Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — FCC 2025
- Código
- fc149860
- Banca
- FCC
- Órgão
- PM AP
- Ano
- 2025
- Cargo
- Of ( )
[A força necessária dos princípios]
Não vamos subestimar a força daquilo a que nos opomos. O mundo é, para todos nós, aquilo sobre o qual não temos quase nenhum controle. O senso comum e o sentido de autoproteção nos dizem para nos acomodarmos àquilo que não podemos mudar.
Não é difícil ver como alguns de nós poderíamos ser convencidos da justiça, da necessidade das violências. Pense-se numa guerra que é formulada como série de ações militares pequenas, que irão de fato contribuir para a paz ou reforçar a segurança. Todas as violências na guerra foram justificadas como uma retaliação necessária: estamos nos defendendo, eles é que querem nos matar.
Diante das violências em curso, alguém dotado de um principio moral parece alguém que corre ao lado de um trem e grita: "Pare! Pare!"(e) O trem pode ser detido? Será que outras pessoas dentro do trem vão se sentir dispostas a saltar e unir-se aos que estão fora? Talvez alguns o façam, mas não a maioria.
Agir por principio é um gesto político, no sentido de que não estamos fazendo isso por nós mesmos. Não fazemos isso só para agir corretamente(b) ou para aplacar a nossa consciência; muito menos porque estamos certos de que a nossa ação vai de fato alcançar o seu objetivo. Resistimos como um ato de solidariedade com todas as pessoas e comunidades que agem igualmente por algum principio moral.
As ações comandadas por um bom principio nos dizem que não temos de pensar se agir por principio é adequado, ou se podemos contar com o êxito final das ações que levamos a efeito. Agir por principio é bom em si mesmo. Os princípios nos convidam a fazer algo a respeito do pântano de contradições em que agimos moralmente. Os princípios nos convidam a ter mais rigor em nossas ações, ser intolerantes com a frouxidão moral, a contemporização, a covardia e com a fuga diante do que é perturbador. No curso da História encontram-se os grandes modelos de resistência, os feitos daqueles que, por principio, agiram dizendo não à negação dos princípios justos. Inspiremo-nos nesses modelos.
(Adaptado de: SONTAG, Susan. Ao mesmo tempo. Trad. Rubens
Figueiredo. São Paulo, Companhia das Letras, p.192-193, passim)
Para responder à questão, baseia-se no texto seguinte.
A afirmação Agir por principio é bom em si mesmo,
- Amanifesta a convicção de que a eventual frouxidão moral deve ser aceita por quem está seguro de seus princípios.
- Bentra em contradição com a afirmação Não fazemos isso só para agir corretamente.
- Ccorrobora a ideia de que os princípios morais ganham importância na medida em que se provam eficazes.
- Dfaz ver que toda conduta norteada por valores morais é intrinsecamente meritória, por força dos princípios que a regem.
- Eassegura que os que gritam "Pare! Pare!" logram refrear de vez a velocidade do trem.