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Questão de Português — Tipos de Discurso (Direto, Indireto e Indireto Livre) — FCC 2025

PortuguêsTipos de Discurso (Direto, Indireto e Indireto Livre)
Código
fc149869
Banca
FCC
Órgão
UNASP
Ano
2025
Cargo
Vest Med ( )

Quando queriam dar uma ideia de erudição do dr. Solis, as pessoas diziam:


– Basta dizer que ele fala naiki.


Ninguém sabia onde, no mundo, se falava naiki e o próprio dr. Solis, sempre muito circunspecto1, não ajudava. Dizia apenas:


– É uma língua do grupo dravídico...


Os pais apontavam o dr. Solis às crianças como exemplo de inteligência e cultura. Aliás, os dois exemplos da cidade eram o dr. Solis e o Lelo. O dr. Solis era o exemplo de inteligência e o Lelo, o exemplo de burrice. As crianças deviam estudar para não ser como o lelo. E se estudassem muito um dia ainda seriam como o dr. Solis.


Caravanas de estudantes iam à casa do dr. Solis. “Viemos beber da sua cultura”, dizia a professora. E as crianças, um pouco assustadas, rodeavam o dr. Solis na sua biblioteca. O dr. Solis sorria, pacientemente. Alguma pergunta?


– O senhor já leu todos esses livros?


– Já.


Às vezes uma se arriscava e pedia:


– Diz alguma coisa em naiki.


E o dr. Solis:


– Za cadu arrarmarral cadverno.


– Traduz.


Mas aquilo já era pedir demais. A professora arrebanhava as crianças para irem embora. Estavam cansando a inteligência do dr. Solis.

 

Alguns céticos da cidade desconfiavam que o dr. Solis era um farsante. E prepararam uma armadilha. Um dia chegaram na casa do dr. Solis com a notícia de que aparecera na cidade, imagine, outra pessoa que falava naiki. O dr. Solis não se afobou. Perguntou onde estava essa pessoa. No hotel? Muito bem. Então precisava ir até lá conversar com ela.


A novidade, como podem imaginar, se espalhou rápido. O Lelo anunciou que ia haver um monólogo entre os dois, e em naiki. Quando o dr. Solis chegou no hotel havia um bom público para assistir ao encontro das duas inteligências. O forasteiro, outro farsante, contratado para pôr o dr. Solis à prova, já o recebeu com uma frase:


– Bassau rarim ai montul?


O dr. Solis franziu a testa e ficou olhando para o forasteiro, sem dizer nada. Depois disse:


– Como?


Já com um ar superior, o outro repetiu:


– Bassau rarim ai montul?


Suspense na plateia. O dr. Solis seria desmascarado? Será que os céticos tinham razão? Que todo este tempo o dr. Solis mentia para eles e realmente não sabia uma palavra em naiki? Nem "bom dia"?


– Repita, por favor – pediu o dr. Solis.


– Bassau rarim ai montul?


Aí o dr. Solis sacudiu a cabeça lentamente e, com um sorriso de divertida condescendência para seu interlocutor, comentou:


– Esses dialetos...


Foi carregado em triunfo pelas ruas da cidade. Que cabeça! Na frente do cortejo ia o Lelo, gritando:


– É um potentado2. É um potentado!

 

(Adaptado de: VERISSIMO, Luis Fernando. Novas comédias da vida privada.

Porto Alegre: L&PM, 1996, p. 125-126)

 

1 circunspecto: reservado.


2 potentado: indivíduo poderoso.

Para responder à questão, considere a crônica "O homem que falava naiki" do escritor Luis Fernando Veríssimo (1936-2025).

   

Perguntou onde estava essa pessoa.

 

Ao se transpor o trecho acima para o discurso direto, o verbo sublinhado assume a seguinte forma:

  1. Aesteve.
  2. Bestivera.
  3. Cestaria.
  4. Destará.
  5. Eestá.
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GabaritoE — está.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Transposição de discurso indireto para direto: o tempo verbal na fala reportada

Gabarito: letra E. Ao transpor o trecho "Perguntou onde estava essa pessoa" para o discurso direto, o verbo "estava" (pretérito imperfeito do indicativo) assume a forma "está" (presente do indicativo), pois, na conversão do discurso indireto para o direto, o pretérito imperfeito do indicativo retrocede ao presente do indicativo. A passagem que ancora essa conversão está no texto: "Perguntou onde estava essa pessoa", que, em discurso direto, seria: "Perguntou: 'Onde está essa pessoa?'".

O comando: transposição de discurso — uma questão de conversão, não de interpretação

O enunciado pede uma transposição de discurso: transformar uma fala reportada (discurso indireto) em fala literal (discurso direto). Isso não é uma questão de compreensão ou inferência — é uma questão de técnica de conversão, com regras fixas de mudança de tempos verbais, pronomes e advérbios. O verbo sublinhado no trecho é "estava", e a tarefa é identificar qual forma ele assume quando a fala da personagem é reproduzida diretamente.

O texto: a cena da armadilha e a fala do dr. Solis

No trecho, o narrador relata a reação do dr. Solis à notícia de que outra pessoa falava naiki: "O dr. Solis não se afobou. Perguntou onde estava essa pessoa." Aqui, "Perguntou" é o verbo de elocução (dicendi), e "onde estava essa pessoa" é a fala da personagem reportada pelo narrador — típico do discurso indireto. Para transpor ao discurso direto, precisamos reconstruir a fala literal do dr. Solis, que seria algo como: "Onde está essa pessoa?" — pois, no momento da fala, a pessoa estava presente, e o presente do indicativo é o tempo natural da pergunta direta.

A técnica: a tabela de conversão de tempos verbais

A conversão entre discursos segue uma tabela fixa de correspondência de tempos. A regra que decide esta questão é:

Discurso direto (fala literal)

Discurso indireto (fala reportada)

Presente do indicativo (está)

Pretérito imperfeito do indicativo (estava)

Pretérito perfeito do indicativo (esteve)

Pretérito mais-que-perfeito do indicativo (estivera)

Futuro do presente (estará)

Futuro do pretérito (estaria)

No trecho, temos "estava" (pretérito imperfeito). Para voltar ao discurso direto, aplicamos a conversão inversa: pretérito imperfeito → presente do indicativo. Portanto, "estava" vira "está". As demais alternativas apresentam tempos que não correspondem a essa conversão.

Transposição de discurso
  • 1Direto → Indireto
    • Presente → Pretérito imperfeito
    • Pretérito perfeito → Mais-que-perfeito
    • Futuro do presente → Futuro do pretérito
  • 2Indireto → Direto
    • Pretérito imperfeito → Presente
    • Mais-que-perfeito → Pretérito perfeito
    • Futuro do pretérito → Futuro do presente
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Alternativa A — ❌ Incorreta

"Esteve" (pretérito perfeito do indicativo) não é a forma correspondente. Se o discurso indireto tivesse "estivera" (mais-que-perfeito), o direto seria "esteve". Aqui, o texto traz "estava", que exige o presente "está". A alternativa troca o tempo verbal, aplicando uma conversão de outro par.

Alternativa B — ❌ Incorreta

"Estivera" (pretérito mais-que-perfeito do indicativo) é o tempo que, no discurso indireto, corresponderia ao pretérito perfeito "esteve" no direto. Não é o caso: o texto tem "estava", não "estivera". A alternativa contradiz a regra de conversão, pois inverte a direção da correspondência.

Alternativa C — ❌ Incorreta

"Estaria" (futuro do pretérito do indicativo) é o tempo que, no discurso indireto, corresponderia ao futuro do presente "estará" no direto. No trecho, não há futuro; há um pretérito imperfeito. A alternativa extrapola a relação temporal, aplicando uma conversão que não se sustenta no texto.

Alternativa D — ❌ Incorreta

"Estará" (futuro do presente do indicativo) é o tempo que, no discurso indireto, viraria "estaria". Como o texto traz "estava", a conversão correta é para o presente "está", não para o futuro. A alternativa troca o tempo verbal, deslocando a ação para um momento posterior que o texto não autoriza.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"Está" (presente do indicativo) é a forma correta. A regra é direta: no discurso indireto, o pretérito imperfeito do indicativo (estava) corresponde ao presente do indicativo (está) no discurso direto. A fala literal do dr. Solis seria: "Onde está essa pessoa?" — exatamente o que a alternativa propõe.

PEGA ESSA DICA!

Ao transpor discursos, monte a tabela mental de conversão de tempos. Se o indireto tem pretérito imperfeito, o direto terá presente; se tem mais-que-perfeito, o direto terá pretérito perfeito. Isso elimina as distratoras sem precisar reler o texto.

Gabarito: letra E.

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