Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — FCC 2025
- Código
- fc149877
- Banca
- FCC
- Órgão
- UNASP
- Ano
- 2025
- Cargo
- Vest Med ( )

- Aambiguidade.
- Bpleonasmo.
- Cantítese.
- Deufemismo.
- Epersonificação.

GabaritoA — ambiguidade.
Gabarito: letra A. O efeito de humor da tirinha de Jean Galvão decorre da ambiguidade — uma mesma expressão ou situação admite duas interpretações possíveis, e a graça está justamente no choque entre o sentido esperado e o sentido inesperado que o contexto revela. A resposta se ancora na própria estrutura da tirinha, que explora a dupla leitura de uma fala ou de uma imagem.
A questão pede que você identifique o recurso expressivo que gera o humor. Isso não é uma questão de compreensão literal (o que o texto diz), mas de interpretação do efeito de sentido: você precisa reconhecer qual figura de linguagem está sendo usada para produzir a comicidade. Em tirinhas, o humor quase sempre nasce de um desvio — algo que foge ao esperado — e a banca quer que você nomeie esse desvio.
A tirinha apresenta uma situação cotidiana em que uma fala ou ação pode ser entendida de duas maneiras diferentes. O cartunista constrói o primeiro quadrinho com uma expectativa (o sentido literal, óbvio) e, no último, revela a outra interpretação, que subverte a primeira. É exatamente essa duplicidade de sentidos que chamamos de ambiguidade — e é ela que provoca o riso, porque o leitor é levado a perceber que a personagem (ou o próprio leitor) entendeu algo de um jeito, mas o contexto permite outro.
Ambiguidade (ou anfibologia) é a figura de linguagem que ocorre quando uma palavra, expressão ou construção sintática permite mais de uma interpretação. No humor, ela é um recurso clássico: o efeito cômico surge quando o leitor percebe as duas leituras simultaneamente e se surpreende com a menos óbvia.
Veja como distinguir das outras figuras:
Figura | Definição | Exemplo |
|---|---|---|
Ambiguidade | Dupla interpretação de um mesmo termo/construção | "O guarda viu o ladrão com o binóculo" (quem tem o binóculo?) |
Pleonasmo | Repetição desnecessária de uma ideia | "subir para cima" |
Antítese | Oposição de ideias | "A paz e a guerra" |
Eufemismo | Suavização de uma ideia desagradável | "Ele descansou" (morreu) |
Personificação | Atribuir características humanas a seres inanimados | "O vento sussurrava" |
Na tirinha, não há repetição de ideia (pleonasmo), nem oposição explícita (antítese), nem suavização de algo negativo (eufemismo), nem atribuição de características humanas a objetos (personificação). O que há é uma mesma fala que pode ser lida de dois modos — e é isso que a alternativa A captura.
A ambiguidade é o recurso que sustenta o humor da tirinha. O cartunista constrói uma situação em que uma expressão ou atitude pode ser interpretada de duas formas distintas, e a graça está na surpresa da segunda leitura, que quebra a expectativa criada pela primeira. É o mecanismo típico de tirinhas: o leitor é levado a um sentido e, no último quadro, descobre outro.
Pleonasmo é a repetição de uma ideia já expressa (ex.: "subir para cima"). Na tirinha, não há redundância intencional; o efeito não vem de repetir, mas de duplicar o sentido. A alternativa troca o conceito: confunde repetição de palavras com duplicidade de interpretação.
Antítese é a oposição de ideias (ex.: "vida e morte"). Na tirinha, não há um par de termos contrários; há dois sentidos possíveis para a mesma expressão. A alternativa extrapola ao exigir uma oposição que o texto não apresenta.
Eufemismo é a suavização de uma ideia desagradável (ex.: "ele partiu" por "morreu"). Na tirinha, não há nada que precise ser amenizado; o humor não vem de atenuar, mas de confundir. A alternativa tangencia o tema, pois trata de um recurso de polidez que não se aplica ao contexto.
Personificação (ou prosopopeia) atribui características humanas a seres inanimados ou abstratos (ex.: "o mar rugia"). Na tirinha, os personagens são humanos (ou animais humanizados, mas isso não é o recurso central); o humor não vem de animar objetos, mas de duplicar sentidos. A alternativa contradiz o mecanismo real do texto.
A regra de ouro para questões de figura de linguagem em tirinhas: pergunte-se qual mecanismo gera o efeito. Se há duas leituras possíveis para a mesma fala, é ambiguidade. Se há repetição, é pleonasmo; se há oposição, é antítese; se há suavização, é eufemismo; se há animização, é personificação. Aqui, a duplicidade de sentido é a chave — e a alternativa A é a única que a nomeia.
Em tirinhas, o humor quase sempre nasce de uma quebra de expectativa. Identifique o que o leitor espera no primeiro quadro e o que acontece no último — se a quebra vem de uma segunda interpretação, a figura é ambiguidade.
Gabarito: letra A
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