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Questão de Português — Questões Variadas de Classe de Palavras — FCC 2025

PortuguêsQuestões Variadas de Classe de Palavras
Código
fc149876
Banca
FCC
Órgão
UNASP
Ano
2025
Cargo
Vest Med ( )

Quando queriam dar uma ideia de erudição do dr. Solis,(d) as pessoas diziam:


– Basta dizer que ele fala naiki.


Ninguém sabia onde, no mundo, se falava naiki e o próprio dr. Solis, sempre muito circunspecto1, não ajudava. Dizia apenas:


– É uma língua do grupo dravídico...


Os pais apontavam o dr. Solis às crianças como exemplo de inteligência e cultura. Aliás, os dois exemplos da cidade eram o dr. Solis e o Lelo. O dr. Solis era o exemplo de inteligência e o Lelo, o exemplo de burrice. As crianças deviam estudar para não ser como o lelo. E se estudassem muito um dia ainda seriam como o dr. Solis.


Caravanas de estudantes iam à casa do dr. Solis. “Viemos beber da sua cultura”, dizia a professora. E as crianças, um pouco assustadas, rodeavam o dr. Solis na sua biblioteca. O dr. Solis sorria, pacientemente. Alguma pergunta?


– O senhor já leu todos esses livros?(c)


– Já.


Às vezes uma se arriscava e pedia:


– Diz alguma coisa em naiki.(e)


E o dr. Solis:


– Za cadu arrarmarral cadverno.


– Traduz.


Mas aquilo já era pedir demais.(a) A professora arrebanhava as crianças para irem embora. Estavam cansando a inteligência do dr. Solis.

 

Alguns céticos da cidade desconfiavam que o dr. Solis era um farsante. E prepararam uma armadilha. Um dia chegaram na casa do dr. Solis com a notícia de que aparecera na cidade, imagine, outra pessoa que falava naiki. O dr. Solis não se afobou. Perguntou onde estava essa pessoa. No hotel? Muito bem. Então precisava ir até lá conversar com ela.


A novidade, como podem imaginar, se espalhou rápido. O Lelo anunciou que ia haver um monólogo entre os dois, e em naiki. Quando o dr. Solis chegou no hotel havia um bom público para assistir ao encontro das duas inteligências. O forasteiro, outro farsante, contratado para pôr o dr. Solis à prova, já o recebeu com uma frase:


– Bassau rarim ai montul?


O dr. Solis franziu a testa e ficou olhando para o forasteiro, sem dizer nada. Depois disse:


– Como?


Já com um ar superior, o outro repetiu:


– Bassau rarim ai montul?


Suspense na plateia. O dr. Solis seria desmascarado? Será que os céticos tinham razão? Que todo este tempo o dr. Solis mentia para eles e realmente não sabia uma palavra em naiki? Nem "bom dia"?


– Repita, por favor – pediu o dr. Solis.


– Bassau rarim ai montul?


Aí o dr. Solis sacudiu a cabeça lentamente e, com um sorriso de divertida condescendência para seu interlocutor, comentou:


– Esses dialetos...


Foi carregado em triunfo pelas ruas da cidade.(b) Que cabeça! Na frente do cortejo ia o Lelo, gritando:


– É um potentado2. É um potentado!

 

(Adaptado de: VERISSIMO, Luis Fernando. Novas comédias da vida privada.

Porto Alegre: L&PM, 1996, p. 125-126)

 

1 circunspecto: reservado.


2 potentado: indivíduo poderoso.

Para responder à questão, considere a crônica "O homem que falava naiki" do escritor Luis Fernando Veríssimo (1936-2025). É invariável quanto a gênero e a número a palavra sublinhada no seguinte trecho
  1. AMas aquilo já era pedir demais.
  2. BFoi carregado em triunfo pelas ruas da cidade.
  3. CO senhor já leu todos esses livros?
  4. DQuando queriam dar uma ideia da erudição do dr. Solis.
  5. EDiz alguma coisa em naiki.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — Mas aquilo já era pedir demais.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Palavras invariáveis: a classe que não flexiona

Gabarito: letra A. A palavra "demais" em "Mas aquilo já era pedir demais" é um advérbio de intensidade e, como tal, é invariável — não admite flexão de gênero nem de número. As demais alternativas trazem palavras variáveis: "carregado" (particípio verbal, flexiona em gênero/número), "todos" (pronome indefinido plural), "ideia" (substantivo feminino singular) e "alguma" (pronome indefinido feminino singular). A questão pede exatamente a palavra que não varia, e o advérbio é a classe invariável por excelência.

O comando e a técnica

O enunciado pede para identificar a palavra "invariável quanto a gênero e a número". Isso significa que a palavra não muda de forma para concordar com o gênero (masculino/feminino) ou com o número (singular/plural) de outra palavra. A técnica é testar cada palavra sublinhada: se ela pode ser flexionada (ex.: "carregado" → "carregada", "carregados"), é variável; se não pode (ex.: "demais" não tem plural nem feminino), é invariável.

A regra que decide

As classes de palavras dividem-se em variáveis (substantivo, adjetivo, artigo, pronome, numeral, verbo) e invariáveis (advérbio, preposição, conjunção, interjeição). O advérbio, em especial, é invariável — com raríssimas exceções como "todo" (que pode variar em "toda", "todos", "todas" quando adjetivo). A palavra "demais" é um advérbio de intensidade, sinônimo de "muito", e não se flexiona: não existe "demaisa" nem "demaises".

Análise das alternativas

Classes de palavras
  • 1Variáveis
    • Substantivo
    • Adjetivo
    • Artigo
    • Pronome
    • Numeral
    • Verbo
  • 2Invariáveis
    • Advérbio
    • Preposição
    • Conjunção
    • Interjeição
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A palavra "demais" é um advérbio de intensidade (equivale a "muito") e, como tal, é invariável: não apresenta flexão de gênero (não há "demaisa") nem de número (não há "demaises"). No trecho "Mas aquilo já era pedir demais", ela intensifica o sentido do verbo "pedir", indicando excesso. Advérbios, por definição, não se flexionam — essa é a característica que a questão explora.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A palavra "carregado" é um particípio verbal (do verbo "carregar") e, portanto, é variável: flexiona em gênero ("carregada") e em número ("carregados", "carregadas"). No trecho "Foi carregado em triunfo pelas ruas da cidade", o particípio concorda com o sujeito "ele" (dr. Solis), mas poderia concordar com um sujeito feminino ou plural. Logo, não é invariável.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A palavra "todos" é um pronome indefinido e, como tal, é variável: flexiona em gênero ("todas") e em número ("todo", "todos", "todas"). No trecho "O senhor já leu todos esses livros?", "todos" concorda com "livros" (masculino plural). Se o substantivo fosse feminino, seria "todas". Portanto, não é invariável.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A palavra "ideia" é um substantivo e, como tal, é variável: flexiona em número ("ideias") e admite gênero (feminino, mas poderia ser masculino em outro contexto, como "o ideia" — embora raro, o substantivo é variável). No trecho "Quando queriam dar uma ideia da erudição do dr. Solis", "ideia" está no singular, mas poderia ser "ideias" no plural. Logo, não é invariável.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A palavra "alguma" é um pronome indefinido e, como tal, é variável: flexiona em gênero ("algum") e em número ("algumas", "alguns"). No trecho "Diz alguma coisa em naiki", "alguma" concorda com "coisa" (feminino singular). Se fosse masculino, seria "algum". Portanto, não é invariável.

Conclusão

A única palavra que não admite flexão de gênero nem de número é "demais", um advérbio de intensidade. As demais pertencem a classes variáveis (particípio, pronome, substantivo) e, por isso, flexionam-se. Gabarito: letra A.

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