verbos que se harmonizam: podem vir a se tornar (presente do indicativo, possibilidade) e aposte (presente do subjuntivo, hipótese). Essa combinação é clássica: o presente do subjuntivo, em orações relativas ou adverbiais, expressa uma possibilidade que se projeta no presente ou futuro, e o presente do indicativo na oração principal expressa uma consequência possível. Não há salto temporal nem quebra de modo.
A correlação verbal é um mecanismo de coesão e coerência: os verbos de um período não podem "brigar" entre si. Se a oração condicional usa o pretérito imperfeito do subjuntivo ("se eu tivesse"), a principal deve usar o futuro do pretérito ("faria"). Se a condicional usa o presente do subjuntivo ("se eu tiver"), a principal usa o futuro do presente ("farei"). Misturar "tivesse" com "faço" é um erro clássico, como no exemplo do material de apoio: "Caso eu tivesse dinheiro, faço um curso" — aí há hipótese passada e certeza presente, o que não faz sentido. A alternativa E segue exatamente o padrão de harmonia: possibilidade + hipótese, ambos no presente.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a correlação verbal, oferecendo combinações de tempos e modos que não se harmonizam. A correta é a única em que a "dobradinha" faz sentido.
PEGA ESSA DICA!
Ao resolver questões de correlação, identifique o modo e o tempo de cada verbo e pergunte: "essa combinação expressa uma relação lógica (condição, consequência, causa)?". Desconfie de misturas como subjuntivo passado + presente do indicativo.
Correlação verbal: Regra geral (Condição (subjuntivo) + consequência (indicativo), Mesmo campo temporal/modal); Combinações corretas (Se tiver → fará, Se tivesse → faria, Presente do subjuntivo + presente do indicativo); Erros clássicos (Se tivesse → faço, Presente do subjuntivo + futuro do pretérito, Pretérito imperfeito do subjuntivo + futuro do presente)
Alternativa A — ❌ Incorreta
A frase "Uma vez que não estejamos providenciando um maior controle dos abusos contra a natureza, seriamos surpreendidos por flagelos e hecatombes" apresenta dois problemas. Primeiro, o verbo "seriamos" está grafado incorretamente (o correto é "seríamos"), mas isso é secundário. O erro central é a correlação: "não estejamos providenciando" está no presente do subjuntivo (hipótese atual), enquanto "seríamos surpreendidos" está no futuro do pretérito do indicativo (hipótese passada ou consequência de uma condição irreal). A combinação de presente do subjuntivo com futuro do pretérito não é harmônica: o futuro do pretérito pede, como condição, o pretérito imperfeito do subjuntivo ("se estivéssemos providenciando, seríamos surpreendidos"). Aqui, a banca troca o tempo da condicional, criando um descompasso temporal.
Alternativa B — ❌ Incorreta
"Se uma palavra ganhar diferentes sentidos ao longo de sua história, isso ocorreria por conta dos contextos em que ela atuara." O verbo "ganhar" está no futuro do subjuntivo (hipótese futura), e "ocorreria" está no futuro do pretérito do indicativo (hipótese passada). A correlação correta seria: "Se uma palavra ganhar... isso ocorrerá" (futuro do subjuntivo + futuro do presente) ou "Se uma palavra ganhasse... isso ocorreria" (pretérito imperfeito do subjuntivo + futuro do pretérito). Além disso, "atuara" (pretérito mais-que-perfeito) indica um passado anterior ao passado, o que não se encaixa na ideia de "ao longo de sua história" (processo contínuo). A mistura de tempos quebra a harmonia.
Alternativa C — ❌ Incorreta
"Afirma-se que a origem da palavra segurança seja 'securus', que por sua vez derivasse de 'sine' e 'cura', expressão a se constituir no latim." O verbo "afirma-se" está no presente do indicativo (certeza), mas "seja" e "derivasse" estão no subjuntivo (hipótese). Quando o verbo principal expressa certeza (afirmar, declarar), a oração subordinada deve usar o indicativo: "Afirma-se que a origem... é 'securus', que... deriva de 'sine' e 'cura'". O uso do subjuntivo após "afirma-se" é inadequado, pois não há dúvida ou incerteza. Além disso, "derivasse" (pretérito imperfeito do subjuntivo) não combina com o presente "afirma-se". A banca inverte o modo, criando uma incoerência.
Alternativa D — ❌ Incorreta
"Caso estivesse munido de sólidas convicções pessoais, aquele rapaz não terá por que se lamentar de suas fraquezas momentâneas." O verbo "estivesse" está no pretérito imperfeito do subjuntivo (hipótese passada ou irreal), e "terá" está no futuro do presente do indicativo (certeza futura). A correlação correta seria: "Caso estivesse... não teria" (pretérito imperfeito do subjuntivo + futuro do pretérito) ou "Caso esteja... não terá" (presente do subjuntivo + futuro do presente). A mistura de "estivesse" com "terá" é um erro clássico de correlação, pois mistura hipótese irreal com certeza futura.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
"As conquistas da escalada cibernética podem vir a se tornar alarmantes para quem ainda aposte na potencia maior de sua consciência." Aqui, "podem vir a se tornar" está no presente do indicativo (possibilidade atual), e "aposte" está no presente do subjuntivo (hipótese). Essa combinação é harmônica: o presente do subjuntivo, em oração relativa ("para quem aposte"), expressa uma possibilidade ou condição, e o presente do indicativo expressa a consequência possível. Não há salto temporal nem quebra de modo. A frase é coerente e bem construída, retomando a ideia do texto sobre os riscos da cibernética.
Conclusão: a correlação verbal exige que os verbos de um período compartilhem a mesma lógica temporal e modal. A alternativa E é a única que respeita essa harmonia, combinando presente do indicativo com presente do subjuntivo. As demais misturam tempos e modos de forma incoerente, criando frases que "brigam" entre si. Gabarito: letra E.