Pular para o conteúdo principal

Questão de Português — Pontuação (Ponto, Vírgula, Travessão, Aspas, Parênteses, etc) — FCC 2025

PortuguêsPontuação (Ponto, Vírgula, Travessão, Aspas, Parênteses, etc)
Código
fc149864
Banca
FCC
Órgão
PM AP
Ano
2025
Cargo
Of ( )

[A força necessária dos princípios]

 

Não vamos subestimar a força daquilo a que nos opomos. O mundo é, para todos nós, aquilo sobre o qual não temos quase nenhum controle. O senso comum e o sentido de autoproteção nos dizem para nos acomodarmos àquilo que não podemos mudar.

 

Não é difícil ver como alguns de nós poderíamos ser convencidos da justiça, da necessidade das violências. Pense-se numa guerra que é formulada como série de ações militares pequenas, que irão de fato contribuir para a paz ou reforçar a segurança. Todas as violências na guerra foram justificadas como uma retaliação necessária: estamos nos defendendo, eles é que querem nos matar.

 

Diante das violências em curso, alguém dotado de um principio moral parece alguém que corre ao lado de um trem e grita: "Pare! Pare!" O trem pode ser detido? Será que outras pessoas dentro do trem vão se sentir dispostas a saltar e unir-se aos que estão fora? Talvez alguns o façam, mas não a maioria.

 

Agir por principio é um gesto político, no sentido de que não estamos fazendo isso por nós mesmos. Não fazemos isso só para agir corretamente ou para aplacar a nossa consciência; muito menos porque estamos certos de que a nossa ação vai de fato alcançar o seu objetivo. Resistimos como um ato de solidariedade com todas as pessoas e comunidades que agem igualmente por algum principio moral.

 

As ações comandadas por um bom principio nos dizem que não temos de pensar se agir por principio é adequado, ou se podemos contar com o êxito final das ações que levamos a efeito. Agir por principio é bom em si mesmo. Os princípios nos convidam a fazer algo a respeito do pântano de contradições em que agimos moralmente. Os princípios nos convidam a ter mais rigor em nossas ações, ser intolerantes com a frouxidão moral, a contemporização, a covardia e com a fuga diante do que é perturbador. No curso da História encontram-se os grandes modelos de resistência, os feitos daqueles que, por principio, agiram dizendo não à negação dos princípios justos. Inspiremo-nos nesses modelos.

 

(Adaptado de: SONTAG, Susan. Ao mesmo tempo. Trad. Rubens

Figueiredo. São Paulo, Companhia das Letras, p.192-193, passim)

Para responder à questão, baseia-se no texto seguinte.

   

É plenamente adequada a pontuação da frase:

  1. ARessalte-se que nesse texto, a manifestação concreta dos bons princípios, é aquela que é posta à prova, por toda sorte de violências.
  2. BPor vezes as violências, que são consideradas necessárias, parecem de fato apoiar-se, em consistentes justificativas morais.
  3. CA alusão a um trem que se deseja parar é uma metáfora, cujo sentido esta em demonstrar o desafio que, aqui e ali, se põe a confrontar os nossos princípios.
  4. DDeve-se a certas figuras da Historia, o reconhecimento de seu valor, quando, mais de uma vez se mostraram resistentes, às fraquezas humanas.
  5. ENão há dúvida, de que é mais fácil agir, segundo os nossos interesses, do que impulsionados pela energia positiva dos grandes princípios.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — A alusão a um trem que se deseja parar é uma metáfora, cujo sentido esta em demonstrar o desafio que, aqui e ali, se põe a confrontar os nossos princípios.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Pontuação: a vírgula que separa o que não deve ser separado

Gabarito: letra C. A frase da alternativa C é a única em que a pontuação está plenamente adequada, pois as vírgulas isolam corretamente uma oração adjetiva explicativa ("cujo sentido está em demonstrar o desafio") e um adjunto adverbial intercalado ("aqui e ali"), sem jamais separar o sujeito do verbo ou o verbo de seu complemento. As demais alternativas cometem o erro clássico de usar a vírgula para separar elementos que a gramática proíbe separar, como sujeito e verbo, verbo e objeto, ou nome e complemento nominal.

O comando pede que se identifique a frase com pontuação plenamente adequada. Isso significa que devemos analisar cada alternativa à luz das regras de uso da vírgula, verificando se ela foi empregada para isolar termos acessórios (aposto, vocativo, adjunto adverbial deslocado, oração explicativa) e se não foi usada para separar termos que mantêm relação sintática direta (sujeito-verbo, verbo-complemento, nome-complemento). A banca não cobra aqui interpretação de texto, mas sim o domínio das regras de pontuação aplicadas a frases que dialogam com o texto-base.

A técnica central para resolver esta questão é identificar, em cada frase, os pares sintáticos que não podem ser separados por vírgula. A regra de ouro: nunca se separa o sujeito do seu verbo, o verbo do seu complemento, nem o nome do seu complemento ou adjunto adnominal. Quando um termo intercalado aparece entre esses pares, ele deve vir isolado por duas vírgulas (uma antes e uma depois), para que a separação não quebre a relação direta. É exatamente isso que a alternativa C faz corretamente.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre o uso legítimo da vírgula para isolar termos intercalados e o uso ilegítimo para separar sujeito de verbo ou verbo de complemento. Em todas as alternativas erradas, a vírgula foi colocada exatamente onde não deveria, criando uma pausa que quebra a estrutura sintática da frase.

Uso da vírgula
  • 1Pode separar (termos acessórios)
    • Adjunto adverbial deslocado
    • Oração adjetiva explicativa
    • Aposto
    • Vocativo
  • 2Não pode separar (pares sintáticos)
    • Sujeito × verbo
    • Verbo × complemento
    • Nome × complemento nominal
LEVEL · soulevel.com.br

Alternativa A — ❌ Incorreta

"Ressalte-se que nesse texto, a manifestação concreta dos bons princípios, é aquela que é posta à prova, por toda sorte de violências."

O erro está na vírgula após "princípios": ela separa o sujeito ("a manifestação concreta dos bons princípios") do seu verbo ("é"). A regra é clara: não se separa sujeito de verbo. A vírgula após "texto" poderia ser aceita se "nesse texto" fosse um adjunto adverbial deslocado, mas a segunda vírgula torna a frase incorreta. A última vírgula, antes de "por toda sorte de violências", também é inadequada, pois separa o adjunto adverbial de modo que ele parece um aposto, quando na verdade complementa a ideia de "posta à prova".

Alternativa B — ❌ Incorreta

"Por vezes as violências, que são consideradas necessárias, parecem de fato apoiar-se, em consistentes justificativas morais."

Aqui, as vírgulas que isolam "que são consideradas necessárias" estão corretas, pois se trata de uma oração adjetiva explicativa. O problema está na vírgula após "apoiar-se": ela separa o verbo ("apoiar-se") do seu complemento ("em consistentes justificativas morais"). O verbo "apoiar-se" exige a preposição "em", e essa relação verbo-complemento não pode ser quebrada por vírgula. A frase correta seria: "Por vezes as violências, que são consideradas necessárias, parecem de fato apoiar-se em consistentes justificativas morais."

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"A alusão a um trem que se deseja parar é uma metáfora, cujo sentido está em demonstrar o desafio que, aqui e ali, se põe a confrontar os nossos princípios."

A pontuação está plenamente adequada. A vírgula após "metáfora" isola a oração adjetiva explicativa iniciada por "cujo" ("cujo sentido está em demonstrar o desafio"), que acrescenta uma explicação sobre a metáfora. As vírgulas que isolam "aqui e ali" estão corretas, pois se trata de um adjunto adverbial intercalado, que deve vir entre vírgulas para não quebrar a relação entre o sujeito "o desafio" e o verbo "se põe". Nenhuma relação sintática direta é separada indevidamente.

Alternativa D — ❌ Incorreta

"Deve-se a certas figuras da História, o reconhecimento de seu valor, quando, mais de uma vez se mostraram resistentes, às fraquezas humanas."

A frase apresenta múltiplos problemas. A vírgula após "História" separa o verbo ("Deve-se") do seu complemento ("o reconhecimento de seu valor"). A vírgula após "quando" é inadequada, pois separa a conjunção subordinativa do restante da oração que ela introduz. A vírgula após "resistentes" separa o predicativo ("resistentes") do seu complemento ("às fraquezas humanas"). A frase correta seria: "Deve-se a certas figuras da História o reconhecimento de seu valor, quando mais de uma vez se mostraram resistentes às fraquezas humanas."

Alternativa E — ❌ Incorreta

"Não há dúvida, de que é mais fácil agir, segundo os nossos interesses, do que impulsionados pela energia positiva dos grandes princípios."

A vírgula após "dúvida" é inadequada, pois separa o nome ("dúvida") do seu complemento nominal ("de que é mais fácil agir"). A relação nome-complemento não pode ser quebrada por vírgula. As vírgulas que isolam "segundo os nossos interesses" estão corretas, pois se trata de um adjunto adverbial intercalado. A frase correta seria: "Não há dúvida de que é mais fácil agir, segundo os nossos interesses, do que impulsionados pela energia positiva dos grandes princípios."

PEGA ESSA DICA!

Ao analisar a pontuação, identifique primeiro os pares sintáticos que não podem ser separados: sujeito-verbo, verbo-complemento, nome-complemento. Depois, verifique se as vírgulas isolam apenas termos acessórios (aposto, vocativo, adjunto deslocado, oração explicativa). Se uma vírgula separar um desses pares, a frase está incorreta.

Gabarito: letra C. A alternativa correta é a única que respeita integralmente as regras de pontuação, isolando apenas termos intercalados e orações explicativas, sem jamais separar os elementos que mantêm relação sintática direta.

Link permanente: /questoes/fc149864