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Questão de Português — Conjugação. Reconhecimento e Emprego dos Modos e Tempos Verbais — FCC 2025

PortuguêsConjugação. Reconhecimento e Emprego dos Modos e Tempos Verbais
Código
fc149866
Banca
FCC
Órgão
PM AP
Ano
2025
Cargo
Of ( )

[A força necessária dos princípios]

 

Não vamos subestimar a força daquilo a que nos opomos. O mundo é, para todos nós, aquilo sobre o qual não temos quase nenhum controle. O senso comum e o sentido de autoproteção nos dizem para nos acomodarmos àquilo que não podemos mudar.

 

Não é difícil ver como alguns de nós poderíamos ser convencidos da justiça, da necessidade das violências. Pense-se numa guerra que é formulada como série de ações militares pequenas, que irão de fato contribuir para a paz ou reforçar a segurança. Todas as violências na guerra foram justificadas como uma retaliação necessária: estamos nos defendendo, eles é que querem nos matar.

 

Diante das violências em curso, alguém dotado de um principio moral parece alguém que corre ao lado de um trem e grita: "Pare! Pare!" O trem pode ser detido? Será que outras pessoas dentro do trem vão se sentir dispostas a saltar e unir-se aos que estão fora? Talvez alguns o façam, mas não a maioria.

 

Agir por principio é um gesto político, no sentido de que não estamos fazendo isso por nós mesmos. Não fazemos isso só para agir corretamente ou para aplacar a nossa consciência; muito menos porque estamos certos de que a nossa ação vai de fato alcançar o seu objetivo. Resistimos como um ato de solidariedade com todas as pessoas e comunidades que agem igualmente por algum principio moral.

 

As ações comandadas por um bom principio nos dizem que não temos de pensar se agir por principio é adequado, ou se podemos contar com o êxito final das ações que levamos a efeito. Agir por principio é bom em si mesmo. Os princípios nos convidam a fazer algo a respeito do pântano de contradições em que agimos moralmente. Os princípios nos convidam a ter mais rigor em nossas ações, ser intolerantes com a frouxidão moral, a contemporização, a covardia e com a fuga diante do que é perturbador. No curso da História encontram-se os grandes modelos de resistência, os feitos daqueles que, por principio, agiram dizendo não à negação dos princípios justos. Inspiremo-nos nesses modelos.

 

(Adaptado de: SONTAG, Susan. Ao mesmo tempo. Trad. Rubens

Figueiredo. São Paulo, Companhia das Letras, p.192-193, passim)

Para responder à questão, baseia-se no texto seguinte.

   

É correta a flexão de todas as formas verbais na frase:

  1. AEle se vangloria dos momentos em que se dispora a agir segundo os melhores princípios.
  2. BCaso a situação não requisesse a adoção de um princípio ético, teria sido mais fácil perdoá-lo.
  3. CSe eles não intervirem de modo a resguardar seus princípios, melhor será que se abstenham.
  4. DAs provas de sua falta de princípios recomporam-se nessa última manifestação sua.
  5. ENo início ele perdeu a paciência, mas logo a reouve em nome de seus bons princípios.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — No início ele perdeu a paciência, mas logo a reouve em nome de seus bons princípios.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Flexão verbal: a conjugação correta dos verbos derivados

Gabarito: letra E. A frase "No início ele perdeu a paciência, mas logo a reouve em nome de seus bons princípios" é a única em que todas as formas verbais estão corretamente flexionadas: perdeu (pretérito perfeito do indicativo de perder) e reouve (pretérito perfeito do indicativo de reaver). A banca testa o conhecimento da conjugação de verbos derivados de ter, vir e pôr, além de verbos defectivos como reaver e precaver-se.

O comando pede que se identifique a frase em que todas as formas verbais estão corretas. Isso significa que basta UMA forma errada para eliminar a alternativa. A técnica é verificar cada verbo, especialmente os que têm conjugação irregular ou são derivados de outros verbos.

O texto-base fala sobre a força dos princípios e a resistência moral, mas a questão é puramente gramatical: não depende do conteúdo do texto, apenas da correção das formas verbais nas frases apresentadas. O texto serve apenas como pretexto para a questão de conjugação.

A regra central é: verbos derivados de outros verbos seguem a conjugação do verbo primitivo. Assim, entreter conjuga-se como ter, intervir como vir, propor como pôr, e reaver como haver (mas apenas nas formas em que haver tem as letras "v" ou "u" no radical). Além disso, alguns verbos são defectivos, ou seja, não têm todas as formas conjugadas, como precaver-se e reaver.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a conjugação de verbos derivados e defectivos. A alternativa E é a única que usa corretamente o verbo reaver no pretérito perfeito (reouve), enquanto as demais apresentam formas inexistentes ou incorretas.

1Dispor (de pôr)
"dispora" → correto: dispôs
2Intervir (de vir)
"intervirem" → correto: intervierem
3Recompor (de pôr)
"recomporam-se" → correto: recompuseram-se
4Requerer (não segue querer)
"requisesse" → correto: requeresse
5Reaver (defectivo, de haver)
"reouve" → correto (só formas com v/u)
Verbos derivados seguem o primitivo
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Verbos derivados seguem o primitivo: Dispor (de pôr) ("dispora" → correto: dispôs); Intervir (de vir) ("intervirem" → correto: intervierem); Recompor (de pôr) ("recomporam-se" → correto: recompuseram-se); Requerer (não segue querer) ("requisesse" → correto: requeresse); Reaver (defectivo, de haver) ("reouve" → correto (só formas com v/u))

Alternativa A — ❌ Incorreta

"Ele se vangloria dos momentos em que se dispora a agir segundo os melhores princípios."

O verbo dispor é derivado de pôr, logo se conjuga como pôr. No pretérito mais-que-perfeito do indicativo, a forma correta é dispôs (ele dispôs), não "dispora". A forma "dispora" não existe na língua padrão. O erro é de troca de termo: a banca inventou uma forma inexistente para testar o conhecimento da conjugação de dispor.

Alternativa B — ❌ Incorreta

"Caso a situação não requisesse a adoção de um princípio ético, teria sido mais fácil perdoá-lo."

O verbo requerer não se conjuga como querer no pretérito imperfeito do subjuntivo. A forma correta é requeresse (se a situação requeresse), não "requisesse". A forma "requisesse" é um erro clássico de conjugação, pois muitos candidatos confundem requerer com querer. O erro é de troca de termo: a banca usa uma forma que parece derivada de querer, mas requerer tem conjugação própria.

Alternativa C — ❌ Incorreta

"Se eles não intervirem de modo a resguardar seus princípios, melhor será que se abstenham."

O verbo intervir é derivado de vir, logo se conjuga como vir. No futuro do subjuntivo, a forma correta é intervierem (se eles intervierem), não "intervirem". A forma "intervirem" não existe; o correto é "intervierem", com o "e" após o "v", seguindo o padrão de vierem (futuro do subjuntivo de vir). O erro é de troca de termo: a banca usa uma forma que parece regular, mas o verbo é irregular e derivado.

Alternativa D — ❌ Incorreta

"As provas de sua falta de princípios recomporam-se nessa última manifestação sua."

O verbo recompor é derivado de pôr, logo se conjuga como pôr. No pretérito perfeito do indicativo, a forma correta é recompuseram-se (as provas se recompuseram), não "recomporam-se". A forma "recomporam-se" não existe; o correto é "recompuseram-se", seguindo o padrão de puseram (pretérito perfeito de pôr). O erro é de troca de termo: a banca usa uma forma que parece regular, mas o verbo é irregular e derivado.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"No início ele perdeu a paciência, mas logo a reouve em nome de seus bons princípios."

O verbo perder é regular no pretérito perfeito do indicativo: perdeu (ele perdeu). O verbo reaver é derivado de haver e é defectivo: só se conjuga nas formas em que o verbo haver tem as letras "v" ou "u" no radical. No pretérito perfeito do indicativo, a forma correta é reouve (ele reouve), que segue o padrão de houve (pretérito perfeito de haver). Ambas as formas estão corretas, tornando a alternativa E a única inteiramente correta.

Conclusão: a questão testa a conjugação de verbos derivados de ter, vir e pôr, além de verbos defectivos como reaver. A regra de ouro é: verbos derivados seguem a conjugação do verbo primitivo, e verbos defectivos só têm as formas que existem no verbo de origem. Ao encontrar uma forma verbal que não existe ou que não segue o padrão do verbo primitivo, elimine a alternativa.

Gabarito: letra E

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